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16 maio 2013

O Dr. House dos Capuchos

Muito antes de saber quem era este Senhor, fui sua aluna ainda no início do meu percurso na Medicina. É exactamente aquilo que parece ser: uma pessoa sem igual.
Para ouvir (muitas vezes) o Dr. Brotas aqui.

07 julho 2011

Balada da Despedida

Fitas doiradas, por-do-sol raiadas a riscar o mar.
Meros testemunhos, folhas de rascunhos do curso a acabar.
Canções de amizade, refrões de saudade de quem vai partir.

Adeus Faculdade, adeus terna idade, lembrança a sorrir.

Dentro de um estudante o eterno amante de capa luar.

Existe a vontade de que a faculdade o deixe ficar.
Mas tal como o dia, a noite fugidia irá destronar.
Também negras capas transformam-se em batas para não mais voltar.

O tempo não cede ao clamor que lhe pede para voltar atrás.

Das fitas apenas memórias serenas de um sonho fugaz.
A página vira e a alma respira por mais um momento.
Seis anos de amor, paixão e fulgor, levou-os o vento.

27 junho 2011

Baile de Finalistas

Para mais tarde recordar, aqui fica a chapa do Baile de Finalistas Santana 2011.



Muito obrigada à Inventus, pela ajuda na organização e decoração!
Muito obrigada ao Hotel Império, pelo catering!
Muito obrigada à Fio de Luz Fotografia, pelas imagens!
Muito obrigada ao Tomás Barradas, pelo som!

Memorável...

14 maio 2011

O dia da despedida...

Começa o fim do teu percurso
Por esta casa onde um dia foste caloiro

Chegado o dia da despedida
O que se sentia com a alegria já foi sentida

Hoje sentes a chegar
A tua saudade a chorar
A lágrima no canto
Lembrando esse encanto
Que é aqui estudar

Amanhã é outro dia
Vais acordar como querias
Cheio de vontade
Mas com a saudade
Do que aqui vivias

Dá-se o começo do teu futuro
Que vira do avesso o jovem coeso que se fez maduro

Lanças-te à vida olhando p'rá frente
com a alma sentida desta despedida que a todos nós sente

Hoje sentes a chegar
A tua saudade a chorar
A lágrima no canto
Lembrando esse encanto
Que é aqui estudar

Amanhã é outro dia
Vais acordar como querias
Cheio de vontade
Mas com a saudade
Do que aqui vivias

Não é uma ilusão, sim, esta é a tua vida
E és o orgulho desta geração

Sim, esta é a tua vida
Mas choramos no dia da despedida

Hoje sentes a chegar
A tua saudade a chorar
A lágrima no canto
Lembrando esse encanto
Que é aqui estudar

Amanhã é outro dia
Vais acordar como querias
Cheio de vontade
Mas com a saudade
Do que aqui vivias

Amanhã é outro dia
Vais acordar como querias
Cheio de vontade
Mas com a saudade
Do que aqui vivias


Ana Miranda
Curso FCML 2003-2009

17 março 2011

Sentes-te realmente estudante de Medicina quando...

- Desde o dia em que soubeste que entraste na Faculdade, toda a gente te pede conselhos sobre "esta  dor que aqui tenho";

- Já te perguntaram várias vezes se viste um morto; a seguir não entendem como isso não te fez desistir;

- Tens milhentos livros para comprar mas são caros - optas por fotocopiar um e pagas 80€;

- Frequentemente respondes aos convites dos teus amigos com um "Desculpa, não posso, tenho que estudar / estou de banco";

- Aparentemente nenhum dos teus amigos fora da Faculdade percebe como é possível alguém estudar mais de 3 dias para qualquer exame;

- Ganhaste, entre os amigos dos teus pais, o cognome de "aquele(a) que está em Medicina", que vem sempre a seguir ao teu nome;

- Mala de fim-de-semana durante o ano lectivo significa 1/3 de roupa e 2/3 de livros - os fins-de-semana são os dias por que esperas para tentar estudar o que não conseguiste durante a semana;

- Reconheces mais facilmente os apelidos Esperança Pina, Guyton, Testut, Robbins, Netter, Harrison, do que os de muitos dos teus colegas;

- O ponto alto do teu ano é o ENEM, a altura em que todos estão (durante 3 dias) um passo mais perto da cirrose hepática e isso é excelente;

- Tens cefaleias e mialgias enquanto toda a gente tem dores de cabeça e musculares; deitas-te em decúbito lateral esquerdo enquanto toda a gente se deita prá esquerda;

- Ninguém percebe como é que podes palpar os pulsos de uma pessoa se estás a avaliar, por exemplo, os pés;

- Sentes que a maioria dos teus amigos da escola têm mais tempo para viver do que tu;

- Já te passou pela cabeça que talvez tivesse sido melhor escolher outro curso;

- Sentes-te menos do que o colega do lado se o teu estetoscópio não é Littman e não tens uma Moleskine para tirar notas e colar as vinhetas dos doentes;

- Não te apercebes que só falas por siglas porque toda a gente se entende assim "Doente recorre ao SU do HSFX com AP de AVC, HTA e DM; ECG com supra de ST entra em FA com RVR...";

- Quando chegares ao fim do curso tens um Mestrado em Medicina, mas um Doutoramento em segurar as paredes do hospital;

- O teu percurso profissional vai ser ditado apenas por um exame de cruzinhas onde se safa melhor quem decorou a percentagem de doentes morrem de AVC no Botswana do que quem faz um diagnóstico porque aprendeu a olhar e ouvir o doente;

- Perguntas-te frequentemente com que idade acabarás por conseguir constituir família;

- A seguir perguntas-te se conseguirás fugir à grande percentagem de Médicos divorciados e se irás ter tempo para conhecer os teus filhos;

- Já percebeste que nunca será possível ir beber café com os teus colegas sem que isso vos leve a temas médicos;

- Desde o primeiro dia que sentes que quanto mais estudas, mais devias estudar.

... Mas quando vais chegas ao hospital vais dar alta a uma mulher e ao seu filho recém-nascido e ela agradece-te porque o pouco que fizeste a fez sentir-se melhor -  e isso, por alguma razão, vale tudo!

06 fevereiro 2011

Faltam 300 médicos nos centros de saúde - JN

Faltam cerca de 300 médicos nos centros de saúde porque um especialista em Medicina Geral e Familiar ganha apenas 1100 euros. A solução está em dar "condições dignas" a esses clínicos e não contratar médicos estrangeiros. Quem o diz é o novo bastonário.

José Manuel Silva, que ontem, sábado, participou na tomada de posse dos órgãos sociais da Associação Nacional de Estudantes de Medicina em Coimbra, rejeita que haja falta destes profissionais. Portugal até tem mais médicos do que a média europeia, garante. O problema está na "desorganização" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e na assimétrica distribuição, tanto por especialidades como em termos geográficos, dos médicos que existem.

foto FERNANDO TIMÓTEO/GLOBAL IMAGENS
Faltam 300 médicos nos centros de saúde
Bastonário critica salários de 1100 euros

A situação mais grave é a que se vive nos cuidados de saúde primários, onde faltam cerca de 300 médicos de família a meio milhão de portugueses. Nos hospitais, o bastonário admite que "provavelmente, há médicos a mais". A razão é simples: os jovens médicos não querem seguir a especialidade de Medicina Geral e Familiar porque, nos centros de saúde, vão receber, por 35 horas de trabalho, 1100 euros mensais, "um salário ao nível de um auxiliar de acção médica". Já nos hospitais, podem negociar, nos contratos individuais de trabalho, salários muito mais atractivos.

Para colmatar a carência de clínicos, o Estado tem optado por uma solução que, na opinião de José Manuel Silva, prejudica os doentes: contratar "médicos cubanos e colombianos, sem especialização em Medicina Geral e Familiar". "O que é preciso fazer é dar condições dignas para os jovens médicos se fixarem nos centros de saúde", defende.

A obrigatoriedade de os especialistas permanecerem no SNS durante um período igual ao internato, sob pena de terem de indemnizar o Estado, é também criticada pelo recém-empossado presidente da Ordem dos Médicos. Porque só tem um objectivo: reduzir os salários. "O Estado quer forçar os médicos a trabalhar compulsivamente com vencimentos mínimos", sublinha.

Para avaliar as reais necessidades de médicos em cada especialidade e por região e determinar quantas vagas devem abrir para os internatos complementares, a Ordem vai promover um estudo de demografia médica.

Quanto ao numerus clausus para Medicina, considera que é exagerado. Socorrendo-se de um estudo que, em 2002, avaliava as vagas necessárias em 1175, diz que, todos os anos, entram nos cursos de Medicina 700 alunos a mais.

Helena Norte

Link: Faltam 300 médicos nos centros de saúde - JN

12 maio 2010

17 abril 2010

Desabafo - excusam de ler

Não, a sério, podem voltar para o Facebook que isto não vai ter mesmo interesse nenhum.

Eu nunca fui grande desportista. Gosto, sempre gostei, mas não me costumo dedicar realmente a nada nessa área. Sou daquele estilo de pessoa que não sobressai por ser a melhor mas também nunca faz má figura. (quase nunca, vá).

Aqui há uns anos, mais de dez, comecei a dar os primeiros passos nos desportos motorizados. Inicialmente por influência familiar já que segundo um Tio, o meu Pai "leva as crias a arrastar o traseiro pelas pistas nacionais". Ninguém pensou que lhe desse continuação, bem sei, nem tão pouco que tivesse algum jeito para a coisa. Acontece que fui aprendendo, e gostando. Era (e continuo a ser), a única representante do sexo feminino no campeonato em que corro e, talvez porque me achassem piada, talvez porque não esperassem que uma miúda (durante a maior parte do tempo era também a pessoa mais nova a correr) se fosse "meter" no meio daqueles homens todos e muito menos que se "safasse" tão bem, o certo é que de alguma maneira acabava por sobressair naturalmente. Ora, eu que nunca tinha tido esse feedback em nada, gostava imenso daquilo! Dediquei-me como nunca até então.

Foi assim que comecei no karting.

Subia de "escalão" todos os anos até ao principal, melhorava as classificações a cada ano, cheguei a subir algumas vezes ao podium e a ganhar corridas. Representei o campeonato nas resistências de 24horas e nas taças inter-troféus. Não era a melhor, mas tinha imenso orgulho naquilo que conseguia fazer.

Como digo, há já mais de dez anos que muitos dos meus fins-de-semana se passam em pista pelo país todo. O meu fato é o máximo; luvas e botas a condizer e o meu capacete diz o meu nome! Contudo, e como não há bela sem senão, há uma coisa no karting que eu abomino. Dá, genericamente, pelo nome de chuva. É um desporto de ar livre e, como tal, quando chove, (como é que eu hei-de dizer?), Olha, azar!...

A verdade é que eu não gosto,
não sei,
não aprendo,
não consigo
correr à chuva.

"Vais ver que quando te começares a habituar até vais gostar de correr à chuva."
Até pode ser que sim, mas como não me habituo, nada feito.

Mas uma equipa é uma equipa e quando há uma corrida à chuva, uma pessoa vai e pronto.

Hoje foi dia de corrida.
Como ainda não controlo a meteorologia, 70% de probabilidade de precipitação não auguravam nada de bom.
Mas, como digo, uma equipa é uma equipa. Lá fui. Chateada toda a viagem, mas fui.
Foi por volta de uma horinha de corrida; não será surpresa se disser que choveu a potes.
Contudo, por respeito à equipa mas, principalmente, por respeito a mim própria fiz o melhor que sabia.

Há mais duas coisas que não se controlam no karting.
Uma é a qualidade dos karts em si. Excuso de ir por aí, todos sabemos que não são iguais, uns dias temos sorte, outros não.
A outra são os outros pilotos em pista.

Espera-se ambição mas respeito.
Espera-se fairplay.

Rebobinando:
Detesto correr à chuva; estava a esforçar-me ao máximo para fazer o melhor possível; até estava a correr bem, certinha, sem perder muito tempo para os primeiros. Eis senão quando vem na penúltima volta, sabe-se lá de onde, um anormal (juro que é a coisa menos ofensiva que lhe consigo chamar) que me acerta em cheio de frente na quina traseira do kart. Para quem não está a visualizar a cena, andei p'ra lá a dançar, acabei por fazer um peão e fiquei virada para trás.
Perdi a posição.
Perdi mais não sei quantas posições dos que vinham mais atrás e tiveram tempo para me passar.
Perdi a paciência e passei-me.
Só me apetecia bater-lhe.
Eu sei fazer peões sozinha!

Claro que não fiz nada e fiquei a remoer a fúria cá dentro. Não é a primeira vez que me batem (nem a segunda, nem a terceira, nem...............) nem que me estragam uma corrida, mas hoje foi a gota de água. Estava realmente a esforçar-me por fazer bem feita uma coisa que não gosto mesmo de fazer... ou gosto, mas não assim...

Ou estarei a perder o gosto?



há uns tempos... apareço a partir dos 22 segundos e nunca mais deixei o espanhol passar =)

09 março 2010

Pela vida fora - com orgulho



Somos os filhos de João de Deus,
Como os anjinhos que cantam nos céus
Vamos p’ra aula a cantar
Aprender sem se notar
E a brincar a brincar
Já sei o A E I O U...

O recreio
Vem sempre no meio
Da lição
Que sai do coração.

Somos crianças cheias de alegria
Nossas mãozinhas já têm magia
Já fiz um carro de barro
Um coração de cartão
E a brincar, a brincar
Já sei o A E I O U…

O encanto do Jardim-Escola
É saltar, rir e jogar à bola.

Findou o dia, vamos regressar
Vestir casacos, vamos para o lar
Lá nos espera também
Outro regaço, o da Mãe
Para beijar e ouvir
Dizer o A, E, I, O, U...

Os meninos
Serão sempre teus
Pela vida fora
João de Deus

23 fevereiro 2010

Comunicado da Ordem dos Médicos


ah e tal há imensa falta de médicos e não sei quê...
FYI



COMUNICADO

Curso de Medicina de Aveiro

A oitava Faculdade de Medicina em Portugal iniciou o seu percurso no ano lectivo de 2009-2010 na Universidade do Algarve, levantando uma série de questões de extrema importância, com delicadas implicações futuras, que a Ordem dos Médicos gostaria de ter analisado com o Digníssimo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Prof. Doutor José Mariano Gago, pelo que, em Fevereiro de 2009, solicitou uma audiência formal com esse objectivo. Estranhamente, tal audiência não foi concedida.
No ano lectivo de 2008-2009 abriram 1614 vagas para Medicina nas sete Faculdades de Medicina portuguesas. Se multiplicarmos este número por 30 anos, significa que se formarão, durante este período de tempo, 48420 médicos. A este número deveremos somar os cerca de 12 mil médicos formados nos dez anos anteriores, que, pelas novas regras de aposentação, terão que exercer pelo menos durante 40 anos. Quer isto dizer que, em 30 anos, sem sequer contar com os estudantes de medicina portugueses no estrangeiro e com os eventualmente formados na Universidade do Algarve (UA), Portugal irá duplicar o seu actual número de Médicos! Absurdamente, no ano lectivo de 2009-2010 o numerus clausus para Medicina aumentou novamente.
Para que vai precisar Portugal de mais de 60 mil médicos no activo, particularmente quando se prevê uma redução da sua população total?
Portugal terá actualmente cerca de 30 mil médicos no activo, um número exactamente sobreponível à média europeia. O actual problema da saúde em Portugal, salvo algumas situações pontuais, não é de falta de Médicos mas sim de falta de organização, como reconheceu publicamente a própria Ministra da Saúde, com toda a propriedade.
O rotundo êxito do programa específico de combate às listas de espera para cirurgia das cataratas ilustra amplamente esta indisputável verdade. Com um pequeno investimento adicional, que permitiu a rentabilização da capacidade já instalada no SNS, em poucos meses acabou-se com as listas de espera de cataratas, sem que fossem necessários mais oftalmologistas!
E se se prevê que, no curto prazo, possa haver alguma dificuldade transitória de Médicos, ela não será resolvida pela Universidade do Algarve nem pelo putativo Curso de Medicina de Aveiro, pois só daqui a dez anos começarão os seus primeiros licenciados a completar as respectivas especialidades, numa altura em que já terão sido ultrapassadas essas mesmas dificuldades. Este problema transitório será facilmente resolvido se o Governo atrair os Médicos que estão actualmente perto da sua reforma para se manterem mais meia dúzia de anos no activo.
A indesmentível verdade é que, em termos quantitativos, a Faculdade de Medicina do Algarve e o desnecessário Curso de Medicina de Aveiro se irão limitar a formar Médicos para o desemprego ou para exportação.
Aliás, quem faz contas de forma honesta e transparente sabe que, a partir de 2010, o numerus clausus para Medicina deveria começar a diminuir para evitar o desemprego médico.
Médicos a menos prejudicam as populações pelas dificuldades de acesso, mas Médicos a mais constituirão um desperdício para o país e uma ameaça para os cidadãos saudáveis, pois serão compelidos a inventar doentes para sobreviver, e farão disparar os custos globais da saúde. Será tão difícil compreender que à Saúde não se podem aplicar as regras de mercado de qualquer outro sector da economia?!
E numa altura em que o país se debate com uma profunda crise económica, em que as Universidades estão asfixiadas e em que o SNS, por falta de recursos, está a ser minimalizado e comprometido na qualidade dos serviços de saúde disponibilizados aos doentes, é um dever patriótico que todos se questionem sobre as razões subjacentes a uma decisão exclusivamente política, contrária a critérios técnicos, e que custará dezenas de milhões de euros ao país, desta maneira espantosamente desperdiçados.
Perante a crueza dos números, por si próprios indesmentíveis, é evidente e incontestável que Portugal não precisa de mais quaisquer Faculdades de Medicina para além das oito já existentes. Invista-se na Universidade de Aveiro, que bem o justifica e merece, mas não de forma a desperdiçar recursos que tanta falta farão noutros sectores da mesma Universidade.
Um dos graves problemas do país é que passamos a vida a fazer experiências que, depois, nunca são avaliadas nem extraídas conclusões consequentes. Elogiamos deslumbradamente todas as experiências, mas nunca aprendemos com os resultados. E assim estamos cada vez mais na cauda da Europa. A Comissão Científica Internacional (CCI) produziu apenas um elogio no condicional à metodologia escolhida para o curso do Algarve. Na realidade, não existe Medicina Baseada na Evidência que comprove que o método PBL, em si mesmo extraordinariamente exigente, quando ministrado por um corpo docente maioritariamente sem experiência, seja globalmente superior aos métodos de ensino presentemente utilizados, que já nada têm a ver com os métodos clássicos do antigamente.
A Faculdade de Medicina do Algarve não é necessária, pelo que a sua nova experiência, por muito interessante e estimulante que seja, é supérflua. Caso se pretenda reproduzir a experiência de ensino integral em PBL em Portugal, o que a Ordem dos Médicos encara de forma positiva, então que primeiro se avaliem de forma transparente e independente os futuros resultados do Algarve.
Finalmente, não se pode escamotear que as licenciaturas de Bolonha em outras áreas não conferem aos alunos a mesma formação dos primeiros anos dos Cursos de Medicina, pelo que a Ordem dos Médicos encara com enorme preocupação a qualidade dos futuros licenciados pelo método PBL e com cursos de apenas quatro anos.
Além do mais, não existe em Portugal massa crítica suficiente para oito Faculdades de Medicina, muito menos para nove, nem existe capacidade no país para que todos os futuros licenciados possam concretizar uma especialidade Médica.
Então, não podemos deixar de perguntar, quais são as verdadeiras consequências de proletarizar e indiferenciar a Medicina, reduzindo o seu nível global de qualidade, prejudicando, por essa via, os próprios doentes? O ónus desta decisão política vai ser pago por todo o País.
Se as normas internacionais dizem que é suficiente uma Faculdade de Medicina por cada dois milhões de habitantes, para que se equaciona a criação da nona Faculdade de Medicina em Portugal?

Conselho Nacional Executivo da Ordem dos Médicos

Lisboa, 15 de Dezembro de 2009

23 novembro 2009

Oxalá nunca tenha uma atitude como aquela.

Sou estudante de Medicina.

Como qualquer outro estudante de qualquer outra ciência, preciso de aprender. Livros, sebentas, observação de técnicas, prática... tudo isto funciona. Mas funciona melhor ainda se tivermos alguém mais experiente para "back us up all along".

Suponho que sempre tenha sido assim: ao longo dos séculos os mais velhos ensinam os mais novos. Seja por interesse curricular, pelo estatuto social ou simplesmente por gosto, a verdade é que há muita coisa que não vem nos livros, e mesmo o que vem nem sempre se consegue realmente aprender antes se de ver fazer quem melhor o sabe.

Estava há dias num qualquer bloco operatório de um qualquer hospital do país, quando durante as duas horas de uma cirurgia programada (e atrasada por sua culpa) a anestesista discutiu, reclamou e chateou toda a gente que se fosse dispondo a perder uns segundos para me ensinar e orientar um pouco no que se ia passando.

Estranho conceito esse da "perda de tempo" por ensinarmos alguém que mais tarde ou mais cedo nos poderá vir a substituir...

Foi a primeira vez que me senti realmente mal num bloco operatório.

Oxalá essa senhora nunca venha a necessitar que lhe faça o que aprendi nesse dia.
Oxalá tenha aprendido suficientemente bem para poder ajudar alguem.
Oxalá nunca tenha uma atitude como aquela.

16 novembro 2009

De médico e louco todos temos um pouco

Há pouco tempo fiz o estágio de Psiquiatria.

Foi a primeira vez que achei que os médicos vêem doenças em todo o lado:
Aparentemente, tenho uma personalidade esquizóide!!...

Passo a explicar:
- gosto de ter o quarto e a roupa arrumados;
- faço apontamentos e organizo-os em dossiers devidamente identificados;
- costumo fazer um plano de estudo antes de cada exame e tento seguí-lo;
- quando tenho que acordar cedo, escolho na véspera a roupa que vou vestir;
- quando vou fazer uma viagem, faço uma lista daquilo que preciso de levar;
- geralmente registo o que preciso de fazer diariamente na agenda;
- ...

Sempre pensei que era simplesmente uma pessoa organizada e metódica. Afinal faço é parte de um grupo de risco de doença psiquiátrica!!!!!

Ou seja: para evitar que me integrem em pseudo-grupos sujeitos a preconceitos sociais, o melhor e começar desde já a abandalhar.......................