15 setembro 2013

Planeta Sérgio

Eu, que ainda sou do tempo em que Plutão era planeta - estatuto de que foi vergonhosamente destituído -, vejo-me agora algo apreensiva perante esta notícia. Estou a imaginar os senhores que conduzem a nave: "oube lá, o que é aquele calhau ali à esquerda de quem passa marte?"
Mas não é que não queira dar as boas vindas ao novo anãozinho! O problema é o oposto: Uma pessoa afeiçoa-se e depois, quando se lembrarem que afinal não é para ser planeta, é uma tristeza...
Aí é que vão ser elas!

03 setembro 2013

Mas o que é isto? Todos os dias me aparece aqui um tipo - só pode ser um tipo - à procura de "miúdas na praia de armação de pêra". Filhinho, se me ouves, a época está a acabar!... Se queres ver as miúdas põe-te mas é a caminho senão já não chegas a tempo!
Chegar das férias, entrar às 8 da manhã e ter Urgência à noite...
Ninguém merece!

30 agosto 2013

Fidalgos, queques e betinhos

Os Portugueses têm algo de figadal contra todos os que tenham algo de fidalgal. Como as crianças, confundem muito a fidalguia, que é uma simples condição social, com a aristocracia, que é um sistema político em que o poder pertence aos nobres. E, no entanto, como diria Chesterton, não há mérito automático em ser fidalgo, nem vergonha em pertencer decididamente (como eu) à ralé.
Em Portugal a nossa civilização deve muito a duas classes minoritárias. Ambas são gente simples, com posses reduzidas e educação informal. Refiro-me, obviamente, à plebe e à nobreza. O pretensiosismo dominante, seja proletário ou possidónio, seja triunfalista ou disfarçado, encontra-se nas classes restantes, que constituem a grande maioria da população. Mas um pastor ou um pescador é tão senhor como um fidalgo. Como ele, vê o mundo de uma maneira antiga, em que cada coisa tem o seu lugar, o seu sentido e o seu valor. O pior é o operariado, a pequena, média e alta burguesia: enfim, quase toda a gente. É esta gente que se preocupa com a classe a que pertence. Enquanto o pastor e o visconde se ocupam, os outros preocupam-se. Os primeiros não querem ser o que não são. Os outros adorariam. Os primeiros aceitam o que são, sem vaidade. Os outros têm sempre um bocadinho de vergonha e por isso disfarçam, parecendo vaidosos.
Quem é fidalgo e quem é que quer ser?
Em Portugal existem três classes distintas. Há a classe dos fidalgos – os meninos “bem”. E depois há duas classes falsamente afidalgadas. Há os meninos “queques”, filhos de pais “queques” mas com avós que não. E há os “betinhos”, filhos de pais que, simplesmente, não.
O “menino bem” é aquele que não sabe muito bem em que século começou a fortuna da família. Geralmente é pobre, com a consolação irritante do passado rico. É muito bem-educado e jamais se lembraria de lembrar aos outros que é “bem”. O “queque” sabe perfeitamente que foi o avô ou o bisavô que abriu a fábrica ou a loja que enriqueceu a família. Geralmente é bastante rico. Embora tenha frequentado os colégios correctos, tem sempre um enorme complexo de inferioridade em relação aos “meninos bem”, o que o leva a fazer-se mais do que é. De bom grado trocaria grande parte da sua fortuna pela antiguidade e pelo prestígio de um bom título.
Finalmente, o “betinho” é aquele cujo pai nasceu pobre, indesmentivelmente operário. O betinho procura dar-se, em vão, com queques e meninos bem, mas a sua educação é formal e institucional, não familiar. É o mais rico de todos, mas é também o mais envergonhado. O betinho por excelência é aquele que não suporta a vergonha de um pai nascido entre o povaréu. Evita apresentá-lo aos amigos. Tudo faz para ocultar a sua proximidade genealógica ao vulgacho.
Tanto o queque como o betinho são o resultado de self-made man, homens que se levantaram pelas próprias mãos, quantas vezes rudes e calejadas e tudo o mais. O menino bem, em contrapartida, nem sequer compreende o conceito de self-made man. Porque é que um homem se há-de “fazer a si próprio” quando houve sempre pessoal, criados e caseiros, para se ocupar dessas tarefas desagradáveis?
Distinguem-se em tudo. A falar, por exemplo. O menino bem usa todas as formas de tratamento, desde “a menina” – A menina vai levar o Jorge ou vai sozinha no Volvo? – até ao “Psst, tu que fumas”.
O queque, por ser menos seguro, trata toda a gente por “Você”, incluindo os criados e as crianças (o que não é correcto, mas parece). O betinho, a esse respeito, está em absoluta autogestão. Tenta tratar mal aqueles que considera inferiores (demasiado mal) e bem aqueles que considera superiores (demasiado bem). No fundo é um labrego engraxado que julga sinal de aristocracia dizer os erres como se fossem guês.
O que caracteriza o menino bem é o seu total à vontade no mundo. Nunca se enerva, nunca hesita, nunca está muito preocupado. Haja ou não dinheiro. O menino bem dá-se bem com a pobreza e encara o sobe e desce da sorte com a naturalidade com que aceita a circulação do sangue pelas veias. Por isso dá-se bem com toda a gente. Nada tem a perder ou a ganhar.
Os queques não são assim. Pensam que nasceram para o brilho baço do privilégio. Vivem obcecados pelo dinheiro já que é o dinheiro que lhes permite comprar todos aqueles adereços (relógios Rolex, automóveis Porsche) que consideram indispensáveis ao seu estatuto social. Um menino bem, em contrapartida, nunca usa relógio – porque é que há-de querer saber as horas? O queque só se dá com pessoas “do seu meio”. Enquanto o menino bem tem aquele rapport feudal com caseiros, varinas e pedreiros, que constitui uma forma multissecular de intimidade, o queque aflige-se em “manter as distâncias” com esse gentião, precisamente por serem tão curtas.
O betinho é uma pilha de nervos. Ninguém o respeita. Dá-se quase exclusivamente com outros betinhos, do mesmo ramo de importação de electrodomésticos ou da construção civil. Não gostam de sair da sua zona. Os de Lisboa, por exemplo, só quando há uma emergência é que saem do Restelo. Ao contrário dos queques, evitam falar em dinheiro porque se sentem comprometidos. Esforçam-se mais por serem meninos bem do que os queques, que julgam já serem meninos bem. Andam sempre vestidos pelas lojas mais tradicionais (camisa aos quadradinhos, casaquinho de malha, jeans novinhos e mocassins pretos com correiazinha de prata ou berloques de cabedal), ao passo que os queques compram roupa mais moderna na boutique da moda. Escusado será dizer que os autênticos meninos bem andam sempre mal vestidos, com a camisola velha do pai e as calças coçadas do irmão mais velho. A única diferença é que as camisolas e as calças que têm em casa duram cem anos. Os avós já compram camisas a pensar que hão-de servir aos netos. Aliás, os fidalgos são sempre mais forretas que a escória.
No que toca aos hábitos alimentares, os meninos bem comem sempre em casa. Como as famílias são geralmente muito grandes (de resto, como sucede com o populacho), a comida é quase sempre do tipo rancho, ou sempre servida com muito puré de batata.
Os queques estão sempre a almoçar e a jantar fora, em grupos grandes com muitos rapazes e raparigas a exclamar: “Ai, já não há pachorra para o quiche lorraine!” Aqui se denunciam as suas verdadeiras origens sociais. Para um menino bem, comer fora é uma espécie de solução de emergência, quando não dá jeito comer em casa. Para um queque é um prazer.
Nas casas bem, a qualquer hora do dia, há sempre uma refeição a ser servida a um número altamente variável de crianças, primos, criadas, motoristas, tias, etc.
Nas casas queques as refeições variam conforme os convidados. Nas bem são sempre rigorosamente iguais. Os queques têm a mania dos restaurantes – conhecem-nos tão bem como os meninos bem conhecem (e odeiam) as cozinheiras. E os betinhos? Os betinhos tentam evitar as refeições o mais possível. Comem sozinhos em casa (os betinhos tendem a ser filhos únicos) ou levam betinhas a jantar. Porquê? Porque têm a paranóia de serem “descobertos” através dos modos de estar à mesa. Mas, na verdade, só são descobertos pelo seu excesso de boas maneiras. Um betinho à mesa está sempre “rijo”, atento, receoso de tirar uma azeitona por causa do terror de não saber lidar com o caroço. Os queques comportam-se como animais, espetando garfos nas mãos estendidas dos outros, soprando pela palhinha para fazer bolinhas no Sprite e atirando os caroços para martirizar o cocker spaniel. Quanto aos meninos bem, encaram as refeições como uma simples necessidade fisiológica. Comem e calam-se. Falam só para dizer “passa a manteiga” ou “Parece que houve uma revolução popular em Lisboa, passa a manteiga”.
Não são, portanto, os fidalgos que dão mau nome à fidalguia – são os queques e betinhos. Estes cultivam ridiculamente os “brasões” e as “quintas”, fingindo que não gostam de falar nisso. Em contrapartida, nas casas fidalgas, os filhos das criadas experimentam os lápis de cera nos retratos a óleo dos antepassados. E ninguém liga…

In “Os meus Problemas”

Miguel Esteves Cardoso

Desculpa, podes repetir...?

Ai, princesa...

27 agosto 2013

Quem se esforça por manter o nível sabe que vai engolir alguns sapos para ser the better person. Mas há dias que é demais...

13 agosto 2013

Head and shoulders, knees and toes

Head and shoulders, knees and toes, knees and toes
Head and shoulders, knees and toes, knees and toes
And eyes and ears and mouth and nose
Head and shoulders, knees and toes, knees and toes.

Memórias...

Sapatos novos


Giboiar é com o TLC

O canal TLC é um verdadeiro baú de programas absolutamente geniais. São as noivas ciganas hiper espampanantes, são os vestidos pelo preço de casas, são as madrinhas-que-mandam-nisto-tudo. E depois há os bolos e os cozinhados e as malucas dos cupões. E as outras malucas que guardam tudo o que veem! E há os vinte gémeos aos saltos, os anões e - oh!, tão bom! - o Toddlers & Tiaras, que é tão mau que se torna maravilhoso!

Tenho tanta preguiça que o comando está mais longe que sei lá o quê! Sim, almocei agora e estou a giboiar a frente da televisão. É estupidificante. Mas às vezes é bem bom.

11 agosto 2013

O estado da nação

Tirei-a à bocadinho no Parque Eduardo VII. Está longe da perfeição mas o grande buraco ao lado da esfera armilar está bom de ver, não? E é assim que estamos.

29 julho 2013

Na consulta

Mais do que reconhecer a minha total ignorância, já assumi para mim própria que existirão sempre áreas da cultura que o meu saber dificilmente poderá alguma vez abarcar. Mas esta hoje matou-me...

- Sotôra, eu sinto-me, tal e qual, como a Júlia do Dancing Days.

24 julho 2013

24 de Julho de 1833: Os liberais entram e tomam Lisboa.

Não é feriado, mas é um dia importante na história da nossa liberdade. Tinha uma vaga ideia mas fui pesquisar! Para que saibam, comemoram-se hoje os 180 anos da libertação de Lisboa pelas tropas liberais. Vieram comandadas pelo Duque da Terceira - o senhor que está no meio do Cais do Sodré, cujo nome original é "Praça do Duque da Terceira" - que, após o fim do cerco do Porto e a vitória liberal na batalha da Cova da Piedade (e já não havendo qualquer obstáculo à entrada na cidade de Lisboa), veio até à capital, provocando a saída dos miguelistas. O Duque de Cadaval, comandante absolutista, ordenou a evacuação das tropas desmoralizadas sem combater.




Imagem daqui.

22 julho 2013

O dilema dos sapatos

Desde que comecei a trabalhar tenho feito uma lista de material que não me fez grande falta durante o curso mas que, agora (ou a médio prazo) me vai dar jeito na prática clínica.

Uma dessas coisas é um par de sapatos confortável para as Urgências... Ora bem, 

1) o tradicional é ter umas socas no cacifo. (Aqui põe-se o primeiro problema, que é o ter um cacifo. Mas adiante...).




Não são o supra sumo da moda, mas o hospital também não é uma passagem de modelos (embora muitíssimas vezes pareça!!).


2) outra hipótese é comprar umas crocs,

 

que há para todos os gostos, mas que ainda não me convenceram porque me fazem lembrar o típico turista de sandálias e meias...


3) uma excelente ideia que me tinha ocorrido era ir comprar uns Não do Brasil, mas agora que me davam jeito é que aquela loja fantástica das Amoreiras fechou...



4) as minhas paez às flores são o máximo, mas não sei se não serão demasiado folclóricas para ir trabalhar. Dar muito nas vistas nunca fez o meu género...





Vai daí, fiquei a modos que sem melhores ideias e para já vão servindo os meus Timberland velhinhos que não são muito pesados e são super confortáveis... Até quando vão aguentar é que não sei...

Tudo na mesma, como a lesma

Estou numa inércia que mete dó. Sem inspiração nenhuma, nenhuma! Não sei se é do calor, se é do "quanto menos faço, menos me apetece fazer". Por mim, já estava de férias, longe daqui, de papo para o ar na minha praia. Mas não, ainda estou a trabalhar, que é bem mais bonito. E portanto, vejo-me obrigada a andar numa espécie de auto-motivação, tal e qual uma cheerleader do meu próprio dia-a-dia, "'bora lá, mais um dia", "só faltam quatro urgências para as férias", "são só mais quinhentas consultas"... E assim vamos andando.

13 julho 2013

zimbora Benfica!!


Estou numa fila in(de)terminável apenas e só à espera que saia, quentinho, quentinho, o "pão da avó" da Portela. That's how good it is.
Desde cedo que temo a possibilidade de passar pelas horas mais felizes da minha vida sem as reconhecer.

José Luís Peixoto
Breve partilha da minha sorte infinita
in Visão
11 de Julho de 2013

12 julho 2013

Bom fim‑de‑semana



Imagem daqui.

Irrrrrrritam-me

... as pessoas que justificam os seus feitiozinhos com os signos que têm. "Ah, eu sou arrogante e mal criada, mas não posso fazer nada, é porque sou do signo tal"... é verdade que não percebo nada, mas acho mesmo que é p'ra lá de estúpido...

10 julho 2013

Espelhos de quarto

Às 10 queridas pessoas que todos os dias atracam aqui no meu estaminé à procura de "espelhos de quarto" ou "espelhos" ou "quartos", lamento desiludir-vos enormemente, mas não vendemos disso. Era um trocadilho, uma brincadeirinha de palavras que, se não apanharam logo logo, também não vos vou maçar agora com a explicação, paciência!, também não é importante. Segui a vossa vida, espelhos há muitos.

Cumprimentos da gerência.

Pedras no caminho



Liga-lhe

Pega no telefone e liga-lhe, não tens nada a perder. Diz-lhe que tens saudades dele, que ninguém te faz tão feliz, que os teus dias são frios e tristes quando não estão juntos. Pega no telefone e liga-lhe. Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem. Ou então escreve-lhe uma mensagem a dizer que queres estar com ele. Não te alongues nem elabores, os homens nunca percebem o que queres deixar cair nas entrelinhas. Tens de ser clara e não podes ter medo, porque o medo é o maior inimigo do amor.
A vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã podes ficar doente, ou cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pela janela, sabias? Não sabes como será o dia de amanhã, por isso não percas tempo: pega no telefone e liga-lhe. Tenho a certeza que ele te vai ouvir, tenho a certeza que ele te vai ajudar, tenho a certeza que ele, à sua maneira ainda gosta de ti. Mesmo que já não te ame, ainda gosta de ti, como tu vais aprender a gostar dele, quando a vida te obrigar a desistir deste amor.
Ainda que não acredites, tu viverás para sempre nele, tal como ele vive em ti, na memória das tuas células, num passado que pode ser o teu escudo, mesmo que não seja o teu futuro.
Pega no telefone e liga-lhe. Fala com ele de coração aberto, diz-lhe que o queres ver, chora se for preciso, pede-lhe que te diga se sim ou se não. Se for preciso, por mais que te custe, pede-lhe para te escrever a palavra NÃO. Pede-lhe uma resposta para o teu coração. Mais vale saberes que acabou tudo do que viveres com as laranjas todas no ar, sem saberes quando elas vão cair.
Só não fiques quieta, à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto, leva-as para casa e faz um bolo de saudades para esquecer a mágoa.
E nunca deixes de sonhar que, um dia, tal como eu, vais encontrar alguém mais próximo e mais generoso, que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho.
Larga as laranjas e muda de vida. A vida vai mudar contigo.

MRP
Na psiquiatria até as bactérias têm perturbações do humor..., "sabe, Dra., é que eu apanhei uma pneumonia bipolar".

06 julho 2013

Haha

«Lágrima de Preta», António Gedeão

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

E é tudo tão triste e tão rebuscado e tão rocambolesco e tão elaborado que...

A saúde da cachimónia

Comecei o estágio de Psiquiatria e palavra de honra que todos os dias me surpreendo com aquela malta. A mente humana é, de facto, o mais insondável dos mistérios... Por muito que já consigamos entender e "manipular" - no sentido de controlar sintomas, ajudar a organizar - tudo isso é uma pequeníssima parte do que se passa ali no andar de cima...