24 julho 2013

24 de Julho de 1833: Os liberais entram e tomam Lisboa.

Não é feriado, mas é um dia importante na história da nossa liberdade. Tinha uma vaga ideia mas fui pesquisar! Para que saibam, comemoram-se hoje os 180 anos da libertação de Lisboa pelas tropas liberais. Vieram comandadas pelo Duque da Terceira - o senhor que está no meio do Cais do Sodré, cujo nome original é "Praça do Duque da Terceira" - que, após o fim do cerco do Porto e a vitória liberal na batalha da Cova da Piedade (e já não havendo qualquer obstáculo à entrada na cidade de Lisboa), veio até à capital, provocando a saída dos miguelistas. O Duque de Cadaval, comandante absolutista, ordenou a evacuação das tropas desmoralizadas sem combater.




Imagem daqui.

22 julho 2013

O dilema dos sapatos

Desde que comecei a trabalhar tenho feito uma lista de material que não me fez grande falta durante o curso mas que, agora (ou a médio prazo) me vai dar jeito na prática clínica.

Uma dessas coisas é um par de sapatos confortável para as Urgências... Ora bem, 

1) o tradicional é ter umas socas no cacifo. (Aqui põe-se o primeiro problema, que é o ter um cacifo. Mas adiante...).




Não são o supra sumo da moda, mas o hospital também não é uma passagem de modelos (embora muitíssimas vezes pareça!!).


2) outra hipótese é comprar umas crocs,

 

que há para todos os gostos, mas que ainda não me convenceram porque me fazem lembrar o típico turista de sandálias e meias...


3) uma excelente ideia que me tinha ocorrido era ir comprar uns Não do Brasil, mas agora que me davam jeito é que aquela loja fantástica das Amoreiras fechou...



4) as minhas paez às flores são o máximo, mas não sei se não serão demasiado folclóricas para ir trabalhar. Dar muito nas vistas nunca fez o meu género...





Vai daí, fiquei a modos que sem melhores ideias e para já vão servindo os meus Timberland velhinhos que não são muito pesados e são super confortáveis... Até quando vão aguentar é que não sei...

Tudo na mesma, como a lesma

Estou numa inércia que mete dó. Sem inspiração nenhuma, nenhuma! Não sei se é do calor, se é do "quanto menos faço, menos me apetece fazer". Por mim, já estava de férias, longe daqui, de papo para o ar na minha praia. Mas não, ainda estou a trabalhar, que é bem mais bonito. E portanto, vejo-me obrigada a andar numa espécie de auto-motivação, tal e qual uma cheerleader do meu próprio dia-a-dia, "'bora lá, mais um dia", "só faltam quatro urgências para as férias", "são só mais quinhentas consultas"... E assim vamos andando.

13 julho 2013

zimbora Benfica!!


Estou numa fila in(de)terminável apenas e só à espera que saia, quentinho, quentinho, o "pão da avó" da Portela. That's how good it is.
Desde cedo que temo a possibilidade de passar pelas horas mais felizes da minha vida sem as reconhecer.

José Luís Peixoto
Breve partilha da minha sorte infinita
in Visão
11 de Julho de 2013

12 julho 2013

Bom fim‑de‑semana



Imagem daqui.

Irrrrrrritam-me

... as pessoas que justificam os seus feitiozinhos com os signos que têm. "Ah, eu sou arrogante e mal criada, mas não posso fazer nada, é porque sou do signo tal"... é verdade que não percebo nada, mas acho mesmo que é p'ra lá de estúpido...

10 julho 2013

Espelhos de quarto

Às 10 queridas pessoas que todos os dias atracam aqui no meu estaminé à procura de "espelhos de quarto" ou "espelhos" ou "quartos", lamento desiludir-vos enormemente, mas não vendemos disso. Era um trocadilho, uma brincadeirinha de palavras que, se não apanharam logo logo, também não vos vou maçar agora com a explicação, paciência!, também não é importante. Segui a vossa vida, espelhos há muitos.

Cumprimentos da gerência.

Pedras no caminho



Liga-lhe

Pega no telefone e liga-lhe, não tens nada a perder. Diz-lhe que tens saudades dele, que ninguém te faz tão feliz, que os teus dias são frios e tristes quando não estão juntos. Pega no telefone e liga-lhe. Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem. Ou então escreve-lhe uma mensagem a dizer que queres estar com ele. Não te alongues nem elabores, os homens nunca percebem o que queres deixar cair nas entrelinhas. Tens de ser clara e não podes ter medo, porque o medo é o maior inimigo do amor.
A vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã podes ficar doente, ou cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pela janela, sabias? Não sabes como será o dia de amanhã, por isso não percas tempo: pega no telefone e liga-lhe. Tenho a certeza que ele te vai ouvir, tenho a certeza que ele te vai ajudar, tenho a certeza que ele, à sua maneira ainda gosta de ti. Mesmo que já não te ame, ainda gosta de ti, como tu vais aprender a gostar dele, quando a vida te obrigar a desistir deste amor.
Ainda que não acredites, tu viverás para sempre nele, tal como ele vive em ti, na memória das tuas células, num passado que pode ser o teu escudo, mesmo que não seja o teu futuro.
Pega no telefone e liga-lhe. Fala com ele de coração aberto, diz-lhe que o queres ver, chora se for preciso, pede-lhe que te diga se sim ou se não. Se for preciso, por mais que te custe, pede-lhe para te escrever a palavra NÃO. Pede-lhe uma resposta para o teu coração. Mais vale saberes que acabou tudo do que viveres com as laranjas todas no ar, sem saberes quando elas vão cair.
Só não fiques quieta, à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto, leva-as para casa e faz um bolo de saudades para esquecer a mágoa.
E nunca deixes de sonhar que, um dia, tal como eu, vais encontrar alguém mais próximo e mais generoso, que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho.
Larga as laranjas e muda de vida. A vida vai mudar contigo.

MRP
Na psiquiatria até as bactérias têm perturbações do humor..., "sabe, Dra., é que eu apanhei uma pneumonia bipolar".

06 julho 2013

Haha

«Lágrima de Preta», António Gedeão

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

E é tudo tão triste e tão rebuscado e tão rocambolesco e tão elaborado que...

A saúde da cachimónia

Comecei o estágio de Psiquiatria e palavra de honra que todos os dias me surpreendo com aquela malta. A mente humana é, de facto, o mais insondável dos mistérios... Por muito que já consigamos entender e "manipular" - no sentido de controlar sintomas, ajudar a organizar - tudo isso é uma pequeníssima parte do que se passa ali no andar de cima...

19 junho 2013


Imagem daqui.
Adiei até poder. Tenho o trabalho preparado há semanas (já meses, mesmo) mas acho que precisa de uma grande volta. Adiei-a até poder mas este fim‑de‑semana vou estar fora outra vez e segunda-feira tenho que botar faladura ali à frente de um montão de gente e, já agora, em podendo, gostava de não fazer má figura.
Daí que hoje e amanhã já tenha os serões feitos...
Que bom.


08 junho 2013

01 junho 2013

Babadíssima!

O meu irmão foi para uma prova de resistência em karting. Acabou de sair de um turno e ligou-me a dizer que um adversário o tinha chamado para dizer: "Congratulations! You where very fast and very clean!". E eu babadíssima!

Children See, Children Do

Porque hoje é dia da Criança (e porque imagens bonitas de balões e chupa-chupas é o que prai há mais), opto por um filme um pouco mais pesado mas que para mim espelha bem a razão pela qual as sociedades se têm vindo a degradar geração após geração.

Todos temos dias melhores e piores, mas quando estivermos ao pé de crianças, tenhamos sempre em mente a visão de futuro que só elas nos dão. Para o melhor e para o pior.

29 maio 2013

Verão, querido, estou à tua espera...


Tristes figuras

Estou na fase dos casamentos dos amigos. Já passei os casamentos da família, agora toca-me a mim bancar pensar na fatiota, na despedida, no presente...

Estava eu, então, a reflectir sobre o tema, quando me ocorre pensar o que passará pela cabeça das pessoas - que as há sempre - que aparecem com aquelas vestimentas estranhísimas? Pois se não foram convidadas para um baile de máscaras, porque é que... ... ... Porquê??


E cheguei a uma conclusão: "isto" só acontece em duas situações, que são da mais grave crise interna de uma pessoa...

1) meia idade: a malta já não vai p'ra nova e até tem uma vida adulta bem equilibrada, eis se não quando acorda um dia a pensar que até tem um ar jovem e tem mas é que mostrar isso a todó mundo e em todó lado e vai daí passa a vestir-se à adolescente;

2) adolescência: a malta é jovem e até está a passar por esta fase atribulada mais ou menos benzinho, sem grandes ondas, eis se não quando tem um ataque de individualidade e tem masé que mostrar a toda a gente que tem uma personalidade própria e vai daí passa a vestir-se à parvo.

Para quê ir fazer tristes figuras? Qual é a necessidade?


26 maio 2013

"na hora de pôr a mesa, éramos cinco", de José Luís Peixoto

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

José Luis Peixoto, in "A criança em ruínas"

Por muitos anos que passem,

nunca vou deixar de me espantar com o Zé Castelo Branco!


Ando à procura de vestidos...


24 maio 2013

Os toldos de Armação de Pêra

Uma pessoa quer poder ir de férias descansada. Pensa em ter uma casa na praia, um toldo na areia e passar o Verão à beira-mar. Uma pessoa faz um mealheiro e compra a casinha numa vila de pescadores numa baía agradável no Algarve e, com os amigos que fizeram o mesmo, passa lá muitos verões extradordinários. Vêm os filhos, vêm as noras, vêm os netos e daqui a pouco já virão os bisnetos... Uma pessoa cria lembranças todos os anos no mesmo toldo 14 da praia dos pescadores. Uma pessoa queria poder ir de férias descansada e conseguiu. As casas ficavam fechadas de um ano para o outro à espera de mais Verão e os toldos reservavam-se à época com o banheiro: "Então até p'ro ano, se Deus quiser!", "Adeus, minha senhora, até p'ro ano!". Uma pessoa conhece os vizinhos, a senhora da padaria, o Sr. Vieira da Palhota e o Sr. do Cake - são sempre os mesmos há 50 anos. É que uma pessoa já faz 92. Mas este ano já não vai poder ir de férias descansada porque este ano vai ser preciso fazer fila à porta da Junta de Freguesia para reservar o toldo. E uma pessoa de 92 anos não pode passar horas numa fila, muito menos 4 dias e 4 noites na rua à espera de reservar o toldo. Os filhos trabalham, os netos trabalham e quando lá chegarem na sexta à noite já a fila estará longa e os toldos destinados. Não sabe de quem é a culpa, só queria poder ter um toldo para estar descansada à sombra a ver o mar. Como sempre. E por isso uma pessoa este ano vai fazer menos praia porque os outros toldos já ficam longe para quem tem 92 e andar pela zona dos chapéus, apinhada, já não é fácil. Talvez fique por uma esplanada. Mas sempre a olhar para a praia e para os Verões à beira-mar.

Está uma noite maravilhosa para passear!



Para a minha J.

A minha irmã faz anos hoje. Eu gosto muito dela, mas ela não gosta de conversas destas, portanto fica aqui o que me ocorre dizer hoje, não fosse ela mandar-me calar com estas lamechices. Eu sei que não passas aqui muito mas vou dizer e fica dito, J., não tens hipótese.

A minha irmã tem o melhor sentido de humor que conheço. E isso significa que é muito mais inteligente do que ela pensa. Ligeiramente irónica e mordaz, absolutamente idiota e sempre a carburar uma parvoíce qualquer. Todas as piadas que se contam lá de casa foram "a J. que disse", mesmo quando não foram. Não há sossego quando ela está presente.
A minha irmã tem imensos caracóis. Quando era pequena fartava-se de chorar a pentear e a cabeleireira até lhe deu um golpe na orelha no meio da birra. Depois queria andar sempre de cabelo apanhado. Agora já lhe apanhou o jeito e tem um cabelão espectacular.
Quando a minha irmã era pequena era "completamente à nora". Tudo lhe passava ao lado e diz que por isso não tem memórias dessa altura. Agora que lhe passou a fase lunática, tombou para o outro extremo e acha que ninguém "tem noção" de nada.
A minhã irmã era a pessoa mais desarrumada que eu conhecia. Numa festa de anos lá em casa uma amiga decidiu cuscar o armário e caiu-lhe tudo em cima. "A culpa foi dela, não tivesse aberto as portas". Mas um dia acordou e começou a arrumar tudo e nunca mais parou.
A minha irmã adora praia, a nossa praia, e acha-se a melhor jogadora de cartas do mundo e arredores. O azar é que pensamos todos o mesmo e a verdade é que a melhor sou eu.
Há uns anos a minha irmã jogava futebol. Não era o CR7 e não gostava de ir aos jogos. Para ela o ideal era treinar e mais nada. Sem pressão. Por isso também nunca se meteu no karting connosco. Mas os anos de convivência também dão frutos e na primeira prova que fez ficou em 3º lugar. Só!
A minha irmã é a minha fashion adviser nas horas vagas. Eu sou clássica e confortável, ela é moderna e fixe. Tem mesmo olho para aquilo e quando vamos às compras diz-me "não, isso é péssimo, segura nas coisas que eu escolho". E eu agradeço e fico caladinha.

A minha irmã faz anos hoje e eu gosto tanto dela que era menina para lhe dar um abraço mesmo a sério. Mas como ela não gosta de lamechices fica aqui o meu desejo de que seja muito feliz, faça muitos mais anos e me empreste as roupas que gosto.

22 maio 2013

Como é que eu não hei-de ir p'ra velha? #2

A Expo '98 foi em (lá está), em 1998.
O problema é que 1998 já foi há 15 anos...

Martim, 16 anos, "Over clothing"



Perceba uma coisa: "geração rasca" não significa nada. Lá por ele ser jovem, não quer dizer que seja estúpido. Lá por ter 16 anos não significa que esteja encostado à sombra da bananeira à espera que tudo lhe apareça ao colo. Há quem seja pro-activo e empreendedor desde cedo. É assim que um país anda para a frente e que uma geração constrói um futuro melhor. Ter um doutoramento, minha senhora, não é tudo. E muito menos lhe dá o direito de ter esta atitude infeliz.
(Chegaste bem para ela.)

Martim, 16 anos, criador da marca Over e um exemplo para os jovens portugueses.

That's how we role, Richie Campbell

Por falar em Vasco da Gama... não sei o que é que passa pela cabeça das pessoas que vão ao centro comercial gastar rios de dinheiro em compras mas largar um euro para deixar o carro devidamente estacionado sem atrapalhar meio mundo, 'tá quieto!

Olha o que estava ontem ao lado do Vasco da Gama




Não percebi se era uma despedida de solteira ou um funeral, mas o que interessa é que era um Hummer H2 espectacular com a pior decoração chinoca-style possível! Um mimo...

21 maio 2013

"Desfado", Ana Moura





Quer o destino que eu não creia no destino
E o meu fado é nem ter fado nenhum
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum

Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente

Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste

Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse no silêncio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro

Ai que desgraça esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande incerteza de não estar certa de nada


Letra e música de Pedro da Silva Martins
Repertório de Ana Moura

And afterall You're my wonderwall



Imagem daqui.