02 junho 2014

Chillaxin' on the great oudoors

Eu que até nem gosto de cerveja, acho giríssima esta mesa, super funcional lá para fora, para os momentos de chillaxin' nas belas tardes de verão.
Vamos fazer assim, vou arranjar uma coisa destas e depois convido-vos.

13 maio 2014

Caro Senhor Ladrão,

Enquanto bípede que sou - e tenciono continuar a ser por muitos e bons -, essa que aí leva faz-me falta.
Sabe, ainda não sou expert nisto de estender roupa duma varanda para o precipício e os azares acontecem. Molas há muitas, e de quando em vez lá vai mais uma. Agora, a roupinha é mais chato...
Ontem foi assim: voou uma mola amarela juntamente com a peça que deixei cair. E quando lá as fui buscar, ao lado da mola apenas encontrei o sítio da dita.
Tentei remediar experimentando andar coxa de um lado mas não me ajeito. E o comércio, percebo agora, também não se comove com pernetas e ninguém me vende meio par.
Por isso, e se não for muito incómodo para si, agradecia deveras que devolvesse a meia que me levou.

Obrigada.

31 março 2014

My thoughts, precisely

"Se há coisa que me desperta curiosidade é saber se aqueles que acham que o país está melhor passaram recentemente por algum hospital público."
Aqui

01 março 2014

Boas

- Boas.
Boas quê? São boas, já de si sabemos que não são más, mas fico na dúvida. Serve para tardes ou noites, bem sei. Mas não serve para dias, que é o que se diz de manhã.
Também não chego a uma pastelaria e peço
- Duas.
- Duas quê?
Pois, já sei que não funciona deixar a frase a meio. Percebe-se que não são duas cafés ou bolos, seriam dois. Mas toda a panóplia feminina de artigos da loja fica aos pulinhos para saber que duas serão.

E depois a despedida:
- Continuação.
De quê?, de quê?
- Boa continuação.
Ora, muito obrigada pelo desejo positivo, mas fico na mesma. Será para escolher? Seria boa continuação desse rasgão que já leva nas meias? Há-de ser algo que esteja continuamente a acontecer. Por vezes não estou a fazer nada e não há nada para continuar.
- Boa continuação de nada
não me parece.

-Aquele abraço!
Qual? Não vi! Já passou? Talvez passasse longe, não sei. Da próxima vez mandas mais pertinho e dizes
- Esse abraço!
e eu apanho mais facilmente e digo "Ah, este" e até to agradeço, se for dos bons, sim? Mas aquele... que pena, não estava com atenção, manda lá outro, se fazes o favor. Mas avisa antes!

20 fevereiro 2014

Até um dia destes

Da mesma maneira que há uns anos voltei a escrever postais; da mesma forma que substituí a agenda electrónica pela tradicional; porque tenho saudades do meu - só meu - papel.
De repente este canto já não faz sentido.
Adeus, até qualquer dia.
Até ao meu regresso.

Smile more! #8

18 fevereiro 2014

Isto parecia que estava mal mas está muita bom!!

A crer no que se ouve, os indicadores da saúde estão muita bons, a economia floresce, a educação, o emprego... tudo do melhor que há!
Não fosse eu ver os doentes escolher os medicamentos que tomam - porque o dinheiro não chega para tudo -, saber de professores a tentar ensinar o que sabem e educar o que os pais não sabem - e a ser desrespeitados e espezinhados todos os dias -; a ver o trabalho a aumentar e o salário ao fim do mês a levar tanto desconto que vai de líquido a gasoso em menos de nada - para não falar dos desempregados aos molhos... até acreditava.
Está meio país a chorar pelos cantos e a outra metade a levantar a cabeça e marchar daqui para fora...
Mas bem vistas as coisas, o estado do nosso país está muita bom, as pessoas é que estão cada vez pior.

04 fevereiro 2014

Os caça-vagalhões

Pronto, é a loucura! Não percebo porque é que fazer carreirinhas e encher o fato de banho de areia já não chega! Em vez de se porem a salvo lá no cimo da Serra da Estrela, não, anda tudo atrás das grandalhonas ali para os lados da Nazaré, onde eles mandaram montar um canhão subaquático a disparar ondas que chegam à costa com vintital metros de altura!...
Parece que agora foi um canalizador inglês que se montou numa prancha e vai de surfar mais um vagalhão vencedor. O record do McNamara vai ao ar: é limpinho (tentativa de piada com referência ao nome do senhor: Andrew Cotton. Porque o algodão não engana. Desculpem...).
Mas, a bem dizer, isto mais metro / menos metro vai dar ao mesmo: crazy peopleeeeee!



Catrel de su corazón

O rapaz recebeu uma linda Renault 4L nos seus dezanove anos. Não foi um presente qualquer, veio cheio de significâncias e simbolismos - que para aqui agora não importam -, mas que a tornavam num daqueles presentes para sempre...
Enfim, coisas da vida, a moça ficou parada numa garagem durante 9 anos, a ganhar uma camada de bronze que só há-se sair a poder de agulheta, até que há dias a quiseram trazer à vida.
Poderosa que só ela, pegou em segundos depois de meia dúzia de falinhas mansas e um olhar mais veemente do comandante, cujo corazón quase não aguenta de tanta emoção. Cantou afinadamente durante uns momentos e seguiu viagem como se nada fosse, como se não tivesse estado adormecida quase uma década, como se nunca tivesse deixado de voar.

03 fevereiro 2014

Gambas al ajillo

O que dá azeite + alho + malagueta + salsa + gambas numa frigideira, o que é?
Bem, o que aqui vem não é uma receita de gambas al ajillo, mas sim um pouco de serviço público. Senão vejamos:

O que quer dizer al jilho, à jilho? Nada, nicles.
E à guilho? Não sei, nem conheço o Guilho...
Mas al ajillo significa... ao alho! São gambas ao alho, malta, ao alho!!





De nada...
Bom proveito!

02 fevereiro 2014

Bolos da Avó de Coimbra

A minha irmã fez bolos hoje. São uns bolinhos de canela que eu costumava receber de Coimbra por encomenda, com beijinhos da Avó e a recomendação de que deveria dividir com a mana, esta que herdou a vontade e o gosto de os fazer e assim matar saudades. E bem.
Pois ela hoje fez os bolos da Avó de Coimbra e eu, com sentida dificuldade, lá terei que os comer.
Comi um a meio da tarde, ainda a casa cheirava a pastelaria, meio morno, só para provar. E que bons que estavam, venha outro. Pouco depois cruzei-me com a Mãe: 'estão óptimos, já provaste?', 'não!', venha mais um. Entretanto fui dar uma volta com o mais que tudo e, não fosse dar-me a fraqueza daqui até ao café, foi mais um. E quando cheguei a casa, passei à frente da porta da cozinha e lá estavam eles a olhar para mim, todo um montinho de bolos com um virado de cabeça para baixo. E como destoava e a Mãe - que não gosta de comida de pernas para o ar - estava a chegar e podia ter o tal desgosto, já foi mais outro.
E hoje estamos nisto...

27 janeiro 2014

Reflexão sobre o esparguete

Dá-me ideia que não conheço ninguém saiba comer esparguete. Aliás, é mesmo essa a minha teoria: não há quem saiba comer esparguete de forma educada ou, vá, polida. No fundo, aquilo é uma comida idiota e gera uma quanta badalhoquice que me desagrada. É escorregadio que não se aguenta e impossível de comer mantendo os mínimos da etiqueta. Uma comida escusada...
Não sei, parece-me que assim de maneira geral se come com aquele método do rolinho à volta do garfo, que pinga daqui, escorre dali e mesmo que se ajude com a colher, não há quem controle aquilo. Ou então come-se em modo cortadinho aos bocadinhos, mas isso é tipo arroz e portanto não conta. Depois há sempre a versão Aristogatos, que é muito romântico, sissinhor, mas menos asseadinho também.
Resumindo, para isso não contem comigo. Não dá.

Grafitti de musgo, para os muros velhos cá da terra

24 janeiro 2014

O que Distingue um Amigo Verdadeiro

"Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar — todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta.

Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género — é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c.
Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser."

Miguel Esteves Cardoso
 'Os meus problemas'

23 janeiro 2014

Como caem as mai lindas: guia passo-a-passo.

Ontem mandei um tralho das escadas abaixo. (digo das escadas abaixo porque já tenho caído das escadas acima, bem mais difícil, mas isso fica para outro dia)
Dizia eu que me esbardalhei pelas escadas aqui de casa, já de carteira e tudo, prontíssima para sair.
Estou bem - obrigada por perguntarem - sem grandes maleitas além de quatro hematomas nas canelas, para mais tarde recordar. Mas lá que não foi bonito, não foi. O que acontece é que podia ter sido, se tivesse lido mais cedo este artigo da ELLE, que é um Guia passo-a-passo de como caem as mai lindas, lá nas suas passadeiras. É ler:

During fashion week, we’re usually reminded that models, just like us, can fall flat on their faces. Like, today, when a pretty young thing took a tumble in a gorgeous Elie Saab couture number.
She maintained her composure throughout, which inspired this step-by–step guide to falling beautifully.
1. It’s all about the dress, hair, and makeup. If you want to look beautiful while falling you have to look beautiful in general.
2. Take long strides to make the fall more dramatic, almost balletic.
3. When you feel your trip about to start, spread your wings as though you’re about to take flight. It is essential at this point to maintain your facial composure. Keep your jaw and eyes relaxed. Give the appearance that you don’t care.
Photo: Getty Images
4. When you hit the ground, make sure to emphasize whatever accessories you may be wearing. If it’s a ring you want to show off, point your fingers upwards, displaying the object's shine. This is when the face becomes of the utmost importance. SMIZE!
5. Now you’ll be on the ground. Don’t be alarmed. This was the goal. Appear quietly confident and highlight your garment to the best of your ability.
6. Whenever possible, take a #selfie

Smile more! #4

Tatu

Eu que não sou grande fã de tatuagens (nem nunca me passou pela cabeça arriscar mais do que uma daquelas que saíam nos copos de Perna de Pau), hoje vi uma muito bonita. Uma senhora dos seus 45 anos tatuou no antebraço a assinatura do Pai que, apesar de analfabeto e apenas saber escrever o seu nome, dirigia um pequeno departamento comercial com muito sucesso. Até falecer há poucos anos, não sabia mais do que assinar o seu nome e treinava-o diariamente em qualquer bocado de papel, "para nunca esquecer". Que melhor lembrança a senhora poderia ter?

21 janeiro 2014

Sou médica interna.

"Sou médica interna. Sou médica daquelas que demoram muito. Não entupo urgências, porque não trabalho lá, mas deve estar muita gente à minha espera, na sala onde se espera. De certeza que pensam que sou “estagiária”. Não tenho carro, vivo numa casa alugada, pago as contas (às vezes em atraso). Trabalho, estudo, vivo em constante preocupação porque tenho que estudar mais, tenho de fazer relatórios e posters e apresentações. Vivo entre exames, artigos científicos e isso sim, trabalho, muito trabalho. Ao meu lado estão outros médicos internos. Raramente adoecem.. estão lá, ganham o mesmo que eu. Estou motivada, mas menos motivada, estou lá, mas às vezes penso que devia estar noutro sítio. Às vezes chego ao fim do mês à justa. No talão diz 1800… acho…, mas chega bastante menos à conta na CGD. Não sou especialmente ambiciosa. Nem especialmente poupadora nem gastadora. Compro roupa na Zara e móveis no IKEA (dos baratos). Tenho o apartamento alugado meio vazio, mas não faz mal porque passo lá pouco tempo. Tenho uma secretária de 1,50m de largura no trabalho, que está sempre muito cheia. Tenho o novo corretor ortográfico no computador, mas irrita-me. Vou à pagina da Ryanair quando estou pensar em férias. Mas cada vez penso menos. Não tenho animais de estimação, mas gosto de animais de estimação. De manhã acordo mais tarde do que devia, mas chego a horas ao trabalho. Vou a pé, porque vivo na baixa (isso deve ser um luxo). Estou inscrita num ginásio ao qual raramente consigo ir. Cada vez que abro o facebook vejo salários de políticos aos quais não sei atribuir significado. Depois vejo salários de médicos que não conheço. Às vezes leio os comentários das pessoas revoltadas com o que ganham os médicos, com o bem que vivem. Eu devo ser da classe priviligiada, porque sou médica. Não tenho carro, não tenho casa própria, não tenho um iphone, porque me parece excessivamente caro. Ganho 1200 euros. Tenho 30 anos. Matei-me a estudar na faculdade, tenho o trabalho em dia, mas não sou lá muito inteligente porque me esqueci de pagar a conta da edp. Na sexta-feira cheguei às 21:00 a casa (devia ter saído às 18:00) e tinham-me cortado a luz. Tenho de me organizar melhor. Na televisão não falam dos sacrifícios, não dizem que fiquei horas a mais a fazer o trabalho que estava a menos, porque sou lenta talvez… Deve ser isso. Não fui para a night porque estava esgotada. Dormir é uma das minhas grandes prioridades. Não vou muito ao cinema, nem vou aos eventos culturais de que gostaria. Não viajo muito, nem vou jantar a restaurantes caros. Sou médica… é verdade. Médica interna, jovem inexperiente. Daqueles que entopem urgências e custam muito dinheiro ao estado porque estão em formação… Deve ser melhor para os recém-assistentes que estão à espera do contrato para a semana há um ano… Ao longo do internato que vejo passar… só vejo as coisas piorar. Mas estou muito motivada, amanhã vou trabalhar."

Ana Cátia Morais
no blog mandrionices

20 janeiro 2014

CR7

Fogo, Cristiano Ronaldo, és espectacular.
Tomo a liberdade de te tratar por tu - espero que não te importes - porque somos conterrâneos, porque és a estrela do meu país, és da Madeira, de onde eu trago uma costela, e somos da mesma colheita de 1985. És como que um daqueles primos afastados que todos temos, daqueles com quem não falamos ao telefone mas de quem nos lembramos lá em casa ao jantar: "Sabes quem espetou 3 secos no Barcelona? O primo Ronaldo! Passa aí o pão, fachavor".
Tens tudo apontado a ti. Os holofotes de quem te admira e as flechas que quem te inveja. É o preço a pagar pelas maravilhas que te atreveste a fazer. És o somatório de tanto talento e muito (íssimo, muitíssimo) trabalho. E por tudo o que te reconhecemos, entramos em campo contigo em cada jogo, corremos em cada sprint e comemoramos em cada triunfo.
É um orgulho estarmos contigo e uma honra ter-te connosco.

Skylines

18 janeiro 2014

o cor-de-rosa da política internacional

Estas senhoras que o presidente Hollande encantou jogam todas na liga dos campeões da sensualidade, enquanto François Hollande milita na segunda divisão B da alopécia progressiva, da miopia e do próprio duplo queixo. 
Ricardo Araújo Pereira,
Governo Sombra

17 janeiro 2014

Dois dias do demo

"Levem o carro!", disse eu, carregada de boas intenções, "vou de metro estes dois dias, qual é o problema?". Nisto, desatam numa enorme gargalhada os deuses lá do Olimpo, mas eu não dei por nada. E por isso ficou combinado.
No primeiro dia foi S. Sebastião, deus do metro de Lisboa, que me passou a perna com o raio da greve. É bem feita, tivesse organizado a minha vida de maneira a precisar do metro no dia em que eles trabalhassem. Tudo bem...
Hoje foi S. Pedro. Eu, inocentezinha, pensei que como ainda era de noite à hora de sair e que a chuva molha-parvos era desagradável logo de madrugada, levaria a carrinha até à entrada do metro. Bem dito, bem feito, mas S. Pedro pensou "ah é? Espera aí". Quando saí do outro lado das catacumbas do metro é que foi! Mal tinha começado o caminho a pé até ao trabalho caiu uma saraivada monumental, tanto chovia de cima como de baixo, eu sei lá, as estradas transformaram-se em rios e os trovões faziam tremer os mais corajosos. E lá ia eu, sem sítio para me abrigar, calças molhadas até às coxas, agarrada ao guarda-chuva sem tocar na parte metálica - com medunça dos relâmpagos... -, debaixo daquela granizada épica, no percurso mais memorável da vida... E quando cheguei ao destino, nem bom dia nem boa tarde, toma lá a chave do outro consultório e não sais enquanto não tiveres a roupa seca. E foi uma horinha a virar as calças e as meias em cima do secador, e a secar as botas que, por acaso, se aguentaram muita bem, benditas caterpillar anti-dilúvio.
O fim-de-semana vai ser em casinha (não, brincas...), à espera da próxima gargalhada divina...

16 janeiro 2014

Me aguardem

Mudei o blog para cor de rato gay. Eu sei que é uma cor meio mal esgalhada, mas as cores meio mal esgalhadas também têm direito aos seus 5 minutos de fama, nem que seja numa página apenas com 4:30 minutos de fama. Que ainda estão para vir.

Smile more! #3

13 janeiro 2014

First world problems

É assim todos os dias. Fico na cama até à última, custa-me horrores arrancar o rabo da cama, ainda mais durante o Inverno quando está frio e é noite cerrada lá fora. Nesses minutos extra, até sonho que me estou a arranjar para sair, tal é a consciência pesada. Mas quando volta a tocar o despertador, está tudo por fazer. E no meio disto tudo, nunca sei o que hei-de vestir.
 
Um stress...
 


12 janeiro 2014

Frère Jacques, dormez-vous?

Os senhores da Visão andaram a estudar estas coisas do sono e chegaram à conclusão de que uma noite em branco (ou pelo menos mal dormida) pode ser muito giro, mas faz mais estragos do que se pensa. A mim, em particular, dá-me a volta ao sistema e fico que nem posso. De resto, além de coisas mais (e outras ainda mais) desagradáveis - aumento do risco de se tornar obeso, de contrair alguns tipos de cancro, de ter diabetes, de doenças cardíacas, de depressão - dizem eles que leva a:
- Ter mais fome. Verdade! bolachas, chocolates, dá-me vontade de cometer pequenos pecados em elevadíssima frequência e quantidade...
- Mais predisposição para ter um acidente. Parece-me óbvio. Quando saio do hospital a seguir a uma urgência venho de janela aberta, a mascar pastilha e rádio aos gritos. E se tivesse ali à mão uns palitos para segurar as pálpebras, também iam. Por favor tenham cuidado...
- Ser menos sociável: bolas, esta acontece todos os dias de manhã. Preciso dos meus 5 (10, 30, ...) minutos de silêncio. Não silêncio absoluto, mas se não falarem comigo a coisa passa. Se não tiver dormido, então, talvez precise de 5 (10, 30, ...) horas, quem sabe?
- Menos beleza. Quem diz isto são uns investigadores suecos e de que é que os suecos percebem? De suecas, portanto é de acreditar.
- Sistema imunitário enfraquecido. Dizem eles que menos 7 horas, três vezes mais gripes. Registe-se.
- Perda de tecido cerebral. Bem, cérebro em roquefort não é para brincadeiras...
- Concentração e memória afetadas. No meu caso, já não são aquela maravilha, depois de uma directa, então, não sou capaz de fazer uma sinapse em condições nem que me batam...
- Diminuição do apetite sexual. Pronto, o "tenho sono" é assim como que uma versão B do tão famoso "ai que grande dor de cabeça!".

Posto isto, até amanhã.
Durmam bem, mes enfants.

Não esperava nada menos, com 11 Eusébios em campo.

Um brinde aos dias bons

Riem-se de mim porque gosto de comemorar tudo e mais alguma coisa. Tenho a agenda cheia de coisas boas. Nos aniversários há festa; nas décadas há festão. Cada mês de namoro merece um jantar, cada dia importante merece um brinde. Os mil meses do Avô tiveram um bolo de chocolate de surpresa; os 1100 da Avó tiveram outro. O passar dos anos na escola, o fim do curso, o primeiro ordenado. O primeiro dia do ano e o último; o carnaval, a Páscoa, o Natal. A festa de Armação, o dia da sardinhada e as mariscadas. Todos os dias bons dão direito a celebração.

No fundo é uma maneira de dar um sentido aos dias felizes para que os infelizes não sejam mais que pedras no caminho. E com essas, aprendi há muito tempo, cá em casa constroem-se castelos.
The only way to get rid of temptation is to yield to it... I can resist everything but temptation.

Oscar Wilde

07 janeiro 2014

Namore uma garota que viaja!

Namore uma garota que viaja! Uma garota que prefira gastar seu dinheiro numa viagem no final de semana, uma viagem bate-e-volta que seja a torrar numa promoção do shopping. Ela anda com calçados confortáveis, pois nunca sabe qual distância ela irá andar aquele dia, afinal, ela não reconhece as distâncias como barreiras na vida.
Ela estará na rodoviária com um mochilão no próximo final de semana, ou em shows de bandas que você nunca ouviu falar “porque conheci eles a um ano atrás, viajando”.
Ela carrega na bolsa lembranças de vários lugares diferentes, e sempre tem um lanchinho ou uma garrafa d’agua dentro dela, pois vai que ela não volta pra casa naquele dia? É marcada em mil fotos diferentes, de pessoas que moram bem longe dela, coleciona presentinhos que ganhou dos amigos que conheceu pela estrada, tem planos para viajar pelos próximos 5 anos para rever todos que teve que deixar pelo caminho. Encontra pessoas no meio da rua em um lugar bem longe onde jamais você conheceria alguém, e você verá que do outro lado do mundo tem alguém que a olha com o mesmo sorriso bobo que você faz quando a vê.
Ela não será a pessoa mais bem vestida por aí, porém a pele queimada de sol e o corpo com os músculos naturalmente desenhados de tantos dias nas montanhas combinadas com brincos sulamericanos, uma mochila da espanha e sapatos da ásia farão uma combinação de estilo tão único, tão vibrante, que você já saberá alguma coisa sobre ela antes mesmo de perguntar seu nome. Não jogue com ela, não diga que ela é linda, pergunte de onde vem essa camiseta que ela veste, escute-a, veja a simplicidade da resposta e não se preocupe: você viajará com os “causos” delas antes mesmo que perceba isso.
Ela lê livros de viagens, escuta eddie vedder na estrada, sabe nome de lugares maravilhosos os quais você nunca havia ouvido falar antes. Fala com uma paixão sobre os lugares que é impossível não ter vontade de pedir demissão amanhã do trabalho, colocar a mochila nas costas e ela do lado. Muitas vezes vai te surpreender resolvendo coisas de um jeito totalmente novo, dizendo quando vir sua cara de espanto “é que uma vez quando eu estava viajando, aconteceu algo assim e…”. Ela vai querer te levar em todos os lugares em que esteve sozinha, e pensou como seria bom se estivesse acompanhada, vai fazer uma lista com você de “coisas para se viver esse ano”, vai completar com toda certeza, vai trazer cenários de filmes para sua vida, vai te fazer acreditar passar a noite num saco de dormir com o céu estrelado te faz sentir muito mais especial que qualquer quarto de hotel estrelado.
Namore uma garota que viaja porque ela ama a vida. Ela não tem tempo para picuinhas, sabe que a vida voa, e que é melhor amarmos agora, na maior da intensidades, porque nunca se sabe que curso a vida tomará amanhã. Você pode ir embora, se apaixonar por outro lugar, por outra vida, que não a inclua. Ela pode reclamar, mas sabe bem que isso acontece. Vai vibrar com suas conquistas que te levem pra longe dela, pois sabe o prazer que o desconhecido causa, e sabe também que as distâncias jamais levam as pessoas que amamos de verdade de nós, pelo contrário, as fixam que nem tatuagem. Não tem muitas coisas materiais, sabe que roupas desnecessárias na mala significam um problema de coluna por peso, passa dias e dias apenas com algumas peças, e continua linda se ver: ela se veste dela mesmo, e não há como bater isso.
Não siga padrões com ela. Não faça nada que envolva muito dinheiro com ela. Escolha o caminho mais bonito da cidade para atravessar a cidade do trabalho dela até a sua casa, ou até o restaurante de comida peruana mais próximo, preste atenção nos comentários que ela fizer sobre as coisas no caminho. Uma garota que viaja tem um olhar aguçado de uma criança, vai te fazer reparar numa planta florida, num grafiti fantástico que você nunca reparou, num anúncio colado no ponto de ônibus de um show interessante, vai definir os lugares pelos cheiros agradaveis no ar: “roma tem cheiro de pizza, que nem esse cheiro agora”. Tudo coisas que de dentro de um carro importado com o ar condicionado ligado, não aconteceria.
Você viverá o momento presente como nunca. Ela te chamará atenção para tudo que está a sua volta, e não na briga que tiveram ontem. Ela vai ser a trilha sonora da tua vida.
A garota que viaja sabe te ouvir. Já ouviu muita gente do mundo inteiro, e o que alegrava os dias mochileiros dela era justamente se inserir nas histórias de tão longe. Ela repara o que ninguém repara no que você fala, só você havia prestado atenção nisso. Ela te ajuda sem esperar o retorno imediato, sabe como é essa vida, já foi ajudada inúmeras vezes na estrada sem que a pessoa pedisse um tostão de volta, e voltou para casa certa de fazer tudo diferente, pois sabe o quanto isso pode significar na vida da outra pessoa. Ela não liga para coisas pequenas como datas e presentes, ela liga para o quanto você andou para encontrá-la, o que você prestou atenção das coisas que ela te disse para mandar uma mensagem no celular dizendo “tá tocando aquela música que você disse ser a música de Cuzco. Saudades!” e provavelmente a resposta será: “Escutaremos ela de novo, lá”.
De repente, sua vida tomará um ritmo acelerado, cheio de novidades. Porém não descuide: traga novidades para a vida dela também, mantenha a curiosidade dela sempre acesa. É indispensável que fique na sua cabeça que estamos falando de uma menina apaixonada pela vida. Logo, não corte suas asas. Ela vai, caso você não possa ir. Ela volta, porque você é o motivo para ela se lembrar do caminho de volta. Acompanhe-a sempre que puder, e não espere para propor qualquer programa para ela, por mais louco que julgue ser. Ela vai sorrir e bolar várias coisas a mais para complementar o plano de vocês, e vai se encantar com sua energia. Ela sabe se encantar pelas coisas boas da vida, seja uma delas! Então juro: não há o menor risco de se arrepender.
Casamento é algo que assusta a maioria das garotas viajantes, mas no fundo é o que mais elas querem: alguém que elas possam rir tomando “uns bons drinks” relembrando as histórias de 1, 2, 8 anos atrás, alguém que tope uma casinha simples num lugar paradisíaco, e mesmo que você não faça a linha radical, que tire as fotos do rafting que ela estava louca para fazer, e a ajude a contar depois para os outros como foi a loucura, com a mesma empolgação. É, você vai se empolgar. Ela vai te propor um casamento numa montanha, com o Sol nascendo, ou na fazenda de um dos seus amigos, só com aquelas 50 pessoas que com toda certeza irão. Seja lá o que for, vai ser incomum, impensado como ela é, impensável, imprevisivel. E a lua de mel, não espere menos que um mochilão! Menos dinheiro em cada lugar, mais lugares no itinerário, vários passeios e comidas curiosas encontradas pelot caminho que não são oferecidas pelas agências de viagens. Aliás, agência o que?
A menina que viaja não tem medo da idade, não tem medo das responsabilidades, das obrigações: ela já viu inúmeras soluções para cada caso por aí, já tem tudo montado na cabeça. A família de vocês vai ter um conhecimento de mundo incrível. Seus filhos vao saber o valos de cada refeição que tem, de cada teto que dormem, de cada monumento histórico que encontram na frente. Ela vai os ensinar respeitar e amar incondicionalmente a natureza, e ter uma habilidade incrível de se enturmar com qualquer tipo de pessoa do mundo. Serão pessoas bem queridas onde quer que vão, se depender de vocês. Ah, e não se esqueça do cachorro(s).
Pense nela aos 60: mesmo sorriso, mesmas andanças. O que te atrair nela, provavelmente será pra sempre, invariável com o tempo. uma pessoa acumulou uma qualidade de experiências notória, e que a cada dia que passa se divertiu com menos, se aborreceu com quase nada. Já terá vivido tanta coisa por aí que será a atração dos netos de todas as idades, explicando o significado do quadro maya estranho na parede, e fazendo a dança indiana no casamento de um deles. Esse tipo de alegria nunca se apaga, só se prolonga, e se espalha a quem a cerca.
Namore uma menina que viaja. Se ela te escolher, acredite: já passou tanta gente pela vida dela, de longe, de perto, pouco tempo, muito tempo, e se ela te escolheu é porque ela realmente GOSTA de você. Sem inseguranças ou interesses, ela gosta de você e pronto. Deixe-a te carregar pela mão, durma no colo dela nas rodoviárias, delicie seu miojo de acampamento. Deixe o mundo ser apresentado a você, caso ainda não tenha sido, e veja como alguém pode, definitivamente, ser a chave da sua alegria.

Rodrigo Nominato

Estão mesmo a pedi-las

Senhor da Protecção Civil,

"Comportamentos de risco" não chega sequer para começar a descrever o que anda a fazer a malta que vai ver o mar estes dias. Vamos chamar-lhe apenas "burrice", ou "falta de amor à vida", ou mesmo "estupidez". Porque é assim que funciona a seleção natural: sobrevive quem está mentalmente preparado para pensar. Quem acha que é boa ideia ir ver como são por dentro as ondas de 18 metros, só pode ser estúpido. Ou se calhar estão à espera que apareça um McNamara ou uma Maya Gabeira a surfar um farol ou a pedir uns tremoços ao Barbas em formato de drive in. Deve ser isso...



Fotografia de Miguel Oliveira.

06 janeiro 2014

"Dizem que o Eusébio morreu. Como se isso fosse possível."




Tudo o que o Eusébio foi, tudo o que representou, tornaram-no maior que a vida.
Era um homem simples, de origens humildes. Viveu o futebol como poucos, representava toda a garra, toda a chama dos grandes homens. Foi enorme num tempo pequeno de um pequeno país.

Hoje impressionou-me ver meninos a chorar, eles que nunca o viram jogar mas por alguma razão sentem que se perdeu alguém importante. Em casa dos meus avós há fotografias dos netos, fotografias dos filhos, fotografias dos avós. E uma com o Eusébio. Não há português que não se orgulhe do seu Eusébio. Não há viajante que não se tenha orgulhado de dizer: "Sim, sou do país do Eusébio". É símbolo do Benfica, do futebol e de Portugal.

Hoje o país está triste porque enterrou um de nós.
Mas o Eusébio viverá sempre enquanto alguém gostar de futebol.



Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema.


Manuel Alegre

03 janeiro 2014