19 outubro 2013


Vergonha

Não sei se é mais penoso ter vergonha por algo que se fez ou por algo que não se foi capaz de fazer. Tenho a última. A sensação da não ter sido capaz, o peso da desilusão. Falhei redondamente. Vergonha...
Não devia, não precisava, por favor, não há razões para isso, não quer dizer nada. Quer dizer tudo. Para mim, pelo menos, que devo ideias diferentes das vossas - e talvez erradas -, mas minhas. Por isso me custa assim. A mim.
Ninguém ma tira.

17 outubro 2013

Numa palestra

Para responder à sua pergunta vou dar-lhe uma resposta biquíni: curta mas cobrindo os pontos essenciais.

15 outubro 2013

Note to self

Trabalhando de noite no serviço de Urgência:
Se não queres jantar às 5 da manhã, não comas a ceia às 22h.

13 outubro 2013

Para quem diz que o leite faz mal à saúde

Jaroslav Wieczorkiewicz é o idiota que montou isto tudo. Pegou nuns copos de leite e numa câmara mega-rápida e fez nem mais nem menos do que as fotografias que se seguem (e mais umas quantas... cliquem aqui que têm o link para ver o resto), a recordar as magníficas pin-ups de outros tempos. É o poder da tecnologia aliado à pinta das miúdas. Muito bom!


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07 outubro 2013

Nem William, nem Harry

Da moda

Devo ser das maiores fashion-outsiders que existe. Não é que tenha um grande orgulho nisto (nem vergonha... a bem dizer, é-me mais ou menos indiferente), mas realmente o meu estilo, se é que se pode dizer que tenho um estilo, é completamente clássico. Tenho roupa que uso há séculos, nunca na crista da onda, mas nunca fora de moda. Mocassins usam-se sempre, Levis usam-se sempre, blusas, casacos de malha, um fio de prata... Há coisas que nunca saem de moda.
Qual é o problema?... É que de vez em quando uma pessoa, por muito neutral que seja, gosta de dar um arzinho da sua graça e usar alguma coisa mais in. É nestas alturas que a minha irmã J. entra em cena e me dá aquela ajuda caridosa de quem compreende o meu drama. Mas nem sempre isso acontece e há vezes em que vou às compras (que no meu caso se traduz em "por acaso passei por uma loja e entrei") e, sinceramente, nem sei para onde me hei-de virar!
E era isto que se estava a passar no outro dia, quando aconteceu algo extraordinário: ao meu lado a passar cabides estavam duas miúdas, claramente fashionistas, a comentar tudo o que viam. E eu, stalker, fui ali ao lado, como quem não quer a coisa, absorvendo todo o conhecimento, tirando das prateleiras as peças certas e montando os looks do momento, qual boa aluna. Tudo correu bem, até entrar no provador. Há limites para as calças justas, tops curtos, camisolonas largas... Alguma vez eu usava aquilo? Só trouxe uns calções que, tenho que admitir, nunca tiraria do cabide mas me ficam a matar! De resto... Não tenho cura.


02 outubro 2013

Palavra de honra que não percebo quem ponha bairrismos medíocres à frente da defesa do seu país, do que é de todos nós, do orgulho em ser português. Que vergonha.

01 outubro 2013

Para hoje, temos

chuva lá fora, a bater na janela. Manta fininha, só para aconchegar. Música clássica ao fundo. "O homem de Constantinopla".


Não é para brincadeiras...

Portugueses compram 75 mil embalagens de medicamentos psicotrópicos por dia.

27 setembro 2013

Não são muitos, mas são muito bons. Alguns que são e estão comigo muitas vezes – e eu com eles –, e com quem não me canso de conversar e passear e estar!, e que desejo que entrem na categoria do "para sempre". Outros que pode ser que venham a ser, mas que ainda é cedo para dizer (há sempre espaço para mais um). Mas também há os que foram e os que, coitados, já eram, mas que terão sempre aqui um cantinho guardado para se voltarem a ser – já tem acontecido. E depois há aqueles que sempre foram e sempre são (e que, espero, sempre hão-de ser), que mesmo que não estejam sempre ali, estão sempre lá para o que der e vier. Esses são os tais, os da “letra maiúscula”, os que se alguma vez tencionarem deixar de ser, hão-de voltar, puxados pelas orelhas, porque já não têm direito ao pretérito perfeito.

Os Amigos.

Sou uma privilegiada.
Ainda não decidi se vens viver para ao pé de mim, mas, meu menino, ando de olho em ti...


Se eu registasse tudo o que (me contam que) digo quando estou a dormir...

- Haha! Fantástico! Isto está cheio de mosquitos!... Aqui dentro!

26 setembro 2013

Não, não, não!





Sim, sim, sim!





Mom, read carefully:


É ela e eu...

Mal de amores

As maleitas do coração são com frequência as que mais preocupam os doentes. E com razão, que há coisas gravíssimas que se passam por ali:

"Olhe, excusa de procurar que eu digo-lhe já o que é isto" (eh lá, queres ver?) "isto, para mim, é coração." (Para que é que a malta se mata a estudar, se os familiares só querem saber que órgão é?)
 "... estou cheia de artérias! (Oi?) Sim, já fui ao ortopedista e ele disse que o problema são as minhas articulações!, estão cheias de artérias!" (Artroses...)
"... a minha médica até já me disse que eu já tive - pelo menos por 3 vezes - batimentos cardíacos!" (Minha senhora, pela sua saudinha, espero que tenha tido muitos mais...)


25 setembro 2013

That's just sad... Note to self: "Don't."

London skyscraper melts Jag

Conhecida que é a minha curiosidade pela área da Engenharia / Arquitectura, imaginem qual não foi o meu espanto quando li esta notícia, do novo arranha-céus londrino que, por um cálculo errado - em pounds, bem entendido - reflecte de tal maneira a luz do sol, que derrete Jaguares e estrela ovos...
Magnífico!

Intense light beams down from the new "Walkie Talkie" tower in central London on Friday, August 30. The curved side of the glass tower reflects such a strong beam of light that it has melted parts of cars.

A man shades his eyes in a shaft of intense sunlight reflected from the glass windows of the building on August 30.

Martin Lindsay's Jaguar XJ was damaged by the bright light reflected by the skyscraper.

Saudades, verão.

Roupa de praia lavada; toalhas dobradas e arrumadas; biquínis separados em saquinhos; chinelos guardados; chapéus nas caixas. E o creme ali na gaveta para cheirar quando der a saudade da praia...

24 setembro 2013

Como é que eu não hei-de ir para velha?...

Eu gostava de saber se posso processar a Ordem dos Farmacêuticos

Eu gostava de saber se posso processar a Ordem dos Farmacêuticos pelo "Crime de nos Andar a Atirar Areia Para os Olhos". Ainda não ouvi ninguém vem dizer 'ah, não senhor, isso é tudo mentira': do que se queixam é de que a generalização é abusiva (naturalmente, como todas), e como só houve x denúncias, vamos mas é esquecer isto. A sério??
É que já não bastava a palhaçada das receitas onde se diz que o fármaco prescrito custa “ no máximo X€, a não ser que se opte por um mais caro”... Meus senhores, isto não significa absolutamente nada!! Trocando por frutas – que é assim que se aprende a fazer contas - é o mesmo que haver à venda laranjas a 0,90€, mas na lista de compras termos que elas custam no máximo 1,50€, a não ser que queiramos comprar as mais caras! Que tipo de informação é esta? A intenção não era que as farmácias tivessem alguns dos genéricos mais baratos?... de boas intenções está o inferno cheio.
Mas tiremos isto a limpo: experimentem saber os preços reais dos genéricos mais baratos de algum medicamento. Entrem numa farmácia e peçam-no. Depois falamos.

23 setembro 2013

Something to live for

Coisa boa de acabar o Verão: nada.
Coisa boa de começar o Outono: Ferrero Rocher!

Fact.

A segunda localização que gravei no telemóvel (um telefone espertíssimo) diz que aí é fim da tarde, que há nuvens no céu e que amanhã é bem capaz de chover. É verdade? Não sei se acredito... Tenho visto o registo do teu olhar ao lado desse príncipe nórdico que desencantaste ali para os lados de santana. Diz que todos os dias têm sido radiosos, de um sol quente e esplendoroso. Como que a prever todo o bom tempo que têm por diante, como que a dizer que não se preocupem, que por muitas cargas de água que caiam, o sol há-de brilhar enquanto brilhar o vosso olhar por estarem juntos.
Está bom tempo e eu estou feliz por vos ver assim.

22 setembro 2013

As folhas avermelhadas também têm direito a ser felizes


Hospital Pulivalente,

é algo que não existe, mas que bem podia existir, tal é a quantidade de vezes que lhe dão esse nome.
Estou a falar daquele Hospital de Lisboa, ali para os lados do Lumiar, que se chama - pasmem-se - Hospital Pulido Valente.
E quem é esse?, perguntam as vossas almas, ávidas de conhecimento. É este:

Francisco Pulido Valente foi na sua época um notável médico e professor da Faculdade de Medicina de Lisboa. Defendeu tese em 1909 e dois anos depois, após concurso de provas públicas, foi nomeado médico efectivo dos Hospitais Civis. Foi assistente de Psiquiatria e especializou-se no estudo de doenças nervosas e Cliníca geral. Foi mobilizado para França (1917) onde dirigiu os serviços de doenças infecto-contagiosas, inicialmente no Hospital de Cherville e depois no Hospital Militar de Hendaia e no da Base nº2. Regressando a Portugal, reassumia as funções anteriormente prestadas, ascendendo a professor catedrático e regendo a cadeira fundamental de Cliníca Médica.
Homem de grande cultura cientifíca, competência excepcional, visto como um renovador na Faculdade de Medicina. Representou Portugal em diversos congressos cientifícos e foi premiado por diversos trabalhos neles apresentados. Sempre viveu afastado da vida política militante, assumido republicano, destacou-se pela sua intrasigência na famosa greve académica do tempo de João Franco. Em Junho de 1947, determinado em Conselho de Ministros, foi-lhe retirada a cátedra por ser considerado desafecto à política de Estado Novo dedicando-se então à clínica particular.
Este grande clínico, um dos maiores do País, avesso a todas as formas de publicidade, é autor de vários e valiosos trabalhos de investigação. De entre eles assinale-se: Introdução ao Estudo da Histeria; A Etiologia e a Patologia da Paralisia Geral; Um caso de Actinomicose; Estudo Clínico e Experimental; Sobre Vinte e um Casos de Encefalite Letárgica.

Enciclopédia Luso-Brasileira

O fim de 3 semanas a todo o gás.

Três casamentos, dois afilhados, três aniversários, uma viagem. E trabalho nos intervalos.

Ando a correr há três semanas para estar em todo o lado, para que todos gostassem dos seus dias... para que tudo corresse como correu: maravilhosamente.
Quem corre por gosto não cansa, mas pelo sim, pelo não, hoje dormi tudo o que pude.


15 setembro 2013

Planeta Sérgio

Eu, que ainda sou do tempo em que Plutão era planeta - estatuto de que foi vergonhosamente destituído -, vejo-me agora algo apreensiva perante esta notícia. Estou a imaginar os senhores que conduzem a nave: "oube lá, o que é aquele calhau ali à esquerda de quem passa marte?"
Mas não é que não queira dar as boas vindas ao novo anãozinho! O problema é o oposto: Uma pessoa afeiçoa-se e depois, quando se lembrarem que afinal não é para ser planeta, é uma tristeza...
Aí é que vão ser elas!

03 setembro 2013

Mas o que é isto? Todos os dias me aparece aqui um tipo - só pode ser um tipo - à procura de "miúdas na praia de armação de pêra". Filhinho, se me ouves, a época está a acabar!... Se queres ver as miúdas põe-te mas é a caminho senão já não chegas a tempo!
Chegar das férias, entrar às 8 da manhã e ter Urgência à noite...
Ninguém merece!

30 agosto 2013

Fidalgos, queques e betinhos

Os Portugueses têm algo de figadal contra todos os que tenham algo de fidalgal. Como as crianças, confundem muito a fidalguia, que é uma simples condição social, com a aristocracia, que é um sistema político em que o poder pertence aos nobres. E, no entanto, como diria Chesterton, não há mérito automático em ser fidalgo, nem vergonha em pertencer decididamente (como eu) à ralé.
Em Portugal a nossa civilização deve muito a duas classes minoritárias. Ambas são gente simples, com posses reduzidas e educação informal. Refiro-me, obviamente, à plebe e à nobreza. O pretensiosismo dominante, seja proletário ou possidónio, seja triunfalista ou disfarçado, encontra-se nas classes restantes, que constituem a grande maioria da população. Mas um pastor ou um pescador é tão senhor como um fidalgo. Como ele, vê o mundo de uma maneira antiga, em que cada coisa tem o seu lugar, o seu sentido e o seu valor. O pior é o operariado, a pequena, média e alta burguesia: enfim, quase toda a gente. É esta gente que se preocupa com a classe a que pertence. Enquanto o pastor e o visconde se ocupam, os outros preocupam-se. Os primeiros não querem ser o que não são. Os outros adorariam. Os primeiros aceitam o que são, sem vaidade. Os outros têm sempre um bocadinho de vergonha e por isso disfarçam, parecendo vaidosos.
Quem é fidalgo e quem é que quer ser?
Em Portugal existem três classes distintas. Há a classe dos fidalgos – os meninos “bem”. E depois há duas classes falsamente afidalgadas. Há os meninos “queques”, filhos de pais “queques” mas com avós que não. E há os “betinhos”, filhos de pais que, simplesmente, não.
O “menino bem” é aquele que não sabe muito bem em que século começou a fortuna da família. Geralmente é pobre, com a consolação irritante do passado rico. É muito bem-educado e jamais se lembraria de lembrar aos outros que é “bem”. O “queque” sabe perfeitamente que foi o avô ou o bisavô que abriu a fábrica ou a loja que enriqueceu a família. Geralmente é bastante rico. Embora tenha frequentado os colégios correctos, tem sempre um enorme complexo de inferioridade em relação aos “meninos bem”, o que o leva a fazer-se mais do que é. De bom grado trocaria grande parte da sua fortuna pela antiguidade e pelo prestígio de um bom título.
Finalmente, o “betinho” é aquele cujo pai nasceu pobre, indesmentivelmente operário. O betinho procura dar-se, em vão, com queques e meninos bem, mas a sua educação é formal e institucional, não familiar. É o mais rico de todos, mas é também o mais envergonhado. O betinho por excelência é aquele que não suporta a vergonha de um pai nascido entre o povaréu. Evita apresentá-lo aos amigos. Tudo faz para ocultar a sua proximidade genealógica ao vulgacho.
Tanto o queque como o betinho são o resultado de self-made man, homens que se levantaram pelas próprias mãos, quantas vezes rudes e calejadas e tudo o mais. O menino bem, em contrapartida, nem sequer compreende o conceito de self-made man. Porque é que um homem se há-de “fazer a si próprio” quando houve sempre pessoal, criados e caseiros, para se ocupar dessas tarefas desagradáveis?
Distinguem-se em tudo. A falar, por exemplo. O menino bem usa todas as formas de tratamento, desde “a menina” – A menina vai levar o Jorge ou vai sozinha no Volvo? – até ao “Psst, tu que fumas”.
O queque, por ser menos seguro, trata toda a gente por “Você”, incluindo os criados e as crianças (o que não é correcto, mas parece). O betinho, a esse respeito, está em absoluta autogestão. Tenta tratar mal aqueles que considera inferiores (demasiado mal) e bem aqueles que considera superiores (demasiado bem). No fundo é um labrego engraxado que julga sinal de aristocracia dizer os erres como se fossem guês.
O que caracteriza o menino bem é o seu total à vontade no mundo. Nunca se enerva, nunca hesita, nunca está muito preocupado. Haja ou não dinheiro. O menino bem dá-se bem com a pobreza e encara o sobe e desce da sorte com a naturalidade com que aceita a circulação do sangue pelas veias. Por isso dá-se bem com toda a gente. Nada tem a perder ou a ganhar.
Os queques não são assim. Pensam que nasceram para o brilho baço do privilégio. Vivem obcecados pelo dinheiro já que é o dinheiro que lhes permite comprar todos aqueles adereços (relógios Rolex, automóveis Porsche) que consideram indispensáveis ao seu estatuto social. Um menino bem, em contrapartida, nunca usa relógio – porque é que há-de querer saber as horas? O queque só se dá com pessoas “do seu meio”. Enquanto o menino bem tem aquele rapport feudal com caseiros, varinas e pedreiros, que constitui uma forma multissecular de intimidade, o queque aflige-se em “manter as distâncias” com esse gentião, precisamente por serem tão curtas.
O betinho é uma pilha de nervos. Ninguém o respeita. Dá-se quase exclusivamente com outros betinhos, do mesmo ramo de importação de electrodomésticos ou da construção civil. Não gostam de sair da sua zona. Os de Lisboa, por exemplo, só quando há uma emergência é que saem do Restelo. Ao contrário dos queques, evitam falar em dinheiro porque se sentem comprometidos. Esforçam-se mais por serem meninos bem do que os queques, que julgam já serem meninos bem. Andam sempre vestidos pelas lojas mais tradicionais (camisa aos quadradinhos, casaquinho de malha, jeans novinhos e mocassins pretos com correiazinha de prata ou berloques de cabedal), ao passo que os queques compram roupa mais moderna na boutique da moda. Escusado será dizer que os autênticos meninos bem andam sempre mal vestidos, com a camisola velha do pai e as calças coçadas do irmão mais velho. A única diferença é que as camisolas e as calças que têm em casa duram cem anos. Os avós já compram camisas a pensar que hão-de servir aos netos. Aliás, os fidalgos são sempre mais forretas que a escória.
No que toca aos hábitos alimentares, os meninos bem comem sempre em casa. Como as famílias são geralmente muito grandes (de resto, como sucede com o populacho), a comida é quase sempre do tipo rancho, ou sempre servida com muito puré de batata.
Os queques estão sempre a almoçar e a jantar fora, em grupos grandes com muitos rapazes e raparigas a exclamar: “Ai, já não há pachorra para o quiche lorraine!” Aqui se denunciam as suas verdadeiras origens sociais. Para um menino bem, comer fora é uma espécie de solução de emergência, quando não dá jeito comer em casa. Para um queque é um prazer.
Nas casas bem, a qualquer hora do dia, há sempre uma refeição a ser servida a um número altamente variável de crianças, primos, criadas, motoristas, tias, etc.
Nas casas queques as refeições variam conforme os convidados. Nas bem são sempre rigorosamente iguais. Os queques têm a mania dos restaurantes – conhecem-nos tão bem como os meninos bem conhecem (e odeiam) as cozinheiras. E os betinhos? Os betinhos tentam evitar as refeições o mais possível. Comem sozinhos em casa (os betinhos tendem a ser filhos únicos) ou levam betinhas a jantar. Porquê? Porque têm a paranóia de serem “descobertos” através dos modos de estar à mesa. Mas, na verdade, só são descobertos pelo seu excesso de boas maneiras. Um betinho à mesa está sempre “rijo”, atento, receoso de tirar uma azeitona por causa do terror de não saber lidar com o caroço. Os queques comportam-se como animais, espetando garfos nas mãos estendidas dos outros, soprando pela palhinha para fazer bolinhas no Sprite e atirando os caroços para martirizar o cocker spaniel. Quanto aos meninos bem, encaram as refeições como uma simples necessidade fisiológica. Comem e calam-se. Falam só para dizer “passa a manteiga” ou “Parece que houve uma revolução popular em Lisboa, passa a manteiga”.
Não são, portanto, os fidalgos que dão mau nome à fidalguia – são os queques e betinhos. Estes cultivam ridiculamente os “brasões” e as “quintas”, fingindo que não gostam de falar nisso. Em contrapartida, nas casas fidalgas, os filhos das criadas experimentam os lápis de cera nos retratos a óleo dos antepassados. E ninguém liga…

In “Os meus Problemas”

Miguel Esteves Cardoso

Desculpa, podes repetir...?

Ai, princesa...

27 agosto 2013

Quem se esforça por manter o nível sabe que vai engolir alguns sapos para ser the better person. Mas há dias que é demais...