19 março 2015

Dia do Pai

Se eu ainda andasse no Jardim-Escola, hoje haveria festa do Dia do Pai, faríamos uma moldura com massinhas, um desenho com aguarelas ou um copinho para o Pai pôr as canetas.
Se eu ainda andasse no Colégio, hoje seria a Festa de São José, haveria missa, jogos de futebol e sairíamos todos mais cedo para passar a tarde com o Pai.
Se eu ainda andasse na Faculdade, baldar-me-ia à última aula da tarde, pegaria no carro e iríamos todos jantar com o Pai.
Mas já estou a trabalhar e tenho menos tempo livre do que gostaria. Eu trabalho cá e o meu Pai trabalha lá longe.
Amanhã é sexta-feira e felizmente vamos jantar todos juntos, quando eu conseguir sair e quando ele conseguir chegar.
Mas o dia do Pai é hoje e é o primeiro em que eu não o vou ver.

17 março 2015

Dar o corpo às balas

Ontem vim à guerra. A apresentação que fiz tinha tudo para correr malzinho. Era uma sala cheia de opiniões contrárias à que ia expor, na casa do "inimigo", na boca do lobo. Era a contraposição da exposição do Director do Serviço. E foi a última apresentação da manhã, à hora do almoço, cheia de estômagos a desesperar. Mas safei-me. Apesar de tudo, safei-me.

Mas espalhei-me toda cá por dentro no momento em que me saiu um "neste ponto, agradecer à organização", ai! Bolas, comecei uma frase com uma forma verbal do demo! Ainda fiz marcha atrás, reformulei para "devo agradecer", mas a bala tinha sido disparada e atingiu-me mesmo no meu coração gramatical. Pum.

15 março 2015

Linguagem universal

Fui pela primeira vez a um casamento bilíngue, com tradução simultânea da cerimónia. Mas o noivo emocionou-se logo que a noiva entrou e para isso ninguém precisou de explicação.

14 março 2015

Está oficialmente aberta a season de casamentos 2015

Todas nós temos na vida uma ilusão mais querida, ilusão de amor.
Uma esperança mais extremosa, um sonho cor-de-rosa, perturbador.
Também eu vivo a sonhar e vejo-me a passar entre a multidão,
quando um dia eu me casar, saindo com o meu par, cheia de emoção.
Pombas lindas às centenas, vejo-as esvoaçar pelo azul do céu, da cor das açucenas e do meu véu.

Julgo às vezes que é verdade e chego a acreditar que o bom Deus o quis,
que o meu sonho é realidade e que eu vou ser feliz.

Tem tantos encantos, sonhar castelos no ar.
Dormir e não despertar, quem dera!
Viver no falso ideal de uma quimera.
Passar a vida, a sonhar!

Logo após o casamento, eu sonho aquele momento ideal p'ra nós.
Em que iremos enlaçados, meigos namorados, p'ra longe a sós.
Num ambiente de ventura, de paz, de frescura e de solidão,
entre sombras de arvoredo, um beijo dado a medo, imagino então.

O aroma embriagador da primavera em flor, embalsama o ar,
nesse jardim de amor que vejo a sonhar.
E ele, o meu apaixonado, eu vejo-o ajoelhado bem junto a mim,
confessando-me enlevado, uma paixão sem fim.

Tem tantos encantos, sonhar castelos no ar.
Dormir e não despertar, quem dera!
Viver no falso ideal de uma quimera.
Passar a vida, a sonhar!

José Galhardo
A Canção de Lisboa

13 março 2015

'Tou com uma bava!


No próximo exame que tiver já hei-de ir mais descansada. Se não me ocorrer alguma resposta, lanço esta cartada. É limpinho!

12 março 2015

Pessoas que frequentam salas de espera de consultórios,

o facto de dizerem palavras caras e termos médicos que ninguém entende dá-vos imensa credibilidade, que dá, mas só quando não há um profissional de saúde à paisana na sala.
(Doí-me a barriga de conter o riso)

All. The. Time.


11 março 2015

Por terras de sua majestade

Os ministros andam de metro. Por cá... é tal e qual a mesma coisa!

9

Daqui a um mês vamos fazer 9 anos de namoro e estou com uma enorme dificuldade em descobrir um presente que diga "you are the one".

10 março 2015

Coisas que se vêem no trânsito

Uma senhora (poupem-me o "tinha que ser") circula numa rotunda, engana-se na sua saída e faz o quê? Inversão de marcha no meio da rotunda. Nem lhe passa pela cabeça dar mais uma voltinha, não senhora, que estupidez! Porquê?, quando pode muito bem encanzinar todo o trânsito e simplesmente fazer marcha à ré e lá vai disto.
Épico, épico, foi o festival de buzinadelas que lhe choveu em cima. E mesmo assim foram poucas.

Uma coisa antiga (mas provavelmente actual) de que me lembrei


in Público

09 março 2015

Nem vê-los

Desde que a mononucleose atacou cá em casa que estamos em greve de beijos.
Nao me apetece falar muito nisso, não me apetece pensar muito nisso.
Porque queria só um. Porque tenho saudades.




O sorrisinho do dia #11


08 março 2015

Queria começar a pensar no verão, mas não posso

O Dia da Mulher não é receber uma flor cor-de-rosa à saída do restaurante. Não é ter 30% de desconto em cuecas e soutiens, nem a oferta dum pacote de cremes. O Dia da Mulher é aquele em que nos lembramos que somos privilegiadas por ter uma família que nos apoia, um homem que nos respeita, amigos e colegas que nos acompanham e defendem.
Não é assim para todas. E entre as que se escondem por não poder lutar mais e as que lutam e sofrem todos os dias das suas vidas, está a razão para ainda ser (tão) preciso haver um dia para pensar.

E para o mulherio não vai nada, nada, nada

Enquanto elas não puderem escolher ficar em casa a educar as crianças.
Enquanto elas não forem reconhecidas pelo seu trabalho.
Enquanto elas forem apontadas por sair e ser o sustento da casa.
Enquanto elas tiverem que escolher entre ter filhos e ter uma carreira.
Enquanto em algum sítio elas não puderem escolher, não puderem votá-lo não puderem ser escolhidas pelo seu valor.
Enquanto elas forem vítimas de algum deles é sofrerem (e morrerem) à pancada.
Enquanto alguma delas for violada, mutilada, vendida, descriminada, rebaixada.

Enquanto elas não puderem ser tanto ou tão pouco como eles, faz todo o sentido haver um Dia da Mulher.

07 março 2015

Fosse isto futebol

e não se falava noutra coisa. Haveria entrevistas a todos os jogadores, mais o treinador, a cozinheira e o roupeiro. Durante 3 dias andava tudo inchado, toda a malta comentava e estava-se feliz.

Mas como é só um português a tornar-se campeão europeu no triplo salto, ninguém liga. Afinal aquilo nem bola tem!


Parabéns grande Nelson Évora!

A única coisa pior do que os pinheiros pendurados no retrovisor...

são os pinheiros pendurados no retrovisor, semi enfiados no plástico. Para não se gastarem.

05 março 2015

A culpa das otites

Num serviço de urgência pediátrica aprende-se sempre qualquer coisa.
Há dias recebi um menino com uma dor no ouvido, que não o deixava dormir. O rapaz já não era novo nestas andanças e esperava calmamente a observação. A prima que o acompanhava, por seu lado, andava de um lado para o outro e reclamava com tudo.
- Anda sempre nisto, estou farta de lhe dizer, sempre com esta porcaria!
O rapaz, como que envergonhado, enfia-se debaixo do capuz da camisola. Mas leva imediatamente uma palmada!
- Tira isso! Estou farta de te dizer que o capuz faz otites!

I'll be there for you

So no one told you life was gonna be this way
Your job's a joke, you're broke, your love life's D O A
It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week
Your month or even your year but

I'll be there for you
(When the rain starts to pour)
I'll be there for you
(Like I've been there before)
I'll be there for you
('Cause you're there for me too)

You're still in bed at ten and work began at eight
You've burned your breakfast so far things are going great
Your mother warned you there'd be days like these
But she didn't tell you when the world
Has brought you down to your knees that

I'll be there for you
(When the rain starts to pour)
I'll be there for you
(Like I've been there before)
I'll be there for you
('Cause you're there for me too)

No one could ever know me, no one could ever see me
Since you're the only one who knows what it's like to be me
Someone to face the day with, make it through all the rest with
Someone I'll always laugh with
Even at my worst, I'm best with you, yeah

It's like you're always stuck in second gear
When it hasn't been your day, your week
Your month, or even your year

I'll be there for you
(When the rain starts to pour)
I'll be there for you
(Like I've been there before)
I'll be there for you
('Cause you're there for me too)

01 março 2015

Eterna desilusão

Por mais 'mesas redondas' a que vá assistir, ficarei sempre na expectativa de ver se a mesa é mesmo redonda.
Obrigada, Senhor, por me teres enviado no último dia de congresso um prelector que conhece a diferença entre "aderência" e "adesão" à terapêutica.

27 fevereiro 2015

Preto e azul ou branco e dourado?

Tanta conversa sobre a cor do vestido e ninguém é capaz de dizer como ele é feio!

Trrrimmmm

Mea culpa, porque sou intolerante com os pontapés que ferem a minha língua. Mas é feio, senhores! Podem até estar a dizer maravilhas dignas de Nobel, que na minha cabeça soa logo uma sirene mal me apercebo de uma dessas pérolas.

Pois que hoje estou numa conferência científica com centenas de participantes e há uma hora que só ouço campainhas...

01 fevereiro 2015

Wink

A quantidade astronómica de blogs que pululam por aí, leva-me a concluir que a indústria dos diários fechados a cadeado só pode estar pelas ruas da amargura. Quer seja por uma vontade enorme de fazer nascer uma Pipoca (ainda) mais doce, ou pelo simples gosto de encher de palavras uma folha em branco, o certo é que a maioria passam perfeitamente incógnitos. O que me faz pensar que virtualmente cada um de nós tem o seu blog, tipo nação de "população = 1", onde espraia a sua fértil imaginação, seja lá para onde ela for (sendo que as mais das vezes não vai a lado nenhum).
Por isso me ri desta ideia de t-shirt, que nem um "eu sei que tu sabes". Wink.


31 janeiro 2015

Oh sorte!

Nada se passou neste blog desde 2014, mas na vida real a música é outra.
2014 foi um ano mau. Doenças muitas, sustos grandes e angústias várias. Uma merda. Desculpem, não há outro nome.
2015 começou com a promessa de melhores dias, mas até agora não tem cumprido.

Tenho um verdadeiro medo de levantar a cabeça e olhar em diante. Sempre que respiramos fundo e pensamos no futuro... acontece mais alguma. O melhor será não ambicionar mais do que o que a sorte nos vá trazendo. Expectativas poucas, para a queda custar menos. A ver se o azar se esquece de nós.

15 dezembro 2014

E depois da crise de 1385, a dos 40

"Estou na mesma. Aquece-me aqui uma dor... começa-se-me na cabeça, é o braço que não alebanta, bai por aqui, fervilha aqui de lado e quando estala... bai lá bai! E depois o coração não responde as expectativas. É isto tudo! Sinto que é a crise dos 40."

02 dezembro 2014

Eu que não gosto nada da "Colecção Outono - Inverno" da vida,

até acho que hoje esté um dia como deve ser. Frio, mas não demasiado, vento - mas pouco - e Sol! (esse nunca seria demais...).
Se é para ser, que seja assim!

17 novembro 2014

É muito isto...

É triste assistir ao sofrimento duns pais que fizeram tudo o que estava ao seu alcance (e mais) e vêem a sua filha partir.
Já da chinfrineira que se criou em redor... no fundo o que penso é isto:


31 outubro 2014

Balada astral, Miguel Araújo

Quando Deus pôs o mundo
E o céu a girar
Bem lá no fundo
Sabia que por aquele andar
Eu te havia de encontrar

Minha mãe, no segundo
Em que aceitou dançar
Foi na cantiga
Dos astros a conspirar
Que do seu cósmico vagar

Mandaram o teu pai
Sorrir pra tua mãe
Para que tu
Existisses também

Era um dia bonito
E na altura, eu também
O infinito
Ainda se lembrava bem
Do seu cósmico refém

Eu que pensava
Que ia só comprar pão
Tu que pensavas
Que ias só passear o cão
A salvo da conspiração

Cruzámos caminhos,
Tropeçámos num olhar
E o pão nesse dia
Ficou por comprar

Ensarilharam-se
As trelas dos cães,
Os astros, os signos,
Os desígnios e as constelações
As estrelas, os trilhos
E as tralhas dos dois

30 outubro 2014

EMEL is in da house

Ontem, quando cheguei a casa, a minha rua estava feita numa festa. Tudo o que era carro em cima do passeio tinha um sapatinho amarelo e uma fitinha a condizer e os condutores em fúria ameaçavam que iam partir tudo, e eles que venham que eu faço e aconteço. E eram uns: "é bem feita"; e os outros: "que pouca vergonha". E uns: "não se armassem em espertos"; e os outros: "aqueles grandecíssimos"...
Razões e culpas à parte, vale o facto de sermos um povo de brandos costumes, daqueles que falam, falam, falam, falam - como dizia o outro - mas ninguém nos vê a fazer nada. Fosse isto um médio oriente e a coisa fiava mais fino. Mas antes assim!, oh, oh!

28 outubro 2014

Under pressure

'Cause love's such an old fashioned word
And love dares you to care for
The people on the edge of the night
And loves dares you to change our way of
Caring about ourselves
This is our last dance
This is our last dance
This is ourselves
Under pressure

26 outubro 2014

Hoje.

Se há alguma coisa que podemos aprender com os nossos Avós é a importância de viver o presente. A alegria com que recordam o passado faz-me sentir que o dia de hoje é o melhor que temos e que vivê-lo todo, cada instante, absorver tudo com a máxima intensidade, com todos os sentidos, é tudo o que podemos fazer para não o deixar fugir.
O meu hoje foi mais feliz porque pude sentir um bocadinho da felicidade de dois amigos que tiveram um dos momentos mais altos da sua existência. Hoje nasceu a Madalena e com ela um sentido novo para as suas vidas. O simples facto de poder testemunhar algo tão... arrebatador!, faz-me sentir as lágrimas nos olhos.
Como já lhes disse uma vez, desejo-lhes tudo o que desejo para mim. Ou não é isso que desejamos aos Amigos?



10 outubro 2014

Prolongue a vida da sua máquina

Familiar de doente cirrótico: Vês, homem, não podes beber mais!
Doente, encolhendo os ombros: ...hum...
Familiar: A partir de agora bebes sumos ou coca-cola.
Doente: Isso faz mal à saúde!
Familiar: Então bebes água!
Doente: A água tem muito calcário!
Familiar: Não faz mal, se for preciso chupas umas pastilhas de Calgon!

Incontinência

A incontinência fotográfica que habita a alma da generalidade dos
utilizadores das redes sociais e que os leva a publicar

o pequeno almoço, o almoço, o lanche e o jantar
mais os cafezinhos que bebem no intervalo das refeições
o chato que é terem que trabalhar no intervalo dos cafezinhos
o bom que e estar de férias no campo
ou na cidade
ou na praia
as cores das unhas das mãos
as cores das unhas dos pés
o conta-quilómetros em excesso de velocidade ("sou tão bom")
a fotografia ao espelho
a fotografia "ai, tão distraída que eu estava que nem reparei na máquina"

só me levam a perguntar... o que é que o mundo tem a ver com isso?

06 outubro 2014

Praxes

Às vezes não sei bem o que pensar das praxes. As minhas não fizeram mal a ninguém, não me traumatizaram nem um bocadinho porque fiz o que me divertiu e o que não me agradou (que houve) não fiz. Fui e gostei. 
O que é certo é que há gente reles em todo o lado (para não dizer um palavrão, vá...), e talvez as praxes sejam apenas uma pequena amostra do tipo de pessoas que vamos encontrar pela vida fora. Os simpáticos, os frustrados, os ignorantes, os arrogantes, os masoquistas, os narcisistas... No fundo, os que vêem aquele momento como uma recepção e os que aproveitam a pseudo-superioridade para revelar aquele seu lado que nunca deveria sequer ver a luz do dia. E essa escória que aí anda, com ares de quem é alguma coisa a mais que alguém, acaba por espezinhar tudo o que alguma vez a praxe pôde ter de positivo.
O que a palavra praxe significa hoje não tem nada a ver com o que significou para mim no dia em que entrei na faculdade. E muito menos quem hoje anda trajado representa a igualdade e o sentido de grupo que o traje académico representou inicialmente, há muitos, muitos anos atrás.
Por isso, chamem-lhe outra coisa qualquer. Chamem-lhe "recepção", chamem-lhe o que quiserem, mas que seja uma festa e que seja apenas mais um momento em que temos que pensar e agir 
como a nossa consciência nos manda. Mais nada.