23 janeiro 2014

Smile more! #4

Tatu

Eu que não sou grande fã de tatuagens (nem nunca me passou pela cabeça arriscar mais do que uma daquelas que saíam nos copos de Perna de Pau), hoje vi uma muito bonita. Uma senhora dos seus 45 anos tatuou no antebraço a assinatura do Pai que, apesar de analfabeto e apenas saber escrever o seu nome, dirigia um pequeno departamento comercial com muito sucesso. Até falecer há poucos anos, não sabia mais do que assinar o seu nome e treinava-o diariamente em qualquer bocado de papel, "para nunca esquecer". Que melhor lembrança a senhora poderia ter?

21 janeiro 2014

Sou médica interna.

"Sou médica interna. Sou médica daquelas que demoram muito. Não entupo urgências, porque não trabalho lá, mas deve estar muita gente à minha espera, na sala onde se espera. De certeza que pensam que sou “estagiária”. Não tenho carro, vivo numa casa alugada, pago as contas (às vezes em atraso). Trabalho, estudo, vivo em constante preocupação porque tenho que estudar mais, tenho de fazer relatórios e posters e apresentações. Vivo entre exames, artigos científicos e isso sim, trabalho, muito trabalho. Ao meu lado estão outros médicos internos. Raramente adoecem.. estão lá, ganham o mesmo que eu. Estou motivada, mas menos motivada, estou lá, mas às vezes penso que devia estar noutro sítio. Às vezes chego ao fim do mês à justa. No talão diz 1800… acho…, mas chega bastante menos à conta na CGD. Não sou especialmente ambiciosa. Nem especialmente poupadora nem gastadora. Compro roupa na Zara e móveis no IKEA (dos baratos). Tenho o apartamento alugado meio vazio, mas não faz mal porque passo lá pouco tempo. Tenho uma secretária de 1,50m de largura no trabalho, que está sempre muito cheia. Tenho o novo corretor ortográfico no computador, mas irrita-me. Vou à pagina da Ryanair quando estou pensar em férias. Mas cada vez penso menos. Não tenho animais de estimação, mas gosto de animais de estimação. De manhã acordo mais tarde do que devia, mas chego a horas ao trabalho. Vou a pé, porque vivo na baixa (isso deve ser um luxo). Estou inscrita num ginásio ao qual raramente consigo ir. Cada vez que abro o facebook vejo salários de políticos aos quais não sei atribuir significado. Depois vejo salários de médicos que não conheço. Às vezes leio os comentários das pessoas revoltadas com o que ganham os médicos, com o bem que vivem. Eu devo ser da classe priviligiada, porque sou médica. Não tenho carro, não tenho casa própria, não tenho um iphone, porque me parece excessivamente caro. Ganho 1200 euros. Tenho 30 anos. Matei-me a estudar na faculdade, tenho o trabalho em dia, mas não sou lá muito inteligente porque me esqueci de pagar a conta da edp. Na sexta-feira cheguei às 21:00 a casa (devia ter saído às 18:00) e tinham-me cortado a luz. Tenho de me organizar melhor. Na televisão não falam dos sacrifícios, não dizem que fiquei horas a mais a fazer o trabalho que estava a menos, porque sou lenta talvez… Deve ser isso. Não fui para a night porque estava esgotada. Dormir é uma das minhas grandes prioridades. Não vou muito ao cinema, nem vou aos eventos culturais de que gostaria. Não viajo muito, nem vou jantar a restaurantes caros. Sou médica… é verdade. Médica interna, jovem inexperiente. Daqueles que entopem urgências e custam muito dinheiro ao estado porque estão em formação… Deve ser melhor para os recém-assistentes que estão à espera do contrato para a semana há um ano… Ao longo do internato que vejo passar… só vejo as coisas piorar. Mas estou muito motivada, amanhã vou trabalhar."

Ana Cátia Morais
no blog mandrionices

20 janeiro 2014

CR7

Fogo, Cristiano Ronaldo, és espectacular.
Tomo a liberdade de te tratar por tu - espero que não te importes - porque somos conterrâneos, porque és a estrela do meu país, és da Madeira, de onde eu trago uma costela, e somos da mesma colheita de 1985. És como que um daqueles primos afastados que todos temos, daqueles com quem não falamos ao telefone mas de quem nos lembramos lá em casa ao jantar: "Sabes quem espetou 3 secos no Barcelona? O primo Ronaldo! Passa aí o pão, fachavor".
Tens tudo apontado a ti. Os holofotes de quem te admira e as flechas que quem te inveja. É o preço a pagar pelas maravilhas que te atreveste a fazer. És o somatório de tanto talento e muito (íssimo, muitíssimo) trabalho. E por tudo o que te reconhecemos, entramos em campo contigo em cada jogo, corremos em cada sprint e comemoramos em cada triunfo.
É um orgulho estarmos contigo e uma honra ter-te connosco.

Skylines

18 janeiro 2014

o cor-de-rosa da política internacional

Estas senhoras que o presidente Hollande encantou jogam todas na liga dos campeões da sensualidade, enquanto François Hollande milita na segunda divisão B da alopécia progressiva, da miopia e do próprio duplo queixo. 
Ricardo Araújo Pereira,
Governo Sombra

17 janeiro 2014

Dois dias do demo

"Levem o carro!", disse eu, carregada de boas intenções, "vou de metro estes dois dias, qual é o problema?". Nisto, desatam numa enorme gargalhada os deuses lá do Olimpo, mas eu não dei por nada. E por isso ficou combinado.
No primeiro dia foi S. Sebastião, deus do metro de Lisboa, que me passou a perna com o raio da greve. É bem feita, tivesse organizado a minha vida de maneira a precisar do metro no dia em que eles trabalhassem. Tudo bem...
Hoje foi S. Pedro. Eu, inocentezinha, pensei que como ainda era de noite à hora de sair e que a chuva molha-parvos era desagradável logo de madrugada, levaria a carrinha até à entrada do metro. Bem dito, bem feito, mas S. Pedro pensou "ah é? Espera aí". Quando saí do outro lado das catacumbas do metro é que foi! Mal tinha começado o caminho a pé até ao trabalho caiu uma saraivada monumental, tanto chovia de cima como de baixo, eu sei lá, as estradas transformaram-se em rios e os trovões faziam tremer os mais corajosos. E lá ia eu, sem sítio para me abrigar, calças molhadas até às coxas, agarrada ao guarda-chuva sem tocar na parte metálica - com medunça dos relâmpagos... -, debaixo daquela granizada épica, no percurso mais memorável da vida... E quando cheguei ao destino, nem bom dia nem boa tarde, toma lá a chave do outro consultório e não sais enquanto não tiveres a roupa seca. E foi uma horinha a virar as calças e as meias em cima do secador, e a secar as botas que, por acaso, se aguentaram muita bem, benditas caterpillar anti-dilúvio.
O fim-de-semana vai ser em casinha (não, brincas...), à espera da próxima gargalhada divina...

16 janeiro 2014

Me aguardem

Mudei o blog para cor de rato gay. Eu sei que é uma cor meio mal esgalhada, mas as cores meio mal esgalhadas também têm direito aos seus 5 minutos de fama, nem que seja numa página apenas com 4:30 minutos de fama. Que ainda estão para vir.

Smile more! #3

13 janeiro 2014

First world problems

É assim todos os dias. Fico na cama até à última, custa-me horrores arrancar o rabo da cama, ainda mais durante o Inverno quando está frio e é noite cerrada lá fora. Nesses minutos extra, até sonho que me estou a arranjar para sair, tal é a consciência pesada. Mas quando volta a tocar o despertador, está tudo por fazer. E no meio disto tudo, nunca sei o que hei-de vestir.
 
Um stress...
 


12 janeiro 2014

Frère Jacques, dormez-vous?

Os senhores da Visão andaram a estudar estas coisas do sono e chegaram à conclusão de que uma noite em branco (ou pelo menos mal dormida) pode ser muito giro, mas faz mais estragos do que se pensa. A mim, em particular, dá-me a volta ao sistema e fico que nem posso. De resto, além de coisas mais (e outras ainda mais) desagradáveis - aumento do risco de se tornar obeso, de contrair alguns tipos de cancro, de ter diabetes, de doenças cardíacas, de depressão - dizem eles que leva a:
- Ter mais fome. Verdade! bolachas, chocolates, dá-me vontade de cometer pequenos pecados em elevadíssima frequência e quantidade...
- Mais predisposição para ter um acidente. Parece-me óbvio. Quando saio do hospital a seguir a uma urgência venho de janela aberta, a mascar pastilha e rádio aos gritos. E se tivesse ali à mão uns palitos para segurar as pálpebras, também iam. Por favor tenham cuidado...
- Ser menos sociável: bolas, esta acontece todos os dias de manhã. Preciso dos meus 5 (10, 30, ...) minutos de silêncio. Não silêncio absoluto, mas se não falarem comigo a coisa passa. Se não tiver dormido, então, talvez precise de 5 (10, 30, ...) horas, quem sabe?
- Menos beleza. Quem diz isto são uns investigadores suecos e de que é que os suecos percebem? De suecas, portanto é de acreditar.
- Sistema imunitário enfraquecido. Dizem eles que menos 7 horas, três vezes mais gripes. Registe-se.
- Perda de tecido cerebral. Bem, cérebro em roquefort não é para brincadeiras...
- Concentração e memória afetadas. No meu caso, já não são aquela maravilha, depois de uma directa, então, não sou capaz de fazer uma sinapse em condições nem que me batam...
- Diminuição do apetite sexual. Pronto, o "tenho sono" é assim como que uma versão B do tão famoso "ai que grande dor de cabeça!".

Posto isto, até amanhã.
Durmam bem, mes enfants.

Não esperava nada menos, com 11 Eusébios em campo.

Um brinde aos dias bons

Riem-se de mim porque gosto de comemorar tudo e mais alguma coisa. Tenho a agenda cheia de coisas boas. Nos aniversários há festa; nas décadas há festão. Cada mês de namoro merece um jantar, cada dia importante merece um brinde. Os mil meses do Avô tiveram um bolo de chocolate de surpresa; os 1100 da Avó tiveram outro. O passar dos anos na escola, o fim do curso, o primeiro ordenado. O primeiro dia do ano e o último; o carnaval, a Páscoa, o Natal. A festa de Armação, o dia da sardinhada e as mariscadas. Todos os dias bons dão direito a celebração.

No fundo é uma maneira de dar um sentido aos dias felizes para que os infelizes não sejam mais que pedras no caminho. E com essas, aprendi há muito tempo, cá em casa constroem-se castelos.
The only way to get rid of temptation is to yield to it... I can resist everything but temptation.

Oscar Wilde

07 janeiro 2014

Namore uma garota que viaja!

Namore uma garota que viaja! Uma garota que prefira gastar seu dinheiro numa viagem no final de semana, uma viagem bate-e-volta que seja a torrar numa promoção do shopping. Ela anda com calçados confortáveis, pois nunca sabe qual distância ela irá andar aquele dia, afinal, ela não reconhece as distâncias como barreiras na vida.
Ela estará na rodoviária com um mochilão no próximo final de semana, ou em shows de bandas que você nunca ouviu falar “porque conheci eles a um ano atrás, viajando”.
Ela carrega na bolsa lembranças de vários lugares diferentes, e sempre tem um lanchinho ou uma garrafa d’agua dentro dela, pois vai que ela não volta pra casa naquele dia? É marcada em mil fotos diferentes, de pessoas que moram bem longe dela, coleciona presentinhos que ganhou dos amigos que conheceu pela estrada, tem planos para viajar pelos próximos 5 anos para rever todos que teve que deixar pelo caminho. Encontra pessoas no meio da rua em um lugar bem longe onde jamais você conheceria alguém, e você verá que do outro lado do mundo tem alguém que a olha com o mesmo sorriso bobo que você faz quando a vê.
Ela não será a pessoa mais bem vestida por aí, porém a pele queimada de sol e o corpo com os músculos naturalmente desenhados de tantos dias nas montanhas combinadas com brincos sulamericanos, uma mochila da espanha e sapatos da ásia farão uma combinação de estilo tão único, tão vibrante, que você já saberá alguma coisa sobre ela antes mesmo de perguntar seu nome. Não jogue com ela, não diga que ela é linda, pergunte de onde vem essa camiseta que ela veste, escute-a, veja a simplicidade da resposta e não se preocupe: você viajará com os “causos” delas antes mesmo que perceba isso.
Ela lê livros de viagens, escuta eddie vedder na estrada, sabe nome de lugares maravilhosos os quais você nunca havia ouvido falar antes. Fala com uma paixão sobre os lugares que é impossível não ter vontade de pedir demissão amanhã do trabalho, colocar a mochila nas costas e ela do lado. Muitas vezes vai te surpreender resolvendo coisas de um jeito totalmente novo, dizendo quando vir sua cara de espanto “é que uma vez quando eu estava viajando, aconteceu algo assim e…”. Ela vai querer te levar em todos os lugares em que esteve sozinha, e pensou como seria bom se estivesse acompanhada, vai fazer uma lista com você de “coisas para se viver esse ano”, vai completar com toda certeza, vai trazer cenários de filmes para sua vida, vai te fazer acreditar passar a noite num saco de dormir com o céu estrelado te faz sentir muito mais especial que qualquer quarto de hotel estrelado.
Namore uma garota que viaja porque ela ama a vida. Ela não tem tempo para picuinhas, sabe que a vida voa, e que é melhor amarmos agora, na maior da intensidades, porque nunca se sabe que curso a vida tomará amanhã. Você pode ir embora, se apaixonar por outro lugar, por outra vida, que não a inclua. Ela pode reclamar, mas sabe bem que isso acontece. Vai vibrar com suas conquistas que te levem pra longe dela, pois sabe o prazer que o desconhecido causa, e sabe também que as distâncias jamais levam as pessoas que amamos de verdade de nós, pelo contrário, as fixam que nem tatuagem. Não tem muitas coisas materiais, sabe que roupas desnecessárias na mala significam um problema de coluna por peso, passa dias e dias apenas com algumas peças, e continua linda se ver: ela se veste dela mesmo, e não há como bater isso.
Não siga padrões com ela. Não faça nada que envolva muito dinheiro com ela. Escolha o caminho mais bonito da cidade para atravessar a cidade do trabalho dela até a sua casa, ou até o restaurante de comida peruana mais próximo, preste atenção nos comentários que ela fizer sobre as coisas no caminho. Uma garota que viaja tem um olhar aguçado de uma criança, vai te fazer reparar numa planta florida, num grafiti fantástico que você nunca reparou, num anúncio colado no ponto de ônibus de um show interessante, vai definir os lugares pelos cheiros agradaveis no ar: “roma tem cheiro de pizza, que nem esse cheiro agora”. Tudo coisas que de dentro de um carro importado com o ar condicionado ligado, não aconteceria.
Você viverá o momento presente como nunca. Ela te chamará atenção para tudo que está a sua volta, e não na briga que tiveram ontem. Ela vai ser a trilha sonora da tua vida.
A garota que viaja sabe te ouvir. Já ouviu muita gente do mundo inteiro, e o que alegrava os dias mochileiros dela era justamente se inserir nas histórias de tão longe. Ela repara o que ninguém repara no que você fala, só você havia prestado atenção nisso. Ela te ajuda sem esperar o retorno imediato, sabe como é essa vida, já foi ajudada inúmeras vezes na estrada sem que a pessoa pedisse um tostão de volta, e voltou para casa certa de fazer tudo diferente, pois sabe o quanto isso pode significar na vida da outra pessoa. Ela não liga para coisas pequenas como datas e presentes, ela liga para o quanto você andou para encontrá-la, o que você prestou atenção das coisas que ela te disse para mandar uma mensagem no celular dizendo “tá tocando aquela música que você disse ser a música de Cuzco. Saudades!” e provavelmente a resposta será: “Escutaremos ela de novo, lá”.
De repente, sua vida tomará um ritmo acelerado, cheio de novidades. Porém não descuide: traga novidades para a vida dela também, mantenha a curiosidade dela sempre acesa. É indispensável que fique na sua cabeça que estamos falando de uma menina apaixonada pela vida. Logo, não corte suas asas. Ela vai, caso você não possa ir. Ela volta, porque você é o motivo para ela se lembrar do caminho de volta. Acompanhe-a sempre que puder, e não espere para propor qualquer programa para ela, por mais louco que julgue ser. Ela vai sorrir e bolar várias coisas a mais para complementar o plano de vocês, e vai se encantar com sua energia. Ela sabe se encantar pelas coisas boas da vida, seja uma delas! Então juro: não há o menor risco de se arrepender.
Casamento é algo que assusta a maioria das garotas viajantes, mas no fundo é o que mais elas querem: alguém que elas possam rir tomando “uns bons drinks” relembrando as histórias de 1, 2, 8 anos atrás, alguém que tope uma casinha simples num lugar paradisíaco, e mesmo que você não faça a linha radical, que tire as fotos do rafting que ela estava louca para fazer, e a ajude a contar depois para os outros como foi a loucura, com a mesma empolgação. É, você vai se empolgar. Ela vai te propor um casamento numa montanha, com o Sol nascendo, ou na fazenda de um dos seus amigos, só com aquelas 50 pessoas que com toda certeza irão. Seja lá o que for, vai ser incomum, impensado como ela é, impensável, imprevisivel. E a lua de mel, não espere menos que um mochilão! Menos dinheiro em cada lugar, mais lugares no itinerário, vários passeios e comidas curiosas encontradas pelot caminho que não são oferecidas pelas agências de viagens. Aliás, agência o que?
A menina que viaja não tem medo da idade, não tem medo das responsabilidades, das obrigações: ela já viu inúmeras soluções para cada caso por aí, já tem tudo montado na cabeça. A família de vocês vai ter um conhecimento de mundo incrível. Seus filhos vao saber o valos de cada refeição que tem, de cada teto que dormem, de cada monumento histórico que encontram na frente. Ela vai os ensinar respeitar e amar incondicionalmente a natureza, e ter uma habilidade incrível de se enturmar com qualquer tipo de pessoa do mundo. Serão pessoas bem queridas onde quer que vão, se depender de vocês. Ah, e não se esqueça do cachorro(s).
Pense nela aos 60: mesmo sorriso, mesmas andanças. O que te atrair nela, provavelmente será pra sempre, invariável com o tempo. uma pessoa acumulou uma qualidade de experiências notória, e que a cada dia que passa se divertiu com menos, se aborreceu com quase nada. Já terá vivido tanta coisa por aí que será a atração dos netos de todas as idades, explicando o significado do quadro maya estranho na parede, e fazendo a dança indiana no casamento de um deles. Esse tipo de alegria nunca se apaga, só se prolonga, e se espalha a quem a cerca.
Namore uma menina que viaja. Se ela te escolher, acredite: já passou tanta gente pela vida dela, de longe, de perto, pouco tempo, muito tempo, e se ela te escolheu é porque ela realmente GOSTA de você. Sem inseguranças ou interesses, ela gosta de você e pronto. Deixe-a te carregar pela mão, durma no colo dela nas rodoviárias, delicie seu miojo de acampamento. Deixe o mundo ser apresentado a você, caso ainda não tenha sido, e veja como alguém pode, definitivamente, ser a chave da sua alegria.

Rodrigo Nominato

Estão mesmo a pedi-las

Senhor da Protecção Civil,

"Comportamentos de risco" não chega sequer para começar a descrever o que anda a fazer a malta que vai ver o mar estes dias. Vamos chamar-lhe apenas "burrice", ou "falta de amor à vida", ou mesmo "estupidez". Porque é assim que funciona a seleção natural: sobrevive quem está mentalmente preparado para pensar. Quem acha que é boa ideia ir ver como são por dentro as ondas de 18 metros, só pode ser estúpido. Ou se calhar estão à espera que apareça um McNamara ou uma Maya Gabeira a surfar um farol ou a pedir uns tremoços ao Barbas em formato de drive in. Deve ser isso...



Fotografia de Miguel Oliveira.

06 janeiro 2014

"Dizem que o Eusébio morreu. Como se isso fosse possível."




Tudo o que o Eusébio foi, tudo o que representou, tornaram-no maior que a vida.
Era um homem simples, de origens humildes. Viveu o futebol como poucos, representava toda a garra, toda a chama dos grandes homens. Foi enorme num tempo pequeno de um pequeno país.

Hoje impressionou-me ver meninos a chorar, eles que nunca o viram jogar mas por alguma razão sentem que se perdeu alguém importante. Em casa dos meus avós há fotografias dos netos, fotografias dos filhos, fotografias dos avós. E uma com o Eusébio. Não há português que não se orgulhe do seu Eusébio. Não há viajante que não se tenha orgulhado de dizer: "Sim, sou do país do Eusébio". É símbolo do Benfica, do futebol e de Portugal.

Hoje o país está triste porque enterrou um de nós.
Mas o Eusébio viverá sempre enquanto alguém gostar de futebol.



Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema.


Manuel Alegre

03 janeiro 2014

01 janeiro 2014

Arte

Correndo o risco de (pare)ser uma pequena ignorante, venho partilhar o descontentamento que cresce em mim desde há momentos quando, vindos de Bilbao, os meus pais me mostraram uma obra de arte que os impressionou, em exibição no museu Guggenheim.
Aos anos que eu ando a expor, mesmo aqui no meu quarto, obras de qualidade semelhante e grandiosidade quiçá mais imponente ainda, sem qualquer reconhecimento...



Estou convencida de que apenas após a vida terrena, o meu toque artístico alcançará todo o seu esplendor. Até lá, viverei à margem das luzes da ribalta...

Life's good


Imagem daqui.

31 dezembro 2013

Cheerio, 2013!



Imagem daqui.

Balançando

2013 tinha a vida facilitada. Depois de um 2012 mau e de um 2011 péssimo (a pior das minhas 28 primaveras, claramente), 2013 chegou no meio de expectativas muito rasteirinhas, à excepção de dois ou três dias que aí vinham para me alegrarem o ano.
Comecei a trabalhar, foi bom. O primeiro ordenado? Estafei-o todo num presente para a Mãe, outro para o Pai, numa jantarada com a família, num belo jantarinho com o mais que tudo e num recuerdo pour moi que, a bem dizer, ainda não tive oportunidade de estrear. Mas lá chegaremos.
Com o trabalho novo vieram também as urgências nocturnas que todas as vezes me levam uns anos de vida e me acrescentam umas rugas que ainda não se vêem mas estão lá, eu sinto!
Fevereiro, Março (mesmo assim com letra maiúscula, que ainda não me rendi ao acordo ortográfico e por isso mantenho com muito orgulho o meu português arcaico), passaram-se bem. Inscrevi-me na piscina, mas o que não me seduzia aos 7, também não o fez 20 anos depois. "Desinscrevi-me" da piscina e inscrevi-me no ginásio. Não adoro as máquinas, mas zumbo que nem uma zumbadora profissional. Não, a sério, safo-me meio mal mas divirto-me e venho para casa com o 'Show das Poderosas' na cabeça. Não é bom, é óptimo.
Em Abril fizemos 7 anos de namoro. 7. (Para veres ao tempo que eu te aturo!)
Maio, bem, em Maio o meu Benfica espalhou-se ao comprido e nem campeonato, nem Taça, nem Champions, nem nada. Uma miséria. (Já se está mesmo a ver para o que vai um dos meus desejos de 2014, não está? Fluidos positivos que toda a ajuda é pouca!)
Em Junho fomos uma semaninha a Istambul, mesmo quando lá andava tudo à paulada, que é para pôr um check no "turismo de guerra". Esqueçam lá ir à Capadócia e a Antália, deixem-se ficar quietinhos a ver as mesquitas e passear no Bósforo a ver se não dão por vocês. E não deram.
Depois houve um casamento no Porto, o Bon Jovi veio cá cantar para mim (mas também havia outras pessoas a assistir) e começou a época das despedidas de solteira. E mais não digo porque no puedo.
Julho, Agosto, 2 semanas de férias para ver o que é bom. E agora chora pelos 3 meses que tinhas porque o que lá vai, lá vai...
Em Setembro é que foi. Vários aniversários, três casamentos. Fiz anos enquanto os meus melhores amigos andavam a passear pelo mundo em luas de mel. Na boa, quando vocês fizerem anos também vou arranjar essa desculpa para não estar cá. Todas as vezes!
Em Outubro nasceu o meu baby-afilhado, que foi baptizado há 15 dias, com sus compañeros gémeos que estão tão queridos que só visto.
Em Dezembro decidi nem mais nem menos que o resto da minha existência. A Medicina Geral e Familiar tem uma nova aquisição que promete trabalhar para que a especialidade evolua e cresça cada vez mais. (Bom slogan...)
E prontus. Agora tenho as cuecas azuis a postos e a lista de 12 desejos preparada (mais um suplementar, não vá ser preciso). Mais logo, há-de haver champanhe na mão e um brinde aos próximos 365.

27 dezembro 2013

Foi dia de trocar presentes

Pára, arranca. Procura lugar. Filas, gente. Veste, despe. Tamanho abaixo, número acima. Fila para pagar. Espera. Espera. Espera. Outra loja. Pede. Espera. Fila no provador. Fila para trocar. Outra loja. Outra loja. Outra loja. Estacionamento. Fila para pagar. Fila para sair. Fila até casa.

Estou
cansada.

22 dezembro 2013

Compras de última hora? Todas...

Não sei como é que isto me aconteceu, mas estamos a dois dias do Natal e eu tenho exactamente zero presentes comprados. Eu que adoro dar presentes, estou neste estado de irritação porque detesto ter que andar às compras por obrigação no meio de metade de Portugal. E quanto mais tempo passa, pior!
No ano passado por esta altura estava tudo mais do que tratado, andava descansadíssima da vida a passear por Londres a olhar para as luzinhas e a andar de roda gigante.
Ontem fui à Baixa... Está o caos. Antes de chegar demorei três séculos no trânsito; encontrar um lugar para estacionar é mais difícil que achar a agulha no palheiro; as ruas apinhadas de gente; animação q.b. (duas tunas, trinta grupos de escuteiros, os homens estátua do costume - daqueles que se mexem, que são os mais difíceis! -, os pregadores do fim do mundo e o senhor da bola de cristal e mais os escoceses e os homens das bolhas de sabão). O Terreiro do Paço, então, era para esquecer... Valeu o espectáculo "Circo de Luz", projectado na fachada, de costas para o D. José que, coitado, não viu nada.
E, enfim, como eu adoro caos, hoje vou voltar e não saio de lá sem ter tudo comprado. Eyes on the prize!

08 dezembro 2013

Natação, Natacinha

Fui a piscina. Nadei mega rápido, fiz uma hora em 10 minutos e pouco depois de sair de casa já estava a tocar à campaínha. Sou mais rápida que a minha sombra.

Ou então durante a semana não consegui pôr lá os pés, ontem enganei-me no horário e hoje dei com o nariz na porta.

Foi uma das duas.

As táticas do JJ

Para azar do nosso JJ, captaram imagens do bloco de notas - paparazzi, com câmaras super potentíssimas -, onde o nosso mister aponta as suas melhores ideias de táticas. Tinha tudo para estar a funcionar...




Do blog Cabelo do Aimar.

07 dezembro 2013

Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à nossa humanidade. O mundo só terá uma geração de idiotas.

Albert Einstein