22 novembro 2011
24 agosto 2011
17 março 2011
Sentes-te realmente estudante de Medicina quando...
- Ganhaste, entre os amigos dos teus pais, o cognome de "aquele(a) que está em Medicina", que vem sempre a seguir ao teu nome;
06 fevereiro 2011
Faltam 300 médicos nos centros de saúde - JN
José Manuel Silva, que ontem, sábado, participou na tomada de posse dos órgãos sociais da Associação Nacional de Estudantes de Medicina em Coimbra, rejeita que haja falta destes profissionais. Portugal até tem mais médicos do que a média europeia, garante. O problema está na "desorganização" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e na assimétrica distribuição, tanto por especialidades como em termos geográficos, dos médicos que existem.
| foto FERNANDO TIMÓTEO/GLOBAL IMAGENS |
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| Bastonário critica salários de 1100 euros |
A situação mais grave é a que se vive nos cuidados de saúde primários, onde faltam cerca de 300 médicos de família a meio milhão de portugueses. Nos hospitais, o bastonário admite que "provavelmente, há médicos a mais". A razão é simples: os jovens médicos não querem seguir a especialidade de Medicina Geral e Familiar porque, nos centros de saúde, vão receber, por 35 horas de trabalho, 1100 euros mensais, "um salário ao nível de um auxiliar de acção médica". Já nos hospitais, podem negociar, nos contratos individuais de trabalho, salários muito mais atractivos.
Para colmatar a carência de clínicos, o Estado tem optado por uma solução que, na opinião de José Manuel Silva, prejudica os doentes: contratar "médicos cubanos e colombianos, sem especialização em Medicina Geral e Familiar". "O que é preciso fazer é dar condições dignas para os jovens médicos se fixarem nos centros de saúde", defende.
A obrigatoriedade de os especialistas permanecerem no SNS durante um período igual ao internato, sob pena de terem de indemnizar o Estado, é também criticada pelo recém-empossado presidente da Ordem dos Médicos. Porque só tem um objectivo: reduzir os salários. "O Estado quer forçar os médicos a trabalhar compulsivamente com vencimentos mínimos", sublinha.
Para avaliar as reais necessidades de médicos em cada especialidade e por região e determinar quantas vagas devem abrir para os internatos complementares, a Ordem vai promover um estudo de demografia médica.
Quanto ao numerus clausus para Medicina, considera que é exagerado. Socorrendo-se de um estudo que, em 2002, avaliava as vagas necessárias em 1175, diz que, todos os anos, entram nos cursos de Medicina 700 alunos a mais.
Helena Norte
23 fevereiro 2010
Comunicado da Ordem dos Médicos
ah e tal há imensa falta de médicos e não sei quê...FYI
08 fevereiro 2010
riscar a primeira hipótese
Acabo hoje o estágio de pediatria que me deixa não mais do que a certeza de que estava redondamente enganada.
Quero ser médica? Sim. Pediatra? hell, no!
Quando falo com os colegas mais velhos fica-me a sensação de que muitas das escolhas de especialidades se prendem - não só, mas também - com o facto de este ou aquele assistente lhes ter conseguido transmitir a mais bela visão daquela arte.
Não foi esse o caso deste estágio - muito longe disso: lidar com uma médica pseudo-bipolar com o síndrome diário do "diz que disse" foi tudo menos fácil. Absolutamente frustrante, ainda para mais para quem tinha tão altas expectativas...
Resta a esperança de que a péssima experiência com esta senhora não me tenha atirado areia para os olhos, tornando-se a razão pela qual risco hoje um dos meus principais sonhos para o futuro.
24 janeiro 2010
Um dos meus no Bloco Operatório
Não é que não me preocupe, longe disso! Mas...
Se alguma vez eu teria passado uma noite em claro por algo semelhante noutra pessoa?... hell no!
Ok, era um procedimento complicado mas com boas perspectivas, por um cirurgião bem batido nessa arte e confiante no sucesso. Mas não era um doente, era um dos meus... Meus!
Bolas, não foi fácil...
03 janeiro 2010
Pois eu gosto de crianças
Já fui criança, também…
Não me lembro de o ter sido:
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.
É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente.
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.
Miguel Torga
Amanhã começo o estágio de Pediatria =)
14 dezembro 2009
Meu Deus...
Surgiu, então, há dias, o caso de um senhor de quase 80 anos, vindo de um lar (sobre o qual me vou excusar de tecer comentários) por... "farfalheira"...
Entrou de maca na urgência, olhar esgaseado, fora dali. Parecia por momentos conseguir fixar-nos em silêncio, sem qualquer outra reacção. Talvez fosse impressão minha.
Observou-o a medicina interna que pediu avaliação do membro superior esquerdo pela cirurgia.
Aqui entro eu e uma colega interna.
Vou ser directa, absolutamente crua: O senhor tinha um sarcoma. Era uma massa de cerca de 20x10x10 cm de tumor ensanguentado que lhe saía do braço. Uma coisa daquelas não aparece de um dia para o outro - tinha meses de evolução. E o cheiro... cadavérico.
Podia ter pensado na patologia, na terapêutica, na paliação. Mas não, só me passava pela cabeça uma questão: que tipo de pessoa deixa uma coisa daquelas acontecer a alguém??
As pessoas são despejadas nos lares à espera de que desapareçam por magia? Deixam-nos ali para morrer. Só.
São estes os frutos da negligência estúpida de famílias demasiado ocupadas para cuidar dos seus mais velhos ou demasiado qualquer coisa para serem minimamente decentes. (aaaggrhh QUE RAIVA)
Pediram-me que tirasse uma fotografia: tratava-se de um caso raro.
Primeiro não reagi. Depois acedi.
Sempre que olhar para ela vou obrigar-me a lembrar aquele senhor e que toda a gente merece o meu melhor.
Pedimos a opinião a cirurgiões gerais e plásticos. Fizemos o que podíamos (que era essencialmente nada). Naquele estado pouco havia a fazer. Aguardámos as duas em silêncio que o viessem buscar para ser internado.
E a seguir saí da sala e fui apanhar ar.
Só me apetecia gritar e chorar.
Quem lá esteve não voltou a tocar no assunto.
Dias depois contei por alto a historia a alguns mas ainda não me senti à vontade para falar mesmo disto com ninguém. Ou melhor, não senti que houvesse vontade de me ouvir a sério naquele dia. Mas não faz mal!, talvez noutra altura.
23 novembro 2009
Oxalá nunca tenha uma atitude como aquela.
Como qualquer outro estudante de qualquer outra ciência, preciso de aprender. Livros, sebentas, observação de técnicas, prática... tudo isto funciona. Mas funciona melhor ainda se tivermos alguém mais experiente para "back us up all along".
Suponho que sempre tenha sido assim: ao longo dos séculos os mais velhos ensinam os mais novos. Seja por interesse curricular, pelo estatuto social ou simplesmente por gosto, a verdade é que há muita coisa que não vem nos livros, e mesmo o que vem nem sempre se consegue realmente aprender antes se de ver fazer quem melhor o sabe.
Estava há dias num qualquer bloco operatório de um qualquer hospital do país, quando durante as duas horas de uma cirurgia programada (e atrasada por sua culpa) a anestesista discutiu, reclamou e chateou toda a gente que se fosse dispondo a perder uns segundos para me ensinar e orientar um pouco no que se ia passando.
Estranho conceito esse da "perda de tempo" por ensinarmos alguém que mais tarde ou mais cedo nos poderá vir a substituir...
Foi a primeira vez que me senti realmente mal num bloco operatório.
Oxalá essa senhora nunca venha a necessitar que lhe faça o que aprendi nesse dia.
Oxalá tenha aprendido suficientemente bem para poder ajudar alguem.
Oxalá nunca tenha uma atitude como aquela.
16 novembro 2009
De médico e louco todos temos um pouco
Foi a primeira vez que achei que os médicos vêem doenças em todo o lado:
Aparentemente, tenho uma personalidade esquizóide!!...
Passo a explicar:
- gosto de ter o quarto e a roupa arrumados;
- faço apontamentos e organizo-os em dossiers devidamente identificados;
- costumo fazer um plano de estudo antes de cada exame e tento seguí-lo;
- quando tenho que acordar cedo, escolho na véspera a roupa que vou vestir;
- quando vou fazer uma viagem, faço uma lista daquilo que preciso de levar;
- geralmente registo o que preciso de fazer diariamente na agenda;
- ...
Sempre pensei que era simplesmente uma pessoa organizada e metódica. Afinal faço é parte de um grupo de risco de doença psiquiátrica!!!!!
Ou seja: para evitar que me integrem em pseudo-grupos sujeitos a preconceitos sociais, o melhor e começar desde já a abandalhar.......................



