30 novembro 2015

Querido Pai Natal #1

De tão bem que me portei este ano, venho humildemente escrever esta cartinha. Como estou certa que muitas missivas estarão a chegar à sua morada, envio mais esta em fascículos (para que não se sinta atropelado), com algumas sugestões, para ajudar na escolha de um presentinho para o meu sapatinho.
Obrigada desde já pelo tempo dispensado. Qualquer informação adicional, é pedir!



Omnia, by Anna Westerlund.

25 novembro 2015

Chapéus há muitos, parece-me que até demais...

Eu adoro chapéus. Tenho alguns e todos os anos dou um arzinho da minha graça passeando-os orgulhosamente em alguma voltinha pela cidade. Pois que este ano todo o mundo se lembrou de proteger a cabecinha e os chapéus pululam por todo o lado: ele é nos cafés, ele é na rua, até dentro do carro já vi chapéus na cabeça. Tudo bem, é moda, mas é demais. E é pena, porque o chato é que eu tendo a desgostar daquilo que todo o mundo de repente gosta... esta coisa de andar em carneirada, tudo de chapelinho e bibe igual ficou lá nos confins da minha infância (um grande beijinho para o Jardim-Escola do meu coração). É só isso, não me apetece!... Daí que este ano ainda só tenha saído de chapéu uma vez e dá-me ideia que a coisa vai ser escassa...

20 novembro 2015

Assembleia da República aprova adoção por casais do mesmo sexo

Não sei se dois homens serão capazes de dar a uma criança o amor que ela merece. Não sei se duas mulheres poderão ser as figuras fortes que qualquer criança necessita. Mas sei que não é por serem dois homens ou duas mulheres que não podem ser tudo o que uma criança precisa.
Hoje foi um bom dia.

16 novembro 2015

As meninas?

Mas que pouca vergonha é esta? De onde saiu agora este sr Arroja? Quem é que se julga para vir vomitar opiniões? Fala das 'meninas do bloco de esquerda', 'esganiçadas', que não queria 'nem dadas'?? Dobre a língua, senhor! Nem vou comentar a arrogância de ter elaborado a hipótese (por favor!), porque nem que quisesse! Acha-se alguém tão lá no alto dum pedestal, que não vislumbra a baixaria onde se enterrou. Onde já chegou o baixo nível...

10 novembro 2015

Que golpe de estado?

Não vejo discutir ideias, raramente ouço opiniões: tudo o que há é barulho. Dos que choram a queda de quem venceu as eleições; dos que comemoram o derrube desses grandes malvados. Vamos lá por os pontos nos is: tão legítimo seria um governo da coligação como legítimo é que a maioria da assembleia se una em torno de um objectivo comum, qualquer que ele seja. São as regras do jogo e não é a gritaria que dá mais razão a uns ou a outros. Deixem-se disso.
Aprenda-se e reflita-se antes de se emitirem opiniões. Ouçam mais do que falam. É por isso que temos dois ouvidos e apenas uma boca.

09 novembro 2015

Das minhas dificuldades matinais

Lá na fábrica onde se produzem os renaults clio azuis há uma graça recorrente (tenho a certeza). Mal sai mais um do forno, mandam-no para a minha rua, onde estacionam diariamente mais carros desses iguais do que a destreza mental me permite distinguir pela manhã. Saio ainda o sol mal raiou e vou rua-acima a pensar qual daqueles seis estacionados perto uns dos outros será. Às vezes lembro-me que afinal na véspera tinha estacionado para o outro lado. E lá vou eu rua-abaixo, tentando descobrir por diferenças de jantes e forro interior, qual dos outros cinco será afinal... Raiosmapartam!

02 novembro 2015

Saudade

Morrer é o que de mais certo temos na vida. Tudo o mais é incerto, incógnito, imprevisível. Menos a esperança. E por isso (e apesar de tudo... e talvez por uma enorme falta de objectividade), nunca nos habituamos à ideia de que nos vai tocar muito mais próximo e mais depressa do que gostaríamos. Acontece uma e outra e outra vez. Dói sempre de maneira diferente, mas dói sempre muito. Dói-nos a nossa dor e a daqueles de quem mais gostamos. Com o tempo a dor transforma-se. Em mim, primeiro em incredulidade, numa espécie de realidade paralela, num pesadelo de que concerteza vou acordar. E depois de todo o processo de luto, numa saudade imensa. Hoje, é o que tenho dessas minhas pessoas. Uma saudade imensa.

29 outubro 2015

Dias tristes

Têm sido dias tristes e feios.
Nunca, em lado nenhum, devia uma sobrevivente sofrer outro e outro golpe. Nunca, em tempo nenhum, devia uma pessoa perder a vida quando toda ela lhe devia estar pela frente. Nunca na vida devia um pai ter que enterrar um filho.
Têm sido dias tristes e feios, que nos fazem pensar que sentido tem a vida. Talvez nada esteja verdadeiramente nas nossas mãos e a justiça... simplesmente não exista.

25 outubro 2015

Estou aqui mas é como se não estivesse

Estou quase capaz de dizer que entre o trabalho que tenho, o trabalho que invento e a inércia que tenho tido, o blog se ficou moribundo, pelas ruas da amargura. Não se passa cá nada, é um vácuo que nem no espaço. Desculpem lá qualquer coisinha, mas isto entretanto há-de renascer qual fénix, em todo o seu esplendor. Ou então volta a ser o mesmo canto fraquinho a que já nos fomos habituando. Uma das duas.

02 outubro 2015

Uma dor de alma

Ver entrevistas de rua sobre a política nacional.
Pior do que a maior parte das pessoas não saber nada de nada é, simplesmente, não quererem saber...


01 outubro 2015

Aviso à navegação

Estou viva, tanto quanto sei.
Não me têm oferecido os lugares dos velhotes no metro nem me propuseram reforma.
Ainda não tive nenhum desconto da terceira idade nem recebi cartão de sócia do Inatel.
Não sinto dores nas cruzes nem nos artelhos.
Ainda não preciso de "zoom de braço" para conseguir focar e ler.
Não tenho cabelos brancos nem preciso de dentadura.
Ainda não vi cintas ou cuecas de avó no armário.

Estou há quase quinze dias nos trinta, mas por enquanto está tudo bem.

04 setembro 2015

O cidadão, da loja do cidadão

Vim passar a tarde a um serviço de atendimento ao público.
Ainda só estou aqui há meia hora mas já pude apreciar vários tipos de utilizadores:
- o conversador: vem e tira uma senha. Senta-se de costas para o ecrã onde vão passando os números e conversa com quem esteja mais à mão, com quem cometa o erro de cruzar o olhar com ele ou sozinho se não houver melhor companhia. Ao fim de algum tempo dá conta (ou é avisado) de que já foi chamado. Por sorte ainda está na tolerância de três números e portanto pode levar a conversa para o funcionário ao balcão, ou para o do lado caso o primeiro não lhe dê troco. Senão, continua a conversar sozinho.
- o indeciso: chega à máquina que dá as senhas e lê todas as opções. Será que escolhe uma, será que escolhe outra? Por via das dúvidas traz as duas. E mais uma ou outra, não vá ser preciso.
- o 'palavrinha': encosta-se ao balcão sem tirar senha nenhuma, não precisa, "é só para dar uma palavrinha". Com essa 'palavrinha' conta resolver tudo o que o leva ali, ocupando meia hora ao balcão. Mas como é só 'uma palavrinha'...
- o mais esperto de todos: vem em passo de corrida, passa pelo meio das cinquenta pessoas que ali estão à espera e dirige-se imediatamente ao balcão. Diz logo ao que vai, perante os olhares incrédulos dos restantes. Quando finalmente lhe é explicado que tem muita gente à frente e que deve aguardar a sua vez, exclama: "mas é preciso tirar senha?!" Não!, viemos todos aqui passar a tarde...

(Desculpem, chamaram-me)

01 setembro 2015

É meia dúzia!

Ontem foi o dia mundial do blog e hoje faz meia dúzia de anos que me estreei neste mundo.
Ofereço-me um Óscar pela persistência - já que ninguém me quer oferecer mais nada - e, por isso, tenho direito a discurso:
A quem contribui diariamente para fertilizar a minha imaginação, obrigada.
Quero agradecer à minha mãezinha o recheio do armário onde me abasteço com frequência.
Quero agradecer ao meu paizinho o gene da gasolina que me transmitiu.
Ao meu namorado, as festinhas e os beijinhos e a trabalheira que me dá tous les jours.
E aos meus irmãos por todas as enormes estupidezes que me dão a assistir, bolas, que gente mais aparvalhada!
É tudo. À dúzia espero uma festa.

27 agosto 2015

Clac - clac - clac

À frente da minha janela do consultório está uma senhora dos seus 70 anos, sentada no banco da paragem do autocarro, muito bem arranjada, chapéu e tudo, de corta-unhas em punho: clac - clac - clac, clac - clac - clac.

Isto é só a mim que incomoda??

26 agosto 2015

A Mulher Portuguesa

A mulher portuguesa não é só Fada do Lar, como Bruxa do Ar, Senhora do Mar e Menina Absolutamente Impossível de Domar. É melhor que o Homem Português, não por ser mulher, mas por ser mais portuguesa. Trabalha mais, sabe mais, quer mais e pode mais. Faz tudo mais à excepção de poucas actividades de discutível contribuição nacional (beber e comer de mais, ir ao futebol, etc). Portugal (i.e., os homens portugueses) pagam-lhe este serviço, pagando-lhes menos, ou até nada.

O pior defeito do Homem português é achar-se melhor e mais capaz que a Mulher. A maior qualidade da Mulher Portuguesa é não ligar nada a essas crassas generalizações, sabendo perfeitamente que não é verdade. Eis a primeira grande diferença: o Português liga muito à dicotomia Homem/Mulher; a Portuguesa não. O Português diz «O Homem isto, enquanto a Mulher aquilo». A Portuguesa diz «Depende». A única distinção que faz a Mulher Portuguesa é dizer, regra geral, que gosta mais dos homens do que das mulheres. E, como gostos não se discutem, é essa a única generalização indiscutível.

A Mulher Portuguesa é o oposto do que o Homem Português pensa. Também nesta frase se confirma a ideia de que o Homem pensa e a Mulher é, o Homem acha e a Mulher julga, o Homem racionaliza e a Mulher raciocina. E mais: mesmo esta distinção básica é feita porque este artigo não foi escrito por uma Mulher.

Porque é que aquilo que o Homem pensa que a Mulher é, é o oposto daquilo que a Mulher é, se cada Homem conhece de perto pelo menos uma Mulher? Porque o Português, para mal dele, julga sempre que a Mulher «dele» é diferente de todas as outras mulheres (um pouco como também acha, e faz gala disso, que ele é igual a todos os homens). A Mulher dele é selvagem mas as outras são mansas. A Mulher dele é fogo, ciúme, argúcia, domínio, cuidado. As outras são todas mais tépidas, parvas, galinhas, boazinhas, compreensíveis.

Ora a Mulher Portuguesa é tudo menos «compreensiva». Ou por outra: compreende, compreende perfeitamente, mas não aceita. Se perdoa é porque começa a menosprezar, a perder as ilusões, e a paciência. Para ela, a reacção mais violenta não é a raiva nem o ódio – é a indiferença. Se não se vinga não é por ser «boazinha» – é porque acha que não vale a pena.

A Mulher Portuguesa, sobretudo, atura o Homem. E o Homem, casca grossa, não compreende o vexame enorme que é ser aturado, juntamente com as crianças, o clima e os animais domésticos. Aturar alguém é o mesmo que dizer «coitadinho, ele não passa disto…» No fundo não é mais do que um acto de compaixão. A Mulher Portuguesa tem um bocado de pena dos Homens. E nisto, convenhamos, tem um bocado de razão.

O que safa o Homem, para além da pena, é a Mulher achar-lhe uma certa graça. A Mulher não pensa que este achar-graça é uma expressão superior da sua sensibilidade – pelo contrário, diverte-se com a ideia de ser oriundo de uma baixeza instintiva e pré-civilizacional, mas engraçada. Considera que aquilo que a leva a gostar de um Homem é uma fraqueza, um fenómeno puramente neuro-vegetativo ou para-simpático – enfim, pulsões alegres ou tristemente irresistíveis, sem qualquer valor.

E chegamos a outra característica importante. É que a Mulher Portuguesa, se pudesse cingir-se ao domínio da sua inteligência e mais pura vontade, nunca se meteria com Homem nenhum. Para quê? Se já sabe o que o Homem é? Aliás, não fossem certas questões desprezíveis da Natureza, passa muito bem sem os homens. No fundo encara-os como um fumador inveterado encara os cigarros: «Eu não devia, mas.. » E, como assim é, e não há nada a fazer, fuma-os alegremente com a atitude sã e filosófica do «Que se lixe».

Homens, em contrapartida, não podiam ser mais dependentes. Esta dependência, este ar desastrado e carente que nos está na cara, também vai fomentando alguma compaixão da parte das mulheres. A Mulher Portuguesa também atura o Homem porque acha que «ele sozinho, coitado; não se governava». O ditado «Quem manda na casa é ela, quem manda nela sou eu» é uma expressão da vacuidade do machismo português. A Mulher governa realmente o que é preciso governar, enquanto o homem, por abstracção ou inutilidade, se contenta com a aparência idiota de «mandar» nela. Mas ninguém manda nela. Quando muito, ela deixa que ele retenha a impressão de mandar. Porque ele, coitado, liga muito a essas coisas. Porque ele vive atormentado pelo terror que seria os amigos verificarem que ele, na realidade, não só na rua como em casa não «manda» absolutamente nada. «Mandar» é como «enviar» – é preciso ter algo para mandar e algo ao qual mandar. Esses algos são as mulheres que fazem.

O Homem é apenas alguém armado em carteiro. É o carteiro que está convencido que escreveu as cartas todas que diariamente entrega. A Mulher é a remetente e a destinatária que lhe alimenta essa ilusão, porque também não lhe faz diferença absolutamente nenhuma. Abre a porta de casa e diz «Muito obrigada». É quase uma questão de educação.

A imagem da «Mulher Portuguesa» que os homens portugueses fabricaram é apenas uma imagem da mulher com a qual eles realmente seriam capazes de se sentirem superiores. Uma galinha. Que dizer de um homem que é domador de galinhas, porque os outros animais lhe metem medo?

Na realidade, A Mulher Portuguesa é uma leoa que, por força das circunstâncias, sabe imitar a voz das galinhas, porque o rugir dela mete medo ao parceiro. Quando perdem a paciência, ou se cansam, cuidado. A Mulher portuguesa zangada não é o «Agarrem-me senão eu mato-o» dos homens: agarra mesmo, e mata mesmo. Se a Padeira de Aljubarrota fosse padeiro, é provável que se pusesse antes a envenenar os pães e ir servi-los aos castelhanos, em vez de sair porta fora com a pá na mão.





Miguel Esteves Cardoso, in ' A Causa das Coisas

22 agosto 2015

Sabes que estás na Comporta quando o vidro mais sujo do jipe mais sujo não diz "lava-me porco" mas sim "Carminho".

19 agosto 2015

Pior

Pior do que fazer 30 anos daqui a um mês, é pensar daqui a dez anos e um mês entro nos 40!...

04 agosto 2015

02 agosto 2015

Oh Rosa arredonda a saia

É sabido que tudo o que cheire a tradição portuguesa me puxa um bocadinho ao sentimento e esta saia da Baínha de Copas cabe perfeitamente nessa premissa. É um estilo que cai bem a miúdas magricelas como eu e aquele padrão dos azulejos fica a matar.
Sai um bocadão bocadinho do orçamento mas, vá, se é para sonhar que seja alto!






29 julho 2015

Viemos

Fomos para o Douro, aquele paraíso na terra e se as obrigações não tivessem falado mais alto, tinha ficado mesmo por lá.

Um hotel novinho em folha, simpáticos, tudo impecável, vistas de cortar a respiração, almoços e jantares de comer e chorar por mais... E horas e horas de puro dolce far niente.

Gastei os últimos cartuchos a engendrar maneiras e formas de não ter que voltar, planos perfeitos para nos deixarmos ficar por ali. Vai que me dava uma doença súbita e não podia deslocar-me. Ou que ganhávamos uma estadia por tempo indeterminado e ninguém dava por nada cá em baixo. Ou que a chave do hotel se perdia e nunca mais podíamos sair de lá. Ou que caía um pedregulho na estrada e não se podia passar mais. Tudo possibilidades!

Mas não aconteceu... E viemos. Mas estou desolada porque aquilo é que era vida...



21 julho 2015

Parabéns

Fazem hoje 31 anos de casamento. Nesta geração de pais, é coisa que não se usa, estar muito tempo casado. Mas os meus Pais são assim, muito fora de moda, muito aquém das tendências actuais. Escolheram-se e escolheram esforçar-se por criar a nossa família. Decidiram que os dias bons haviam de ser mais e melhores que os dias maus e que estes - que os há sempre - seriam para aprender e passar adiante. Tiveram filhos, uma e outra e outro e, modéstia à parte, não se saíram nada mal. São assim, Pais com letra maiúscula, e são a nossa casa, a nossa bússola, o nosso passado e o nosso futuro. Hoje estão de parabéns pelo seu casamento e pela sua família. Por isso, parabéns a nós.



20 julho 2015

Pior

Pior do que estar no trânsito a uma segunda-feira de manhã, só estar no trânsito a uma segunda-feira de manhã entre um carro amarelo com orelhas, outro a anunciar cursos de estética canina e tudo isto ao som de house music de um descapotável de gosto duvidoso.
Bom dia e boa semana.

14 julho 2015

Envelhecer

“Minha querida menina, no dia que você perceber que estou envelhecendo, eu peço a você para ser paciente, mas acima de tudo, tentar entender pelo o que estarei passando.
Se quando conversarmos, eu repetir a mesma coisa dezenas de vezes, não me interrompa dizendo: “Você disse a mesma coisa um minuto atrás”. Apenas ouça, por favor. Tente se lembrar das vezes quando... você era uma criança e eu li a mesma história noite após noite até você dormir.
Quando eu não quiser tomar banho, não se zangue e não me encabule. Lembra de quando você era criança eu tinha que correr atrás de você dando desculpas e tentando colocar você no banho?
Quando você perceber que tenho dificuldades com novas tecnologias, me dê tempo para aprender e não me olhe daquele jeito...lembre-se, querida, de como eu pacientemente ensinei a você muitas coisas, como comer direito, vestir-se, arrumar seu cabelo e lhe dar com os problemas da vida todos os dias...o dia que você ver que estou envelhecendo, eu lhe peço para ser paciente, mas acima de tudo, tentar entender pelo o que estarei passando.
Se eu ocasionalmente me perder em uma conversa, dê-me tempo para lembrar e se eu não conseguir, não fique nervosa, impaciente ou arrogante. Apenas lembre-se, em seu coração, que a coisa mais importante para mim é estar com você.
E quando eu envelhecer e minhas pernas não me permitirem andar tão rápido quanto antes, me dê sua mão da mesma maneira que eu lhe ofereci a minha em seus primeiros passos.
Quando este dia chegar, não se sinta triste. Apenas fique comigo e me entenda, enquanto termino minha vida com amor. Eu vou adorar e agradecer pelo tempo e alegria que compartilhamos. Com um sorriso e o imenso amor que sempre tive por você, eu apenas quero dizer, eu te amo minha querida filha.”

12 julho 2015

Resumo dos últimos dias

Casillas, filho, não chores mais. O Pintinho só te queria cá para vender mais umas camisetas. Tu se não queres, não venhas. Para a Carbonara, Carbonero, essa grande querida, vir para Portugal era coisa para lhe dar uma coisinha má, e a gente também não quer isso. E os teus paizinhos (consta que não se falam... Ainda os conheces?) que nem deviam saber da existência de um país aí ao lado, acham que isto é tudo uma grande possidonice e que depois de velho não havias de vir para um pequeno "clube de segunda B" que nem o FCP, que é coisa que lá no bairro não dá prestígio nenhum. Pelo menos uma estátua e um lugarzinho no Panteão, pois concerteza.

Agora num registo totalmente diferente.
Malta, já percebemos que são todos bué alternativos e que o Alive está a ser a melhor coisa da vida, me'mo brutal, tipo, altamente, assim quase como... Nem sei explicar. Sim, é difícil juntar palavras mas já percebi tudo: são todos montes de fans das bandas, há montes de anos, aliás, ainda eles não eram uma banda, já vocês andavam atrás deles a tirar selfies de costas para o palco. Não precisam de dizer mais nada.

A propósito de um qualquer tema polémico de hoje no facebook,

diz um senhor letrado, numa explicação demorada: "repúdio viamente"! E logo cento e tal aplaudem e gostam das suas palavras, mas nem um comenta o espalho.
Eu, que por estes mesmos motivos não me gasto por essas paragens e até as repudio - nada se aprende em caixas de comentários de redes sociais -, sinto logo um veemente asco e mudo de página.

02 julho 2015

Preciso!, já.

Ponto de exclamírgula?
Virgulão?

Quantas vezes tenho espetado coisas destas no meio dos meus textos, na ignorância de tal invenção?

Preciso que alguém me instale um destes o meu teclado!, já.



01 julho 2015

Epá, gente...!

Tenho a janela entreaberta e ouço clac-clac-clac. Depois pára. Depois volta o clac-clac-clac. Levanto-me e vou espreitar, apenas para assistir a mais um episódio da série "Unhas". Um vizinho, de corta-unhas em punho, fazia alegremente a sua manicure à varanda, clac-clac-clac a ecoar nas paredes dos prédios vizinhos.
Folgo em saber que corta as unhas. Folgaria mais se não o fizesse à minha frente...

30 junho 2015

Mensagem divina

Saí de casa para ir para a urgência à mesma hora a que um vizinho saiu para ir para o surf. Sinto que foi o universo a dizer-me que acabou o fim-de-semana e que cada um tem o que merece.

29 junho 2015

Soube-me pela vida

Assentei arraiais a sul, neste fim-de-semana abrasador. Fui trabalhar sexta e um bom bocado de sábado (ali no belo do ar condicionado), mas tudo o resto foi folga. Há um ano que não ficava na praia até às nove da noite... Tão bom!


Estava mesmo a precisar!

22 junho 2015

Surpresa!

Como já disse aí atrás algures, o meu Pai fez este ano 60 primaveras. Ora, como 60 é um número redondinho e a puxar à comemoração, toda a gente se esmerou nos presentes, particularmente a minha Mãe. Agora que as surpresas já cá estão fora, vou contar.
Desde há uns meses que a Mãe e eu andamos a puxar pela cabeça. A ideia que acabou por vencer foi a de oferecer uma viagem algures pela Europa, a acontecer na altura do aniversário de casamento. Pimbas, seriam dois coelhos com uma cajadada, infalível. Até aqui tudo muito bonito, fui ajudando, dando umas ideias, fazendo umas pesquisas e tal... O que é que acontece? Há coisa de um mês o meu Pai veio falar comigo porque gostava de marcar um fim-de-semana prolongado de surpresa para a Mãe, ali para a altura do aniversário de casamento. Say what??
Resultado, andei em modo espião secreto, undercover, a fazer jogo duplo sem ninguém saber. "Mas vê lá, sonda isso mas sem ninguém dar conta!". Um tinha uma ideia dum lado e eu ia atirar o barro à parede do outro. Foi um equilíbrio instavel, mas mesmo giro!
E no fim, o mais giro foi a incredulidade do Pai ao receber os bilhetes de avião... para a viagem que andava a preparar em segredo!

20 junho 2015

Pum!

Não cheguei a conhecer o meu Avô materno. Não que tivesse partido muito cedo, mas a minha Mãe é a mais nova da catrefada de filhos que ele teve e um coração não aguenta tanta emoção por muito tempo. Por isso, antes de eu nascer já tinha ido pregar para outra freguesia. 1-0.
Como a originalidade não era coisa que abundasse naquela altura, tive direito a duas avós com o mesmo nome. Maria Augusta, Avó de Coimbra; Maria Augusta, Avó de Lisboa. Curiosamente ambas professoras primárias (ui!).
A Avó de Coimbra viveu para lá dos 90 anos, sempre calma e serena, sempre a Mãe da Mãe, com todo o respeito que o posto merece, ainda que tivesse sofrido com as tropelias dos netos (às quais não escapava, mas também não fugia). Mas aos meus 17 anos percebi que isto da vida também nunca é uma partida para ganhar, apenas "to enjoy the ride", e ela lá foi. 2-0.
Agora vem a parte boa (e a provar que a genética cá de casa é qualquer coisa de impressionante). Hoje, precisamente uma semana depois de a Avó de Lisboa fazer 94 anos (a bater recordes desde 1921), é a vez do meu terceiro Avô bater a barreira dos 90, que nada fica a dever à espectacularidade de bater a barreira do som. Pum!
Parabéns Avô!

18 junho 2015

A vida inteira na ponta dos dedos

As histórias clínicas que escrevo, são com a ponta dos dedos. As receitas de passo, são com as pontas dos dedos.
Os sms e e-mails que envio, são com as pontas dos dedos.
Nos jornais electrónicos, nas redes sociais, tudo me chega na ponta dos dedos.
Os pratos que cozinho, a comida que aqueço, faço tudo com a ponta dos dedos.

Ao fim do dia dou por mim a estudar um molho de folhas de papel e a tentar insistentemente passar para baixo ou para cima com a ponta dos dedos. Claro que não funciona e eu sinto-me mais irritada do que estúpida. Não por perceber imediatamente o erro, mas porque o raio da folha bloqueou outra vez, "que chatice, é sempre a mesma coisa"...

16 junho 2015

"Sábado não posso"

Meus amigos, eu sei que as nossas vidas são muito preenchidas e que as nossas agendas são assim do mais ocupado que pode haver: uns com jantaradas e saídas (grandes vidas), outros com o raio da vida social das criancinhas a lixar minar tudo (coisinhas mai' lindas da tia!), e outros com os anos da avó, da tia, da prima, do cão e do periquito. E mais os que têm cursos e formações a toda a hora - esta sou eu... enfim, cada um faz o que pode. Portanto, quem nunca viveu (ou causou) este drama, ponha o dedo no ar! [a ver se cai um donut, lembram-se?].
Solução? Não há. A minha teoria é que se queremos ir jantar juntos, temos que marcar muitas vezes, porque entre os que vão duma vez e os que vão doutra, a gente vai-se vendo e até pode ser que um dia (quando chegarmos à reforma, se houver) nos encontremos todos ao mesmo tempo. Não acredito, mas vale a pena sonhar.

14 junho 2015

Ouvi falar naquela ideia de os miúdos deixarem de ter três meses de férias

E acho muito bem! Quem é que gostava de ter três meses de férias?? Alguém andava um ano inteiro a sonhar com as férias grandes?? Por favor!... A seca que era poder dormir até tarde, ir para a praia, ou passear, ou simplesmente giboiar a tarde toda... A chatice de não ter nada para fazer, poder ler um livro, olhar para o mar, caminhar na serra. E o desagradável que era ter tempo para conversar, para brincar, para namorar. Para quê?
Mas querem acabar com aqueles três meses, pois muito bem, deixem-lhes umas semanas no verão e troquem o resto por tempo durante o ano lectivo. Troquem por horas para ir aprender uma língua, um instrumento, praticar um desporto, para fazerem voluntariado. Acabem com a carga horária pesada e dêem-lhes tempo para escolher! Deixem-nos ter tempo para sonhar com o futuro, ter planos e projectos; tirem-lhes o stress de pensar nos exames todas as horas de todos os dias. Permitam-lhes tempo de qualidade com as famílias (essa coisa estranha e totalmente desvalorizada nos dias que correm...). Deixem-nos ser crianças e jovens! Se não o forem agora, quando poderão sê-lo?

12 junho 2015

O Santo António

Ao longo dos anos, o nosso Santo Antoninho tem abençoado Lisboa e quem é devoto tem-lhe um especial carinho. Refiro-me ao do altar, bem entendido... E, por isso, estes dias são de festa por toda a cidade.

São os arraiais, é meia Lisboa a sair à rua e a comer sardinhas com a mão (e com a cara, e com a roupa, porque é tudo uma grande chafurdice). São elas a dançar com elas e as outras a dançar com bêbados e depois tudo ao mesmo tempo, num comboio interminável ao som da maior pimbalhada possível. Por cá não há martelinhos nem alhos porros, mas há muita festa e alegria e toda a gente se diverte!

São as noivas de Santo António, que têm muito que se lhe diga. É verdade que os vestidos das modas passadas, as garras de gel e todo o ambiente foleirote que se tem montado à sua volta acaba por estragar um bocadinho a beleza da coisa, mas basta ver os casais do antigamente e o orgulho que têm em dizer que foram noivos de Santo António. Porque não há coisa mais lisboeta que casar a 13 de Junho e descer a Avenida de braço dado com o novo marido!

São as marchas populares, que há décadas fazem jus ao nome e que nunca verdadeiramente quiseram ser um pseudo-carnaval brasileiro (graçazadeuz!). São as varinas de socas e saias rodadas e os moços que as acompanham a abanar a anca ao som da banda do município. Podia dizer que ter um dente a menos é condição sine qua non para se entrar na marcha; podia dizer que a verruga e a unha comprida do mindinho são sempre prós, mas não digo. Digo só que na noite de Santo António "a avenida é liiiindaaaa!".

São as grinaldas coloridas e os manjericos penteados em altas permanentes, com as frases nas bandeirinhas (agora até traduzidas, para inglês ver) e quem não tem um manjerico em casa não é "filho de boa gente"!

E são os aniversários do Pai e da Avó, lisboetas de gema, alfacinhas há 60 e 94 anos, respectivamente. Por isso hoje vai haver sardinhas e sangria e bolo de anos e presentes! Tudo coisas de que eu não gosto nada...! Como está bom de ver, qualquer tradição me puxa um bocadinho ao sentimento é esta não é excepção. E por tudo isto, para mim hoje a festa é a triplicar! Hip, hip, urra!

10 junho 2015

Dormi 12 horas seguidas. 1/2 em modo pré-sono, no sofá, a outra metade na cama, quando o J. chegou dum jantar que teve ontem. Estes feriados a meio da semana sabem que nem ginjas!

08 junho 2015

Lembrem-se desta fotografia sempre que pensarem em deitar lixo para o chão.



Photo credit: Rescued in 1993, Peanut the red-eared slider had a plastic six-pack holder embedded in her shell. / Missouri Department of Conservation