29 julho 2015

Viemos

Fomos para o Douro, aquele paraíso na terra e se as obrigações não tivessem falado mais alto, tinha ficado mesmo por lá.

Um hotel novinho em folha, simpáticos, tudo impecável, vistas de cortar a respiração, almoços e jantares de comer e chorar por mais... E horas e horas de puro dolce far niente.

Gastei os últimos cartuchos a engendrar maneiras e formas de não ter que voltar, planos perfeitos para nos deixarmos ficar por ali. Vai que me dava uma doença súbita e não podia deslocar-me. Ou que ganhávamos uma estadia por tempo indeterminado e ninguém dava por nada cá em baixo. Ou que a chave do hotel se perdia e nunca mais podíamos sair de lá. Ou que caía um pedregulho na estrada e não se podia passar mais. Tudo possibilidades!

Mas não aconteceu... E viemos. Mas estou desolada porque aquilo é que era vida...



21 julho 2015

Parabéns

Fazem hoje 31 anos de casamento. Nesta geração de pais, é coisa que não se usa, estar muito tempo casado. Mas os meus Pais são assim, muito fora de moda, muito aquém das tendências actuais. Escolheram-se e escolheram esforçar-se por criar a nossa família. Decidiram que os dias bons haviam de ser mais e melhores que os dias maus e que estes - que os há sempre - seriam para aprender e passar adiante. Tiveram filhos, uma e outra e outro e, modéstia à parte, não se saíram nada mal. São assim, Pais com letra maiúscula, e são a nossa casa, a nossa bússola, o nosso passado e o nosso futuro. Hoje estão de parabéns pelo seu casamento e pela sua família. Por isso, parabéns a nós.



20 julho 2015

Pior

Pior do que estar no trânsito a uma segunda-feira de manhã, só estar no trânsito a uma segunda-feira de manhã entre um carro amarelo com orelhas, outro a anunciar cursos de estética canina e tudo isto ao som de house music de um descapotável de gosto duvidoso.
Bom dia e boa semana.

14 julho 2015

Envelhecer

“Minha querida menina, no dia que você perceber que estou envelhecendo, eu peço a você para ser paciente, mas acima de tudo, tentar entender pelo o que estarei passando.
Se quando conversarmos, eu repetir a mesma coisa dezenas de vezes, não me interrompa dizendo: “Você disse a mesma coisa um minuto atrás”. Apenas ouça, por favor. Tente se lembrar das vezes quando... você era uma criança e eu li a mesma história noite após noite até você dormir.
Quando eu não quiser tomar banho, não se zangue e não me encabule. Lembra de quando você era criança eu tinha que correr atrás de você dando desculpas e tentando colocar você no banho?
Quando você perceber que tenho dificuldades com novas tecnologias, me dê tempo para aprender e não me olhe daquele jeito...lembre-se, querida, de como eu pacientemente ensinei a você muitas coisas, como comer direito, vestir-se, arrumar seu cabelo e lhe dar com os problemas da vida todos os dias...o dia que você ver que estou envelhecendo, eu lhe peço para ser paciente, mas acima de tudo, tentar entender pelo o que estarei passando.
Se eu ocasionalmente me perder em uma conversa, dê-me tempo para lembrar e se eu não conseguir, não fique nervosa, impaciente ou arrogante. Apenas lembre-se, em seu coração, que a coisa mais importante para mim é estar com você.
E quando eu envelhecer e minhas pernas não me permitirem andar tão rápido quanto antes, me dê sua mão da mesma maneira que eu lhe ofereci a minha em seus primeiros passos.
Quando este dia chegar, não se sinta triste. Apenas fique comigo e me entenda, enquanto termino minha vida com amor. Eu vou adorar e agradecer pelo tempo e alegria que compartilhamos. Com um sorriso e o imenso amor que sempre tive por você, eu apenas quero dizer, eu te amo minha querida filha.”

12 julho 2015

Resumo dos últimos dias

Casillas, filho, não chores mais. O Pintinho só te queria cá para vender mais umas camisetas. Tu se não queres, não venhas. Para a Carbonara, Carbonero, essa grande querida, vir para Portugal era coisa para lhe dar uma coisinha má, e a gente também não quer isso. E os teus paizinhos (consta que não se falam... Ainda os conheces?) que nem deviam saber da existência de um país aí ao lado, acham que isto é tudo uma grande possidonice e que depois de velho não havias de vir para um pequeno "clube de segunda B" que nem o FCP, que é coisa que lá no bairro não dá prestígio nenhum. Pelo menos uma estátua e um lugarzinho no Panteão, pois concerteza.

Agora num registo totalmente diferente.
Malta, já percebemos que são todos bué alternativos e que o Alive está a ser a melhor coisa da vida, me'mo brutal, tipo, altamente, assim quase como... Nem sei explicar. Sim, é difícil juntar palavras mas já percebi tudo: são todos montes de fans das bandas, há montes de anos, aliás, ainda eles não eram uma banda, já vocês andavam atrás deles a tirar selfies de costas para o palco. Não precisam de dizer mais nada.

A propósito de um qualquer tema polémico de hoje no facebook,

diz um senhor letrado, numa explicação demorada: "repúdio viamente"! E logo cento e tal aplaudem e gostam das suas palavras, mas nem um comenta o espalho.
Eu, que por estes mesmos motivos não me gasto por essas paragens e até as repudio - nada se aprende em caixas de comentários de redes sociais -, sinto logo um veemente asco e mudo de página.

02 julho 2015

Preciso!, já.

Ponto de exclamírgula?
Virgulão?

Quantas vezes tenho espetado coisas destas no meio dos meus textos, na ignorância de tal invenção?

Preciso que alguém me instale um destes o meu teclado!, já.



01 julho 2015

Epá, gente...!

Tenho a janela entreaberta e ouço clac-clac-clac. Depois pára. Depois volta o clac-clac-clac. Levanto-me e vou espreitar, apenas para assistir a mais um episódio da série "Unhas". Um vizinho, de corta-unhas em punho, fazia alegremente a sua manicure à varanda, clac-clac-clac a ecoar nas paredes dos prédios vizinhos.
Folgo em saber que corta as unhas. Folgaria mais se não o fizesse à minha frente...

30 junho 2015

Mensagem divina

Saí de casa para ir para a urgência à mesma hora a que um vizinho saiu para ir para o surf. Sinto que foi o universo a dizer-me que acabou o fim-de-semana e que cada um tem o que merece.

29 junho 2015

Soube-me pela vida

Assentei arraiais a sul, neste fim-de-semana abrasador. Fui trabalhar sexta e um bom bocado de sábado (ali no belo do ar condicionado), mas tudo o resto foi folga. Há um ano que não ficava na praia até às nove da noite... Tão bom!


Estava mesmo a precisar!

22 junho 2015

Surpresa!

Como já disse aí atrás algures, o meu Pai fez este ano 60 primaveras. Ora, como 60 é um número redondinho e a puxar à comemoração, toda a gente se esmerou nos presentes, particularmente a minha Mãe. Agora que as surpresas já cá estão fora, vou contar.
Desde há uns meses que a Mãe e eu andamos a puxar pela cabeça. A ideia que acabou por vencer foi a de oferecer uma viagem algures pela Europa, a acontecer na altura do aniversário de casamento. Pimbas, seriam dois coelhos com uma cajadada, infalível. Até aqui tudo muito bonito, fui ajudando, dando umas ideias, fazendo umas pesquisas e tal... O que é que acontece? Há coisa de um mês o meu Pai veio falar comigo porque gostava de marcar um fim-de-semana prolongado de surpresa para a Mãe, ali para a altura do aniversário de casamento. Say what??
Resultado, andei em modo espião secreto, undercover, a fazer jogo duplo sem ninguém saber. "Mas vê lá, sonda isso mas sem ninguém dar conta!". Um tinha uma ideia dum lado e eu ia atirar o barro à parede do outro. Foi um equilíbrio instavel, mas mesmo giro!
E no fim, o mais giro foi a incredulidade do Pai ao receber os bilhetes de avião... para a viagem que andava a preparar em segredo!

20 junho 2015

Pum!

Não cheguei a conhecer o meu Avô materno. Não que tivesse partido muito cedo, mas a minha Mãe é a mais nova da catrefada de filhos que ele teve e um coração não aguenta tanta emoção por muito tempo. Por isso, antes de eu nascer já tinha ido pregar para outra freguesia. 1-0.
Como a originalidade não era coisa que abundasse naquela altura, tive direito a duas avós com o mesmo nome. Maria Augusta, Avó de Coimbra; Maria Augusta, Avó de Lisboa. Curiosamente ambas professoras primárias (ui!).
A Avó de Coimbra viveu para lá dos 90 anos, sempre calma e serena, sempre a Mãe da Mãe, com todo o respeito que o posto merece, ainda que tivesse sofrido com as tropelias dos netos (às quais não escapava, mas também não fugia). Mas aos meus 17 anos percebi que isto da vida também nunca é uma partida para ganhar, apenas "to enjoy the ride", e ela lá foi. 2-0.
Agora vem a parte boa (e a provar que a genética cá de casa é qualquer coisa de impressionante). Hoje, precisamente uma semana depois de a Avó de Lisboa fazer 94 anos (a bater recordes desde 1921), é a vez do meu terceiro Avô bater a barreira dos 90, que nada fica a dever à espectacularidade de bater a barreira do som. Pum!
Parabéns Avô!