30 outubro 2014

EMEL is in da house

Ontem, quando cheguei a casa, a minha rua estava feita numa festa. Tudo o que era carro em cima do passeio tinha um sapatinho amarelo e uma fitinha a condizer e os condutores em fúria ameaçavam que iam partir tudo, e eles que venham que eu faço e aconteço. E eram uns: "é bem feita"; e os outros: "que pouca vergonha". E uns: "não se armassem em espertos"; e os outros: "aqueles grandecíssimos"...
Razões e culpas à parte, vale o facto de sermos um povo de brandos costumes, daqueles que falam, falam, falam, falam - como dizia o outro - mas ninguém nos vê a fazer nada. Fosse isto um médio oriente e a coisa fiava mais fino. Mas antes assim!, oh, oh!

28 outubro 2014

Under pressure

'Cause love's such an old fashioned word
And love dares you to care for
The people on the edge of the night
And loves dares you to change our way of
Caring about ourselves
This is our last dance
This is our last dance
This is ourselves
Under pressure

26 outubro 2014

Hoje.

Se há alguma coisa que podemos aprender com os nossos Avós é a importância de viver o presente. A alegria com que recordam o passado faz-me sentir que o dia de hoje é o melhor que temos e que vivê-lo todo, cada instante, absorver tudo com a máxima intensidade, com todos os sentidos, é tudo o que podemos fazer para não o deixar fugir.
O meu hoje foi mais feliz porque pude sentir um bocadinho da felicidade de dois amigos que tiveram um dos momentos mais altos da sua existência. Hoje nasceu a Madalena e com ela um sentido novo para as suas vidas. O simples facto de poder testemunhar algo tão... arrebatador!, faz-me sentir as lágrimas nos olhos.
Como já lhes disse uma vez, desejo-lhes tudo o que desejo para mim. Ou não é isso que desejamos aos Amigos?



10 outubro 2014

Prolongue a vida da sua máquina

Familiar de doente cirrótico: Vês, homem, não podes beber mais!
Doente, encolhendo os ombros: ...hum...
Familiar: A partir de agora bebes sumos ou coca-cola.
Doente: Isso faz mal à saúde!
Familiar: Então bebes água!
Doente: A água tem muito calcário!
Familiar: Não faz mal, se for preciso chupas umas pastilhas de Calgon!

Incontinência

A incontinência fotográfica que habita a alma da generalidade dos
utilizadores das redes sociais e que os leva a publicar

o pequeno almoço, o almoço, o lanche e o jantar
mais os cafezinhos que bebem no intervalo das refeições
o chato que é terem que trabalhar no intervalo dos cafezinhos
o bom que e estar de férias no campo
ou na cidade
ou na praia
as cores das unhas das mãos
as cores das unhas dos pés
o conta-quilómetros em excesso de velocidade ("sou tão bom")
a fotografia ao espelho
a fotografia "ai, tão distraída que eu estava que nem reparei na máquina"

só me levam a perguntar... o que é que o mundo tem a ver com isso?

06 outubro 2014

Praxes

Às vezes não sei bem o que pensar das praxes. As minhas não fizeram mal a ninguém, não me traumatizaram nem um bocadinho porque fiz o que me divertiu e o que não me agradou (que houve) não fiz. Fui e gostei. 
O que é certo é que há gente reles em todo o lado (para não dizer um palavrão, vá...), e talvez as praxes sejam apenas uma pequena amostra do tipo de pessoas que vamos encontrar pela vida fora. Os simpáticos, os frustrados, os ignorantes, os arrogantes, os masoquistas, os narcisistas... No fundo, os que vêem aquele momento como uma recepção e os que aproveitam a pseudo-superioridade para revelar aquele seu lado que nunca deveria sequer ver a luz do dia. E essa escória que aí anda, com ares de quem é alguma coisa a mais que alguém, acaba por espezinhar tudo o que alguma vez a praxe pôde ter de positivo.
O que a palavra praxe significa hoje não tem nada a ver com o que significou para mim no dia em que entrei na faculdade. E muito menos quem hoje anda trajado representa a igualdade e o sentido de grupo que o traje académico representou inicialmente, há muitos, muitos anos atrás.
Por isso, chamem-lhe outra coisa qualquer. Chamem-lhe "recepção", chamem-lhe o que quiserem, mas que seja uma festa e que seja apenas mais um momento em que temos que pensar e agir 
como a nossa consciência nos manda. Mais nada.

23 setembro 2014

Verão

Sou da praia.
Sou do mar, sou da ondulação calma das ondas.
Sou da areia, sou das conchas.
Sou do nascer do sol no horizonte, sou do pôr do sol quente na Sra. da Rocha.
Sou dos passeios até ao rio, até à rocha do meio, até aos Salgados, até à Galé.
Sou dos dias longos de luz e das noites quentes de luar límpido.
Sou das tardes preguiçosas lendo um livro e dos fins de tarde à conversa.
Sou do Verão e tudo o que não o é me entristece.

21 setembro 2014

15 setembro 2014

Carta para o futuro, a poucos dias de fazer anos.

Querida 3A, em 2025,


Olha para ti, olha bem para ti e sorri.

Vais entrar nos 40 e espero que vejas uma vida inteira à tua frente.
Espero que tenhas casado, espero que tenhas (muitos) filhos. Espero mesmo que consigas ser feliz.
Daqui a 11 anos a tua vida vai estar irreconhecível aos olhos de hoje: aproveita tudo. Encontra o melhor equilíbrio entre as obrigações que tens e o que realmente interessa. E tira daqui o máximo proveito.
Talvez tenhas alguns desgostos, nada na vida é eterno... mas entre o que ganhaste e o que perdeste, espero que te sintas bem.
Vais manter os teus amigos, que serão um porto de abrigo para ti e tu para eles. E a tua família, que será sempre o centro da tua vida. Esforça-te por isso, é uma ordem, porque de resto pouco mais importa.
E, olha, mantém as costas direitas e a cabeça erguida. Se o conseguires fazer, tudo correrá melhor.
E já agora, se não for pedir muito, também agradecia que mantiveres a minha cinturinha de vespa. Não te ficava mal...

10 setembro 2014

Necessidades básicas

Recebi hoje na consulta um menino de quatro anos.
Comecei por lhe dar os parabéns, dizendo que notava tão bem que já não tinha três e que até me parecia crescido como os de cinco. Inchado de orgulho, foi falando da escola, das férias, dos amigos. Chegamos à altura de falar da alimentação e a Mãe contou que o menino tinha sempre muita fome, que lanchava às 3h e logo a seguir às 4h, que gostava de tudo e comia em bastante quantidade. Observei-o, tudo me pareceu bem e terminamos a consulta.
No final comentei que o mano não tinha vindo desta vez. Aproveitei para lhe perguntar quem mais vivia lá em casa.
- A Mãe, o Pai e o mano.
- E mais?, perguntou a Mãe, querendo que o rapaz falasse nas suas tartarugas.
- Mais a comida, a fruta e a casa de banho.

16 agosto 2014

Tudo bem? Tudo.

Mas o encolher de ombros diz outra coisa; a verdade é outra. A depressão deitou tudo abaixo. Ficou tudo negro. Ou tudo claro. Se calhar não interessa. Nem cores, nem sons. É tudo indiferente. Tudo, nada, mas isso também não importa. Só olha para baixo. Está em baixo. Nunca esteve tão em baixo e não sabe porquê. Não quer sair nem quer ficar; não querer falar, nem calar, nem sussurrar, nem gritar. Nem sorrir. Está ali, ancorado ao fundo do mar e sem forças para subir, para lutar. É uma imensa dificuldade em respirar, em mexer, em sentir. É não ser nada, não querer nada, não vibrar com nada. É a total indiferença. Às vezes é não querer viver, não ver sentido nisso, não ver sentido em nada. Também é não querer morrer. Não quer nada. Não quer que o chateiem, bolas, não chateiem! Mas também é não querer que o deixem em paz... Não vão...

14 agosto 2014

Do tempo que passa

Só aos 28 anos percebi que os 22 já lá vão.

Em pouco tempo faço 29, parece que amanhã já serão 30 e tenho a sensação que agora é que vão ser elas... Como dizia a Carmo, empregada de sempre lá em casa, "depois disso 3zinha, depois disso é um tal correr!..."

Quem passa a barreira dos '-inta', entra num novo mundo, para mim ainda completamente desconhecido. Gerelmente inclui carrinhos e fraldas; exclui noites e passeios a dois. Dizem que é bom, mas não sei, não... Ainda me vejo do lado de cá da fronteira, a olhar para esse horizonte longínquo feito de chupetas e essas coisas estranhas.

Se calhar vou tarde (a julgar por algumas meninas - meninas mesmo - que vejo na consulta, vou tardíssimo...), mas o despertador da biologia ainda não tocou deste lado e por este andar desconfio que quando tocar há de fazer toda a barulheira acumulada em tantos anos. On verá.

De resto, sei lá, olho para o espelho e a única diferença que vejo é mesmo o espelho em si, que antes era o lá de casa e agora é o nosso, dos dois. Mais de resto, tudo na mesma. Ténis, calças de ganga, uma miúda autêntica.

05 agosto 2014

Fazia um calor infernal naquele quarto dos meninos. A casa era pequena, para férias como se querem, de recolher só para comer e dormir, tudo o resto era boa vida.
Mas no verão fazia ali um calor dos demónios. Entre as quatro camas, de beliche e gavetão, dormíamos os três, de janela entreaberta mas persiana fechada - não fosse a mosquitada atacar - naqueles sete metros quadrados de quarto, ou coisa que o valha. À noite, ora me encostava à parede, ora rebolava na cama de cima, sempre à procura da parte fresca do lençol. O meu irmão, na cama de baixo, reclamava que estivesse quieta, que não me mexesse, que abanava tudo e não o deixava dormir. O calor a mim e eu a ele. A minha irmã na outra cama (em cujo espaldar de madeira ela tinha, em tempos, desenhado uns meninos e umas árvores porque não tinha papel à mão), tapadinha porque o que tapa o frio tapa o calor, também não dormia melhor. Mas eu sim, sofria muito mais porque a física diz que o ar quente sobe e eu podia jurar que ali subia e bem, que eles dormiam de certeza uns cinco graus celcius melhor que eu. Ou dez.
Se as noites eram más, os dias faziam esquecer tudo. O sol aquecia a laje que nos servia de tecto e a moleza instalava-se à hora da digestão. Mas a sesta, essa, ninguém queria dormir e mais que muitas vezes ali se montou a barraca. Do beliche de cima pendiam as toalhas que com o sal da água da praia quase se aguentavam em pé. E lá debaixo nós, na brincadeira ou a ler ou a pensar de olhos fechados. A dormir a sesta é que não. E apesar do abafo que passávamos, ninguém ousava por o pé fora do beliche, naquele terreno minado ou naquele rio de crocodilos. Um perigo. E além dessa, nem uma preocupação na vida.

02 junho 2014

Chillaxin' on the great oudoors

Eu que até nem gosto de cerveja, acho giríssima esta mesa, super funcional lá para fora, para os momentos de chillaxin' nas belas tardes de verão.
Vamos fazer assim, vou arranjar uma coisa destas e depois convido-vos.

13 maio 2014

Caro Senhor Ladrão,

Enquanto bípede que sou - e tenciono continuar a ser por muitos e bons -, essa que aí leva faz-me falta.
Sabe, ainda não sou expert nisto de estender roupa duma varanda para o precipício e os azares acontecem. Molas há muitas, e de quando em vez lá vai mais uma. Agora, a roupinha é mais chato...
Ontem foi assim: voou uma mola amarela juntamente com a peça que deixei cair. E quando lá as fui buscar, ao lado da mola apenas encontrei o sítio da dita.
Tentei remediar experimentando andar coxa de um lado mas não me ajeito. E o comércio, percebo agora, também não se comove com pernetas e ninguém me vende meio par.
Por isso, e se não for muito incómodo para si, agradecia deveras que devolvesse a meia que me levou.

Obrigada.

31 março 2014

My thoughts, precisely

"Se há coisa que me desperta curiosidade é saber se aqueles que acham que o país está melhor passaram recentemente por algum hospital público."
Aqui

01 março 2014

Boas

- Boas.
Boas quê? São boas, já de si sabemos que não são más, mas fico na dúvida. Serve para tardes ou noites, bem sei. Mas não serve para dias, que é o que se diz de manhã.
Também não chego a uma pastelaria e peço
- Duas.
- Duas quê?
Pois, já sei que não funciona deixar a frase a meio. Percebe-se que não são duas cafés ou bolos, seriam dois. Mas toda a panóplia feminina de artigos da loja fica aos pulinhos para saber que duas serão.

E depois a despedida:
- Continuação.
De quê?, de quê?
- Boa continuação.
Ora, muito obrigada pelo desejo positivo, mas fico na mesma. Será para escolher? Seria boa continuação desse rasgão que já leva nas meias? Há-de ser algo que esteja continuamente a acontecer. Por vezes não estou a fazer nada e não há nada para continuar.
- Boa continuação de nada
não me parece.

-Aquele abraço!
Qual? Não vi! Já passou? Talvez passasse longe, não sei. Da próxima vez mandas mais pertinho e dizes
- Esse abraço!
e eu apanho mais facilmente e digo "Ah, este" e até to agradeço, se for dos bons, sim? Mas aquele... que pena, não estava com atenção, manda lá outro, se fazes o favor. Mas avisa antes!

20 fevereiro 2014

Até um dia destes

Da mesma maneira que há uns anos voltei a escrever postais; da mesma forma que substituí a agenda electrónica pela tradicional; porque tenho saudades do meu - só meu - papel.
De repente este canto já não faz sentido.
Adeus, até qualquer dia.
Até ao meu regresso.

Smile more! #8

18 fevereiro 2014

Isto parecia que estava mal mas está muita bom!!

A crer no que se ouve, os indicadores da saúde estão muita bons, a economia floresce, a educação, o emprego... tudo do melhor que há!
Não fosse eu ver os doentes escolher os medicamentos que tomam - porque o dinheiro não chega para tudo -, saber de professores a tentar ensinar o que sabem e educar o que os pais não sabem - e a ser desrespeitados e espezinhados todos os dias -; a ver o trabalho a aumentar e o salário ao fim do mês a levar tanto desconto que vai de líquido a gasoso em menos de nada - para não falar dos desempregados aos molhos... até acreditava.
Está meio país a chorar pelos cantos e a outra metade a levantar a cabeça e marchar daqui para fora...
Mas bem vistas as coisas, o estado do nosso país está muita bom, as pessoas é que estão cada vez pior.

04 fevereiro 2014

Os caça-vagalhões

Pronto, é a loucura! Não percebo porque é que fazer carreirinhas e encher o fato de banho de areia já não chega! Em vez de se porem a salvo lá no cimo da Serra da Estrela, não, anda tudo atrás das grandalhonas ali para os lados da Nazaré, onde eles mandaram montar um canhão subaquático a disparar ondas que chegam à costa com vintital metros de altura!...
Parece que agora foi um canalizador inglês que se montou numa prancha e vai de surfar mais um vagalhão vencedor. O record do McNamara vai ao ar: é limpinho (tentativa de piada com referência ao nome do senhor: Andrew Cotton. Porque o algodão não engana. Desculpem...).
Mas, a bem dizer, isto mais metro / menos metro vai dar ao mesmo: crazy peopleeeeee!



Catrel de su corazón

O rapaz recebeu uma linda Renault 4L nos seus dezanove anos. Não foi um presente qualquer, veio cheio de significâncias e simbolismos - que para aqui agora não importam -, mas que a tornavam num daqueles presentes para sempre...
Enfim, coisas da vida, a moça ficou parada numa garagem durante 9 anos, a ganhar uma camada de bronze que só há-se sair a poder de agulheta, até que há dias a quiseram trazer à vida.
Poderosa que só ela, pegou em segundos depois de meia dúzia de falinhas mansas e um olhar mais veemente do comandante, cujo corazón quase não aguenta de tanta emoção. Cantou afinadamente durante uns momentos e seguiu viagem como se nada fosse, como se não tivesse estado adormecida quase uma década, como se nunca tivesse deixado de voar.

03 fevereiro 2014

Gambas al ajillo

O que dá azeite + alho + malagueta + salsa + gambas numa frigideira, o que é?
Bem, o que aqui vem não é uma receita de gambas al ajillo, mas sim um pouco de serviço público. Senão vejamos:

O que quer dizer al jilho, à jilho? Nada, nicles.
E à guilho? Não sei, nem conheço o Guilho...
Mas al ajillo significa... ao alho! São gambas ao alho, malta, ao alho!!





De nada...
Bom proveito!

02 fevereiro 2014

Bolos da Avó de Coimbra

A minha irmã fez bolos hoje. São uns bolinhos de canela que eu costumava receber de Coimbra por encomenda, com beijinhos da Avó e a recomendação de que deveria dividir com a mana, esta que herdou a vontade e o gosto de os fazer e assim matar saudades. E bem.
Pois ela hoje fez os bolos da Avó de Coimbra e eu, com sentida dificuldade, lá terei que os comer.
Comi um a meio da tarde, ainda a casa cheirava a pastelaria, meio morno, só para provar. E que bons que estavam, venha outro. Pouco depois cruzei-me com a Mãe: 'estão óptimos, já provaste?', 'não!', venha mais um. Entretanto fui dar uma volta com o mais que tudo e, não fosse dar-me a fraqueza daqui até ao café, foi mais um. E quando cheguei a casa, passei à frente da porta da cozinha e lá estavam eles a olhar para mim, todo um montinho de bolos com um virado de cabeça para baixo. E como destoava e a Mãe - que não gosta de comida de pernas para o ar - estava a chegar e podia ter o tal desgosto, já foi mais outro.
E hoje estamos nisto...

27 janeiro 2014

Reflexão sobre o esparguete

Dá-me ideia que não conheço ninguém saiba comer esparguete. Aliás, é mesmo essa a minha teoria: não há quem saiba comer esparguete de forma educada ou, vá, polida. No fundo, aquilo é uma comida idiota e gera uma quanta badalhoquice que me desagrada. É escorregadio que não se aguenta e impossível de comer mantendo os mínimos da etiqueta. Uma comida escusada...
Não sei, parece-me que assim de maneira geral se come com aquele método do rolinho à volta do garfo, que pinga daqui, escorre dali e mesmo que se ajude com a colher, não há quem controle aquilo. Ou então come-se em modo cortadinho aos bocadinhos, mas isso é tipo arroz e portanto não conta. Depois há sempre a versão Aristogatos, que é muito romântico, sissinhor, mas menos asseadinho também.
Resumindo, para isso não contem comigo. Não dá.

Grafitti de musgo, para os muros velhos cá da terra

24 janeiro 2014

O que Distingue um Amigo Verdadeiro

"Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta.

Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c.
Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser."

Miguel Esteves Cardoso
 'Os meus problemas'

23 janeiro 2014

Como caem as mai lindas: guia passo-a-passo.

Ontem mandei um tralho das escadas abaixo. (digo das escadas abaixo porque já tenho caído das escadas acima, bem mais difícil, mas isso fica para outro dia)
Dizia eu que me esbardalhei pelas escadas aqui de casa, já de carteira e tudo, prontíssima para sair.
Estou bem - obrigada por perguntarem - sem grandes maleitas além de quatro hematomas nas canelas, para mais tarde recordar. Mas lá que não foi bonito, não foi. O que acontece é que podia ter sido, se tivesse lido mais cedo este artigo da ELLE, que é um Guia passo-a-passo de como caem as mai lindas, lá nas suas passadeiras. É ler:

During fashion week, we’re usually reminded that models, just like us, can fall flat on their faces. Like, today, when a pretty young thing took a tumble in a gorgeous Elie Saab couture number.
She maintained her composure throughout, which inspired this step-by–step guide to falling beautifully.
1. It’s all about the dress, hair, and makeup. If you want to look beautiful while falling you have to look beautiful in general.
2. Take long strides to make the fall more dramatic, almost balletic.
3. When you feel your trip about to start, spread your wings as though you’re about to take flight. It is essential at this point to maintain your facial composure. Keep your jaw and eyes relaxed. Give the appearance that you don’t care.
Photo: Getty Images
4. When you hit the ground, make sure to emphasize whatever accessories you may be wearing. If it’s a ring you want to show off, point your fingers upwards, displaying the object's shine. This is when the face becomes of the utmost importance. SMIZE!
5. Now you’ll be on the ground. Don’t be alarmed. This was the goal. Appear quietly confident and highlight your garment to the best of your ability.
6. Whenever possible, take a #selfie

Smile more! #4

Tatu

Eu que não sou grande fã de tatuagens (nem nunca me passou pela cabeça arriscar mais do que uma daquelas que saíam nos copos de Perna de Pau), hoje vi uma muito bonita. Uma senhora dos seus 45 anos tatuou no antebraço a assinatura do Pai que, apesar de analfabeto e apenas saber escrever o seu nome, dirigia um pequeno departamento comercial com muito sucesso. Até falecer há poucos anos, não sabia mais do que assinar o seu nome e treinava-o diariamente em qualquer bocado de papel, "para nunca esquecer". Que melhor lembrança a senhora poderia ter?